Exportações brasileiras perdem fôlego

A expectativa de que o Brasil exportaria 400 mil toneladas de arroz não deve se confirmar. Ainda assim, para um país que não exportava volume significativo de arroz desde 1979, as 300 mil toneladas que devem ser alcançadas nas vendas para o mercado internacional são consideradas um resultado formidável.

O Brasil não vai alcançar a meta de exportação de 400 mil toneladas de arroz – base casca – até fevereiro. Esta posição foi anunciada pela indústria gaúcha nesta quarta-feira, em Pelotas, durante o II Simpósio Sul-Brasileiro da Qualidade do Arroz, realizado pela Universidade Federal de Pelotas e a Associação Brasileira de Pós-Colheita. O presidente do Sindicato das Indústrias de Pelotas (Sindipel) Jairton Rosso, que também é vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Arroz Parboilizado (Abiap), anunciou que a indústria gaúcha provavelmente alcançará a marca de 300 mil toneladas, 100 mil toneladas abaixo da expectativa oficial.

– A indústria fez um esforço muito grande para consolidar estes números que, na nossa avaliação, são formidáveis para as circunstâncias em que conseguimos concretizar os negócios – afirmou Rosso.

O presidente do Sindicato das Indústrias do Arroz do Rio Grande do Sul (Sindarroz), Élio Coradini, confirmou as informações de Jairton Rosso. Segundo Coradini, outros dois navios de arroz parboilizado (54 mil/t base casca) poderiam ser exportados até fevereiro, mas o negócio se tornou inviável pela desvalorização do Dólar frente ao Real. A recuperação dos preços da matéria-prima para arroz parboilizado -comercializado a R$ 19,50 (CIF- Pelotas) esta semana – também foi decisiva. Para a outra exportação a indústria conseguiu arroz por preços entre R$ 14,00 e R$ 16,00.

– Uma coisa é conseguir matéria-prima a preços baixos e outra pelos valores atuais. Pode-se exportar superando burocracia, driblando alguns custos e obtendo uma margem de lucro mínima. Mas, com prejuízo torna-se impossível.

Ainda assim, o presidente do Sindarroz faz coro ao pronunciamento de Rosso. Segundo Coradini, durante a última safra nem os mais otimistas integrantes da cadeia produtiva do arroz apostavam em exportar 300 mil toneladas de arroz em 2005.

– O resultado superou a expectativa inicial, que ficava em 250 mil toneladas. Este número só aumentou para 400 mil toneladas porque houve um cálculo em cima da média dos primeiros meses – lembrou.

QUEBRADOS

Coradini explicou também que as exportações de arroz quebrado também estão se tornando inviáveis. Segundo ele, além do dólar, está interferindo o desinteresse dos compradores. Extra-oficialmente, o último navio com quebrados de arroz já negociados para exportação deve sair de Rio Grande até dezembro.

– Os importadores estão reduzindo a demanda e um conjunto de variáveis pode estar interferindo. Desde aumento da pressão dos antigos fornecedores, que têm subsídios para exportar, até a chegada da nova safra em algumas regiões do mundo, barganha dos compradores, queda do real. Tudo interfere. Precisamos fazer uma leitura mais atenta do que está ocorrendo – destacou Coradini.

DERIVADOS

A sinalização de que haverá descontinuidade nas exportações de arroz quebrado pelo Brasil já está mostrando seus efeitos internamente. Desde o final de outubro os preços dos derivados não param de cair. A redução mais brusca se deu no canjicão, que valia R$ 24,00 há um mês e agora é cotado a R$ 20,00 (16,7%), A quirera caiu de R$ 20,00 para R$ 19,00 e permanece com tendência de queda. As indústrias gaúchas estão com alto volume do produto armazenado, pois o fato de estar beneficiando arroz mais fraco, de final de estoque, gera uma produção maior de derivados.

Élio Coradini, presidente do Sindarroz, afirma que a expectativa do setor é de continuar exportando em 2006 e também de que a safra colhida no próximo ano tenha melhor qualidade do que as duas últimas. Isso reduziria o excedente de quebrado no Rio Grande do Sul.

EFEITO

O primeiro efeito da redução na expectativa oficial das exportações brasileiras de arroz será no estoque de passagem. Sem confirmar as 400 mil toneladas de arroz exportado, o Brasil terá 100 mil toneladas a mais no estoque privado.

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