Fatos negativos prejudicam ainda mais o mercado
Para piorar um pouco mais a situação, o mercado perdeu liquidez, reflexo dos protestos no Mato Grosso.
Infelizmente, não há nenhuma notícia positiva para o mercado brasileiro de arroz, capaz de tirá-lo do marasmo que já dura cerca de quatro meses. Para piorar um pouco mais a situação, o mercado perdeu liquidez, reflexo dos protestos no Mato Grosso, que deficultam o escoamento da safra daquele Estado.
Além de prejudicar o escoamento, as barreiras impostas nas estradas mato-grossenses atrapalham a distribuição da indústria local para a rede varejista, explica o analista de SAFRAS & Mercado, Tiago Barata.
– Com isso, a indústria está reduzindo o ritmo de produção e até paralisando as atividades – comenta. Outro reflexo negativo é que os varejistas estão comprando da indústria de beneficiamento gaúcha, fazendo o Mato Grosso perder clientes para seu concorrente.
Também pode-se destacar como fato negativo a queda nas exportações brasileiras, em meio ao dólar desvalorizado e a dificuldade de acesso aos portos, onde a soja e o milho têm preferência nesta época. Além disso, a produção de arroz nos países africanos (principal mercado das exportações do arroz brasileiro) deve ter um incremento, ainda não o bastante para suprir as demandas domésticas, mas o suficiente para promover a redução das compras no mercado externo.
Como havia sido previsto pelo analista de SAFRAS & Mercado, as exportações brasileiras de arroz foram menores em abril, quando comparados com o volume vendido ao exterior em março. Segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), as exportações brasileiras de arroz foram de 26.933 toneladas no mês de abril, sendo 93,25% desse volume de arroz quebrado.
A Gâmbia foi o principal mercado, destino de 14% das vendas. Nos quatro primeiros meses do ano, o Brasil já exportou 107.248 toneladas, sendo que o arroz quebrado representa 95% desse volume.
O preço da saca de 50 quilos em Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, está cotada a R$ 16,00. No Mato Grosso, a saca de 60 quilos em Sinop vale R$ 18,75. Já em São Paulo, o fardo de 30 quilos de arroz beneficiado agulhinha tipo 1 sai por R$ 27,00.
A última estimativa de SAFRAS & Mercado para a cultura de arroz na temporada 2005/2006, que saiu nesta sexta-feira (12), apresentou um leve aumento para a produção do Brasil, reflexo principalmente de uma maior produtividade no Rio Grande do Sul.
A produção brasileira ficou estimada em 11,672 milhões de toneladas na temporada 2005/06, ante 11,468 milhões projetadas no último levantamento. Com relação à safra interior, ficou 10,4% abaixo das 13,026 milhões de toneladas colhidas em 04/05.
SAFRAS estima uma queda de 18% na área plantada em todo o país, passando de 3,810 para 3,116 milhões de hectares. O rendimento médio deve subir, passando de 3.461 para 3.745 kg/hectare.


