Governo deve encerrar ano-safra com estoques muito baixos

Os estoques de arroz da Conab podem chegar em março de 2009 em apenas 381.705 toneladas, suficientes para pouco mais de 10 dias de consumo interno. Um nível perigoso e baixo, incapaz de conter altas mais fortes dos preços de mercado em 2008/2009, segundo projeção do consultor Carlos Cogo
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Em 2008, a Conab ofertou um montante de estoques de arroz de 685.740 toneladas, sendo 87,21% do Rio Grande do Sul, 12,18% de Santa Catarina e o restante de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná. Desde maio, a Conab vem realizando leilões para estabilizar o preço do arroz no mercado interno.

A quantia ofertada é discutida mensalmente, em reunião entre o governo, os produtores, as indústrias e os comerciantes, segundo a Conab. Nesta terça-feira, foram leiloadas mais 60.000 toneladas, sendo 50.040 toneladas depositadas no Rio Grande do Sul e 9.790 toneladas em Santa Catarina. Acrescendo esse volume ao montante já vendido pela Conab (685.740 toneladas), teríamos um total de vendas de 745.740 toneladas no acumulado de 2008.

Os estoques de arroz da Conab caíram para 881.705 toneladas após o leilão desta terça-feira. Caso seja efetivamente confirmada a doação de 100.000 toneladas como ajuda humanitária ao Haiti em 2008, os estoques públicos recuariam para 781.705 toneladas.

Considerando uma oferta quinzenal de 50.000 toneladas e de 100.000 toneladas/mês até, por exemplo, janeiro de 2009 (um mês antes do fim do ano-safra 2007/2008), seriam escoadas mais 400.000 toneladas, reduzindo os estoques de arroz da Conab para apenas 381.705 toneladas, suficientes para pouco mais de 10 dias de consumo interno. Um nível perigoso e baixo, incapaz de conter altas mais fortes dos preços de mercado em 2008/2009.

O sinal amarelo já ligou. A Conab deveria rever as ofertas em leilões nos próximos meses, se está pensando em intervir no mercado em 2009, caso seja necessário (e será!!!). Recomposição de estoques será uma tarefa dificultada pelo cenário de preços muito acima do mínimo de garantia do governo.

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