Governo oferece R$ 24,00 pelo arroz
Depois de mais de 60 dias de mobilizações, medida anunciada não contentou lideranças do setor. Agricultores alegam que valor não cobre custos da safra.
Terminou ontem a queda-de-braço entre o governo federal e os produtores de arroz. Após mais de 60 dias de mobilizações, o Ministério da Fazenda bateu o martelo definindo preço de R$ 24,00 para a saca de 50 quilos do grão nos leilões de opção da Conab. O produtor receberá em 15 de setembro o valor que sequer cobre o custo operacional da lavoura. As outras duas exigências do Tratoraço – a renegociação do custeio e a suspensão de execuções de dívidas – não avançaram.
Os primeiros leilões de contrato de opção acontecem no próximo dia 13. Neste mês, o governo aplicará R$ 300 milhões no mecanismo. Outros R$ 600 milhões serão destinados a partir de agosto. O setor não gostou. ‘Não saímos frustrados, mas também não estamos satisfeitos’, disse o presidente da Farsul, Carlos Sperotto. O dirigente avalia que a turbulência política em Brasília atrapalhou o resultado das negociações.
Os produtores, que brigavam por R$ 25,00, alertam que os custeios começam a vencer na próxima semana e que não haverá dinheiro para quitar as parcelas. ‘Não há dúvidas que estavamos buscando um preço acima deste, mas não deu. É melhor do que nada. Vamos trabalhar com o que está aí’, concluiu o presidente da Federarroz, Valter José P’tter. O dirigente promete seguir pressionando para que as verbas anunciadas sejam realmente aplicadas e os custeios postergados. ‘Estamos contando com a prorrogação das parcelas de julho e agosto.’ O setor também não desistiu de ouvir do governo medidas compensatórias para as importações do Mercosul. A promessa é de uma proposta em 60 dias.
O diretor da Federarroz, Marco Aurélio Tavares, avalia como positivo a sinalização ao mercado operando na casa de R$ 20,00 a saca de 50 quilos. ‘Pelo menos agora há um referencial, o que deve provocar um realinhamento de preços à vista’, analisa o diretor da Federarroz.
Haverá dois leilões na semana que vem, um público e um privado, num total de 150 mil toneladas, sendo que 144 mil toneladas desse total devem ser do Rio Grande do Sul.


