Hoje é o Dia “D” para ruralistas que vão discutir a crise com Lula
Produtores de todo o Brasil estão na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em busca de ações do governo federal.
Enfim, depois de quase oito meses de reivindicações, chega o grande dia para os ruralistas brasileiros. Hoje, às 11h30, produtores brasileiros, prefeitos e governadores se reúnem em uma audiência com o presidente Lula. O encontro é o ponto alto do movimento Tratoraço O Alerta do Campo, que foi iniciado há uma semana em Mato Grosso e consolidado no último domingo, quando as caravanas mato-grossenses se juntaram às de outros Estados em Brasília.
De acordo com o coordenador do Movimento e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Homero Pereira, o encontro tem de sensibilizar o presidente Lula. Homero não admite a hipótese de não ter pleitos básicos aceitos pelo presidente, apesar de todas as dificuldades que tivemos em negociar com a União, agora é o momento, frisa. Ele completa: Se o Lula não sinalizar positivamente ao básico da nossa pauta que lhe foi entregue há muito tempo não vai dar para segurar o movimento e vamos perder o controle. De qualquer forma, o Tratoraço permanece em Brasília até o dia 30 e ninguém está disposto a voltar de mãos vazias, alerta.
Segundo Homero, o básico do básico é seguinte: Os gaúchos não podem sair de Brasília sem elevar o preço mínimo da saca do arroz para pelo menos R$ 24,50, o Centro-Oeste não pode ficar mais sem ter acesso aos recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), para saldar dívidas vencidas e a vencer com os agentes privados, e em geral, toda agricultura brasileira necessita urgentemente da revisão dos valores do seguro rural para a nova safra e da liberação da importação dos agroquímicos do Mercosul, para reduzir custos das lavouras, anuncia.
O presidente da Famato, destaca que no Plano Safra 05/06, está prevista a destinação de R$ 10 milhões para o seguro rural, valor que segundo ele é ínfimo. Como pode-se ver, nossa pauta mínima nada tem a ver com prorrogações de dívidas, e sim, com soluções para que o prejuízo da safra passada não se avolume sobre a nova, justifica.
Ainda para a nova safra, é necessária a ampliação do limite de financiamento para o custeio e também a isonomia para dilatação dos prazos para pagamento das dívidas do Pesa e da Securitização.
CENÁRIO
Desde outubro do ano passado, os ruralistas mato-grossenses alertaram para as luzes amarelas que se acendiam no campo, que naquele momento refletiam o incremento dos custos de produção e a alta dos estoques mundiais. A safra 04/05 está no fim, e somente no Estado, segundo cálculos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), o rombo entre despesa e receita chega a R$ 3 bilhões.
PRIMEIRO DIA
O primeiro dia de manifestações em Brasília foi de grande expectativa e uma certa tensão. Cerca de sete mil produtores rurais ocuparam a frente do Congresso Nacional, invadiram os espelhos dágua e foram o foco das atenções no Parlamento. De forma espontânea, os manifestantes acabaram provocando o esvaziamento da Audiência Pública conjunta das comissões de Agricultura da Câmara Federal e do Senado, no plenário 6 da Casa, onde não cabiam mais do que 200 pessoas.
Os protestos em frente ao Congresso fizeram com que o deputado Ronaldo Caiado, presidente da Comissão, designasse um grupo de deputados liderados pelo vice-presidente da Comissão de Agricultura, o deputado federal Abelardo Lupion (PFL/PR), para acalmar os ânimos dos manifestantes. Ao chegar na rampa do Congresso, os parlamentares se depararam com um cena impressionante: os produtores rurais haviam cercado a entrada do prédio, com muitos deles dentro do espelho dágua empunhando faixas de protesto.


