Iguatu (CE) decreta estado de emergência pela seca

Lavouras de arroz, milho e feijão estão sendo perdidas no Ceará.

Diante da falta de chuva e perda da lavoura na maioria das áreas de plantio no Município de Iguatu, o prefeito Agenor Neto resolveu decretar estado de emergência. A decisão foi tomada no sábado passado, pela manhã, em reunião realizada no sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu. O decreto será assinado hoje, quando uma comissão local viaja a Fortaleza para relatar a situação na Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado e na Defesa Civil.

Durante a reunião, o prefeito ouviu dos trabalhadores rurais e pequenos produtores o relato das dificuldades em face da escassez de chuva e da perda da lavoura de milho, feijão e arroz. Muitos alegaram não ter condições para comprar alimentos para a família e se queixaram da falta de trabalho no campo. A caracterização é de uma seca verde provocada pela irregularidade das precipitações. “Não há mais o que esperar”, justificou o prefeito Agenor Neto. “A perda da lavoura é superior a 80%”.

Poucos são os agricultores que acreditam ser possível recuperar o plantio e colher alguns grãos. O agricultor Severino Carneiro, 59 anos, e o filho dele, Francisco Carneiro, 23 anos, fizeram, na manhã de ontem, o trabalho de limpeza da roça de milho, na localidade de Barra. A cultura não se desenvolveu por falta de chuva e o ataque da lagarta. Eles plantaram dois hectares e já gastaram R$400,00.

O milho na roça de seu Severino não se desenvolveu. “Faltou chuva na hora certa e a lagarta quase destruiu tudo”, disse. “Coloquei veneno, mas não adiantou muito”. Apesar da terra está seca e da lavoura está murchando, ele continua trabalhando. “O jeito é pelejar, esperar que a chuva venha, não adianta ficar em casa”, disse. “O agricultor sofre de qualquer maneira”. Pai e filho, cultivaram também um hectare de feijão, que está murchando por falta de água.

Na localidade de Barreiras dos Constantinos, os agricultores Antônio Melo, 58 anos, e José Audivan, 27 anos, cultivaram seis hectares de milho. No primeiro plantio feito em janeiro passado, houve perda total. “Preparei essa terra três vezes”, disse. “Esse é o segundo plantio, feito no final de março e está arriscado a perder tudo outra vez”. Eles já gastaram R$ 2.300,00. No campo, a lavoura de milho e feijão está murchando. Em muitas localidades, a perda já é total.

Somente em algumas partes, ainda resta esperança de que a chuva volte a ocorrer para aproveitamento de parte do plantio. “Não há mais o que esperar e fazer”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Iguatu, José Olavo Pinto. “A situação está triste e tende a piorar nos próximos dias”. A queixa é geral por parte dos trabalhadores e pequenos produtores.

O secretário de Agricultura do município de Iguatu, Valdeci Ferreira, explicou que a falta de chuva trouxe prejuízos incalculáveis. “Quem plantou perdeu ou está perdendo”, disse. “Mesmo que chova, não dá mais tempo fazer o plantio produzir. O problema está criado”.

A Secretaria de Agricultura de Iguatu fez uma articulação com uma empresa que está com um amplo plantio de algodão e conseguiu abrir 100 vagas temporárias para trabalhadores rurais da localidade de Tipis, que na semana passada estiveram nesta cidade em busca de trabalho e comida. Cada um receberá uma diária no valor de R$10,00. De acordo com os dados do escritório da Ematerce, neste ano, até, ontem, choveu 347,5 mm. Um índice que representa apenas 40% da média histórica.

Além da baixa quantidade de chuva, a irregularidade das precipitações vem provocando a perda da lavoura. Neste mês, choveu apenas 9 mm. A concentração das chuvas ocorreu nos últimos dez dias do mês março, registrando, no período, 270 mm.

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