Impasse para liberação da compra de arroz
Produtores pedem no mínimo R$ 25,00 pelo saco de arroz e R$ 700 milhões para comprar 1,5 milhão de toneladas. Governo acena com R$ 600 milhões e R$ 23,20 o saco de 50 quilos.
Os produtores de arroz estão preocupados com a burocracia na liberação dos recursos para as compras públicas anunciados na quarta-feira pelo governo federal. Os agricultores também não estão satisfeitos com os preços sinalizados pelo governo para os leilões. Ontem, em reuniões com a área técnica do Ministério da Agricultura, os representantes do setor orizícola sugeriram o valor de R$ 27,00 para a saca, e a aquisição, através de contrato público de opção, de 900 mil toneladas do Rio Grande do Sul e de 200 mil toneladas de Santa Catarina.
Segundo os produtores, mais 1 milhão de toneladas teriam que ser adquiridas por contratos de opção privada. Para atender ao pleito, seriam necessários R$ 675 milhões, explica o presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Valter Pötter. O governo, entretanto, prevê R$ 600 milhões para as compras de arroz, de um total de R$ 1 bilhão anunciados há dois dias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Ministério da Fazenda sugeriu preço de R$ 23,20 para a saca de arroz, o que levou os produtores a modificarem o pleito para R$ 25,00. Deixamos a proposta para ser analisada pelo governo, declara Pery Coelho, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Segundo ele, não existe uma previsão de quando os ministérios terão uma resposta aos produtores. Estamos preocupados com uma possível demora, porque primeiro o dinheiro precisa chegar ao ministro da Agricultura, comenta o dirigente. A crise política em Brasília também é motivo de apreensão.
Para conquistar força política para as reivindicações, as lideranças do setor fizeram uma verdadeira peregrinação na Capital Federal. O presidente da Federarroz ressalta que os avanços desta semana devem-se às mobilizações realizadas há quase dois meses pelos agricultores gaúchos. Ontem à tarde, os produtores liberaram a RST-287, em Restinga Seca. A rodovia estava bloqueada desde a manhã por tratores e caminhões.


