Importações prejudicam preços no Mato Grosso
Preços do arroz podem sofrer novas pressões de baixa em Mato Grosso .
Os preços do arroz podem sofrer novas pressões de baixa nos próximos meses caso não haja desova do estoque e o governo Federal não pise no freio das importações.
– A expectativa de preços do arroz é ruim e não deve mudar para melhor nos próximos 40 dias – prevê o corretor Cláudio José Sonego, da Única Corretora, em Cuiabá. Segundo ele, quanto mais o tempo vai passando, a pressão de baixa é maior, em função do excesso de oferta no País.
– O nosso arroz, como tem qualidade inferior, está perdendo mercado para os produtos da região Sul, por exemplo. Estamos há praticamente três meses na entressafra e até agora não vimos qualquer influência positiva na cotação do mercado. Pelo contrário, os preços continuam achatados e a tendência é de que se mantenham neste ritmo nos próximos meses – acrescentou.
Sônego lembra que no ano passado, nesta mesma época, o arroz Primavera estava sendo comercializado entre R$ 26 e 28 reais a saca. Neste momento, a desvalorização passa de 33%, pois o mercado paga cerca de R$ 17 e R$ 19.
A variedade Cirad, que chegou a ser cotada entre R$ 24 e 26, no mesmo período do ano passado, acumula deságio de 50%, pois os preços oscilam entre R$ 11 e R$ 13, em função da baixa qualidade do produto, que não está conseguindo se enquadrar na classificação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), como longo fino.
O corretor informa que na região Norte do Estado produtores estão vendendo parceladamente a sua produção a preços próximos a R$ 10 pela saca do Cirad, que na última safra registrou um custo de produção pelo menos o dobro deste valor.
A média do ciclo 04/05, registrou custo de produção da saca a R$ 25. Desde abril, quando a Conab deixou de classificar o Cirad como longo fino, os preços vêm caindo e orizicultores ameaçam não cultivar mais a variedade. Em Mato Grosso, o Cirad representa 60% da área plantada, que fechou a safra em 600 mil hectares plantados.
– Para agravar ainda mais o quadro, as dívidas vão aumentando e as perspectivas para a nova safra estão cada vez mais pessimistas, explica.
Enquanto isso, a Associação dos Produtores de Arroz (APA) apela para uma nova revisão nos preços mínimos para o arroz produzido na Região, em função do alto custo de produção.
Na avaliação do presidente da entidade, Ângelo Maronezzi, o ajuste dos preços mínimos seria uma das ações necessárias ao setor para que a produção de arroz em Mato Grosso não sofra uma redução na área de plantio ainda mais acentuada na próxima safra.


