Indústria diz que queda da produção de arroz vai ajustar setor

A queda estimada para a safra de arroz no Mato Grosso ajustará o setor no próximo ano, com expectativa de uma melhor remuneração para o produtor.

A queda de 56% estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a produção de arroz em Mato Grosso, deverá ajustar o setor no próximo ano, com expectativa de uma melhor remuneração para o produtor.

– Vejo como salutar para o mercado esta redução na área de plantio e na produção de arroz, pois o produtor terá a oportunidade de ser melhor remunerado e poder comercializar com mais tranqüilidade a sua safra – avalia o presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Arroz de Mato Grosso, Marco Antônio Lorga.

E completa:

– Não avaliamos esta previsão de queda como negativa para o setor industrial, pois temos um estoque de passagem de 600 mil toneladas e uma previsão de quase 1 milhão de toneladas para a próxima safra (05/06). Acredito que estes estoques somados ao volume da nova safra, vão garantir a movimentação da indústria mato-grossense sem qualquer problema durante 2006 – analisa Lorga.

O prognóstico do IBGE indica recuo de 1,31 milhão de toneladas (t) de arroz de uma safra para outra, com a produção caindo de 2,26 milhões/t (safra 04/05) para 994,66 mil/t, no próximo ano. Já a área plantada terá queda de 57%, passando de 855,63 mil hectares (ha) para 371,71 mil/ha.

Os técnicos do IBGE apontam a falta de crédito, o problema do endividamento rural, a desvalorização do dólar e a inexistência de uma política agrícola para o setor como as principais causas do recuo dos produtores nesta safra. Lorga diz que a redução da produção vai beneficiar toda a cadeia produtiva do arroz.

– Todos vão ganhar, pois haverá uma adequação do mercado e isso vai favorecer o equilíbrio entre oferta e procura – frisa.

Ele disse que o estoque de 600 mil/t será absorvido pela indústria regional, “pois há um nicho de mercado que trabalha com arroz de qualidade inferior, como é o caso do Cirad 141”.

O principal mercado comprador desse tipo de arroz é o Nordeste.

Em todo o Estado, são cerca de 150 indústrias de beneficiamento de arroz.

– Mas não há possibilidade de faltar arroz para as máquinas – assegura Lorga.

Ele diz que no final do ano as indústrias fazem recessos para iniciar a tradicional manutenção no maquinário, retomando as atividades em janeiro.

– Muitas indústrias, entretanto, já estão concluindo a manutenção das máquinas e já estão prontas para a próxima safra – conta.

HARMONIA

O presidente do Sindicato das Indústrias do Arroz defende a “harmonia” da cadeia produtiva do setor em Mato Grosso, desde o processo de plantio até o momento da comercialização e beneficiamento do produto.

“Os produtores precisam buscar mecanismos de comercialização que lhes garantam preços remuneradores. Para tanto, precisam trabalhar com qualidade, uma vez que a indústria é exigente e sabe o que o consumidor quer na mesa”, adverte Lorga.

AGREGAÇÃO

A grande preocupação das indústrias, segundo Lorga, é com a agregação de valores à matéria-prima.

– Precisamos produzir arroz de boa qualidade para trabalharmos o beneficiamento em nosso próprio Estado. A indústria, por sua vez, está trabalhando em prol da melhoria da tecnologia no processamento do arroz, como por exemplo, no processo do arroz parbolizado no próprio Estado – destaca o industrial.

Lorga insiste: “Com isso, agregamos valores à matéria-prima e geramos mais emprego e renda para população”, observa. Atualmente, apenas quatro indústrias realizam este processo em Mato Grosso.

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