Indústria do Mato Grosso não vai apoiar arroz Cirad 141

Variedade não alcançou os padrões para ser classificado como “longo-fino”, perdeu preço e é rejeitado pelo consumidor.

Se depender da indústria, o arroz Cirad 141 – que deixou de ser classificado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) como longo fino – sai do mercado já a partir do próximo ano. “Não vamos apoiar a continuidade dessa semente porque não é o que a dona de casa quer”, justifica o presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Arroz de Mato Grosso, Marco Antônio Lorga.

Segundo ele, o posicionamento da indústria em relação ao Cirad é bem claro: o arroz não se enquadra à classe longo fino e é rejeitado pelos consumidores exigentes, “que não gostam de produto sem qualidade e que gruda na panela”.

Preocupado com a imagem da indústria do arroz em Mato Grosso, Lorga assegurou que o setor não vai comprar o Cirad na próxima safra. “[O Cirad] é uma mercadoria fora dos padrões de consumo para os dias atuais, em que a dona de casa está cada vez mais exigente e preocupada em colocar na mesa um produto de qualidade. É verdade, sim, que comprávamos o Cirad. Mas hoje a situação mudou e não é mais isso que o mercado consumidor está querendo”, afirma o representante da indústria.

Ele disse que, se alguém está interessado na continuidade da semente – – “e, mais do que isso, que o produto seja classificado como longo fino” – é por interesse próprio. “Talvez o presidente da Associação dos Produtores de Arroz (Ângelo Maronezzi) esteja defendendo a qualquer preço a manutenção do Cirad porque ele é um dos maiores produtores individuais da semente e depende da sua continuidade no mercado. Estamos preocupados e trabalhando para dar sustentação à cadeia produtiva do arroz como um todo e não defendendo apenas uma variedade de arroz”.

Lorga disse reconhecer que a indústria não vive sem o produtor rural. “Entretanto, é preciso ver o segmento e não tratarmos apenas de uma variedade, que está se apresentando como deficiente”.

Ele informou que Mato Grosso vai investir dinheiro em pesquisa para que se encontre uma variedade eficiente e que atenda o produtor e a indústria. “Vamos sentar com os pesquisadores e ver o que a dona de casa necessita: um arroz soltinho e que renda na panela. Não adianta produzirmos uma variedade com boa produtividade, se o arroz não dá resultado”, disse, ao se referir ao Cirad.

Lembrou ainda que a semente dessa variedade é resultante de um material desenvolvido na França, pelo Instituto Cirad, para atender o consumidor asiático, “que gosta de arroz grudado e come com dois pauzinhos”.

De acordo com dados recém levantados pelo IBGE, sobre a safra estadual, a cultura do arroz foi a que mais registrou expansão de área da safra passada para a atual, 16,06%, passando de 788,16 mil hectares (ha) para 856,71 mil/ha.

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