Irrigação cresce no Sul e banco amplia linha de financiamento
Mesmo que gradualmente, os investimentos em irrigação no Sul, principalmente no arroz, seguem crescendo. Organismos financeiros abriram novas linhas de financiamento para ajudar ao produtor.
Passada a seca e recuperando as áreas de plantio, um número crescente de agricultores gaúchos está investindo na irrigação como uma forma de otimizar e aumentar a produção. Em 2007, a Caixa RS estima conceder um volume de R$ 55 milhões em financiamentos voltados a sistemas de irrigação, R$ 15 milhões a mais que em 2006.
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), foi responsável por cerca de 40 financiamentos voltados a essa alternativa no ano passado e pretende também aumentar esse número.
O BRDE aponta também outras culturas que estão se beneficiando da irrigação para inflar o rendimento dos plantios, caso do milho.
– Em condições normais, cada hectare rende cerca de 70 sacas de milho, número que ultrapassa as 200 sacas quando o plantador recorre à irrigação – aponta Miguel Fernando de Oliveira, gerente adjunto de Planejamento na região do Planalto do RS.
Ele ressalta também que o rendimento do plantio pode aumentar a ponto de serem realizadas duas safras de verão em um mesmo ano. A soja também desponta como potencial setor onde a demanda por financiamentos tende a crescer, graças à produção do biodiesel, segundo Rogério Wallau, diretor de Operações da Caixa RS.
Mudança de cultura
Observando o comportamento da demanda dos financiamentos para irrigação, o gerente adjunto do BRDE aponta um crescimento gradual da prática nos últimos dez anos.
– Está havendo, aos poucos, uma mudança de cultura entre os produtores do Rio Grande, até um pouco tardia, por já termos uma tradição de mais de cem anos na agricultura, com o desenvolvimento de todas as técnicas de manejo – explica Oliveira.
Para ele, a seca abriu os olhos dos agricultores em relação à necessidade de proteger as safras de prejuízos como os da estiagem, com uma escolha criteriosa dos métodos de proteção.
– A opinião corrente no segmento é de que os produtores estão preferindo investir na irrigação para protegê-los das secas, em comparação aos seguros de safra, que representam para o agricultor um dinheiro desperdiçado quando não há a perda do plantio – conta.
A maior adesão do campo a esse sistema anima também os fabricantes de equipamentos como os pivôs centrais, embora, na opinião de Victor Hugo Cainelli, responsável técnico da Fockink, especialista neste tipo de equipamento, o aumento das vendas no setor seja bastante lento.
– Em 2006, as vendas de pivôs no Brasil não foram muito além de 250 unidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse número chegou a 6 mil no ano passado – afirma.
De acordo com o engenheiro agrônomo, os financiamentos são indispensáveis para dar ao agricultor acesso ao maquinário, que tem altos custos de aquisição. Atualmente, para equipar uma propriedade de pouco mais de 140 hectares, o custo dos pivôs acaba representando R$ 5,1 mil por hectare, segundo cálculos do engenheiro.
Cenário regional
– O produtor gaúcho tem a mania de querer aprender a nadar quando já está se afogando.
A metáfora é de Luís Antônio de Leon Valente, supervisor do departamento técnico do Instituto Rio-Grandense do Arroz. Segundo o engenheiro agrônomo, o agricultor costuma se preocupar com a irrigação somente quando já está sendo atingido por períodos não previstos de seca, como as ocorridas no Rio Grande do Sul nos últimos dois anos.
Dos 1,1 milhão de hectares estimados em 2007 para o uso de sistemas de irrigação, 1 milhão é decorrente apenas da cultura do arroz, que se utiliza de áreas inundadas para o seu plantio.
– O restante é usado em plantações de milho, soja, feijão e outros grãos, e em sementes e pastagem – afirma.
Apesar do número ainda baixo, na opinião de Valente, o engenheiro aponta de que a área irrigada do Rio Grande do Sul é a maior do Brasil, dividida entre 25 mil produtores.
Excetuando a irrigação por inundação, sistema utilizado prioritariamente para o plantio de arroz, Valente afirma que outras culturas se valem principalmente da irrigação pelo sistema de pivôs centrais, responsáveis por 21% dos 3,14 milhões de hectares brasileiros irrigados, que chegam a obter 88% de eficiência.
No Rio Grande do Sul, existem cerca de 70 hectares para cada um dos 12 mil pivôs instalados, e o engenheiro acredita que esse número tende a aumentar, somado à busca de outras formas de melhoria da produção, como boa densidade de semeadura, e adubação, entre outras.
A Expointer conta com cerca de 400 empresas expositoras. A feira atraiu 350 mil visitantes e movimentou aproximadamente R$ 70 milhões.


