Leilões da Conab chegam em boa hora no MT

Os leilões de arroz da Conab no Mato Grosso, que começam nesta sexta-feira, chegaram em boa hora, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Alimentação do Mato Grosso (Siamt), Marco Lorga. Segundo ele, o panorama para a safra 2007 é muito promissor
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O leilão de 5 mil toneladas de arroz que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizará no Mato Grosso nesta sexta-feira, que deve se repetir semanalmente até novembro, chegou em mais do que boa hora, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Alimentação do Mato Grosso (Siamt), Marco Lorga.

A expectativa para o leilão é de muita disputa na Bolsa de Mercadorias de Brasília, mas acredita que aos poucos o mercado se normalizará. A previsão da indústria, em acordo extra-oficial com a Conab, é de que sejam leiloadas 240 mil toneladas do cereal até novembro, em pregões semanais.

Segundo Lorga, em curto prazo a Conab estará resolvendo o problema das indústrias do Mato Grosso que não dispõem de estoques para trabalhar, operam com alta ociosidade e estão enxugando seus quadros.

– A abertura dos leilões vai manter muitos empregos que já estavam ameaçados na indústria. Infelizmente, muitas empresas não conseguiram esperar até agora – frisou.

Segundo o sindicalista, que realizará um levantamento sobre os prejuízos da crise na indústria de arroz mato-grossense, os leilões já poderiam ter acontecido em agosto, pois a falta de matéria prima no estado já era prevista desde o primeiro semestre. Todavia, um acordo da cadeia produtiva em reunião da Câmara Setorial Nacional do Arroz, estabeleceu que os leilões no MT e outros estados desabastecidos do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil só aconteceriam a partir de 15 de agosto, como forma de não comprometer o mercado que segue em baixa no Sul.

– De qualquer maneira o Sul não está reagindo por uma questão regionalizada. Tem muita produção e concentração de arroz no Sul e mais a pressão do Mercosul.

O Mato Grosso só está beneficiando para consumo interno, não concorre com o produto sulista em São Paulo e perdeu o mercado do Nordeste por causa do PEP concedido às indústrias do Sul. Para o presidente do Siamt, Marco Lorga, o PEP até agora serviu apenas para desorganizar o mercado, pois não refletiu em recuperação dos preços ao produtor gaúcho e catarinense.

SAFRA

Com os leilões da Conab, a expectativa é de que os estoques público e privado do Mato Grosso sejam zerados até fevereiro, assegurando valorização adequada ao arroz na próxima safra.

– Estamos com expectativa muito boa para a próxima safra, prevendo um aumento na área plantada e, principalmente, na melhoria da qualidade do arroz do Mato Grosso – frisou Marco Lorga.

A confiança do presidente do Siamt se deve ao aumento dos estoques de sementes das variedades Primavera, Curinga e outros cultivares da Embrapa Arroz e Feijão e demais empresas de pesquisa, com alta qualidade de engenho, muito superiores à variedade Cirad, que predomina no MT.

– O Banco do Brasil, visando amenizar a dificuldade do produtor de soja, vai financiar mais a produção de arroz que é uma grande alternativa ao produtor. A descapitalização do produtor de soja vai puxar o plantio de milho e arroz em nosso estado – acrescentou.

PRODUÇÃO

A indústria do Mato Grosso trabalha com uma expectativa de produção ideal no estado em torno de 1,5 milhão de hectares, mas não acredita que este volume seja alcançado na próxima safra. O retorno será gradual e dependerá muito do mercado e do clima. Essa, segundo Lorga, seria a quantidade ideal para manter estáveis os preços ao produtor e também a demanda e operacionalidade do complexo industrial. Segundo ele, a capacidade nominal de beneficiamento do MT é de 1,7 milhões de toneladas (base casca).

Lorga acredita que uma ação harmônica da cadeia produtiva do Mato Grosso restabelecerá o vigor deste setor da economia no estado.

– A cadeia produtiva de Mato Grosso tem sido exemplo de parceria e superação de crise para todo o Brasil – afirma.

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