Leilões de arroz no Mato Grosso

Falta de matéria prima levará Conab a liberar estoques no estado em leilões a partir de setembro. Essa é a expectativa da indústria. Falta apenas definir as regras de liberação e os preços.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deverá liberar suas 230 mil toneladas de arroz dos estoques reguladores armazenadas no Mato Grosso a partir de setembro. Os detalhes dos editais dos leilões em pregão eletrônico estão sendo acertados pela Conab, bem como os preços de liberação.

A previsão é de leilões semanais nos meses de setembro, outubro e novembro. Os preços serão de mercado. Leilões também acontecerão em Rondônia e no Tocantins com o objetivo de regularizar a oferta de produto para as indústrias. Nestes dois estados os volumes serão bem menores.

O superintendente de Gestão e Oferta da Conab, Paulo Morceli, explica que a liberação gradual dos estoques tem o objetivo de atender as necessidades da indústria do Mato Grosso que opera com grande ociosidade por falta de matéria prima no estado.

– Mas, isso acontecerá com todo o cuidado, pois não podemos permitir que esta ação derrube o mercado e traga prejuízos aos produtores – avisa Morceli.

O presidente do Sindicato da Indústria de Alimentos do Mato Grosso (Siamt), Marco Lorga, afirma que esta ação é coerente, pois praticando preços de mercado a Conab de certa forma estimula o plantio de arroz no estado na próxima safra.

– Esperamos virar o ano com todos os nossos estoques reguladores e privados zerados, criando uma condição muito interessante para comercialização no próximo ano – revela Lorga.

SUL

Para o presidente do Siamt, agora é preciso encontrar uma solução para a concentração de um grande estoque de arroz no Sul do país. Segundo ele, o Rio Grande do Sul tem que encontrar uma fórmula de o mercado remunerar melhor o produtor e a indústria.

– Da forma que está o mercado, todos os elos da cadeia produtiva estão perdendo. Os preços no Mato Grosso estão sendo afetados porque os do Sul não reagem – lembra.

OCIOSIDADE

Uma pesquisa encomendada pelo Siamt apresentou dados preocupantes com relação à indústria de arroz do Mato Grosso, hoje a segunda com maior capacidade de beneficiamento no Brasil, segundo dados do Governo do Mato Grosso. Atualmente, a ociosidade operacional da indústria de beneficiamento de arroz do Mato Grosso é de 87%. Boa parte das empresas reduziu o quadro funcional, algumas fecharam as portas e em agosto existem algumas indústrias com o quadro funcional cumprindo aviso prévio ou férias.

A ociosidade da indústria mato-grossense está diretamente vinculada ao desabastecimento do estado. O desabastecimento é evidente, os preços de venda nos mercados do Sudeste não reagem por causa do volume de produto concentrado no Sul e o produtor do Mato Grosso, que sabe da escassez do produto evita vender esperando preços melhores. Mesmo com os leilões, o MT vai permanecer abastecendo apenas o mercado interno.

Para Marco Lorga, a cadeia produtiva precisa reavaliar urgentemente os excedentes do Sul, buscar alternativas de mercado e criar mecanismos para regular a entrada de arroz do Mercosul e terceiros países.

– Além disso, é preciso o governo federal tomar providências com relação a Guerra Fiscal, que permite que arroz importado entre em alguma regiões do Brasil praticamente sem pagar impostos e a custos muito inferiores à produção nacional. É um disparate entrar tanto arroz assim de outros países enquanto o Brasil tem um estoque com mais de 1,2 milhão de toneladas – frisou.

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