Mais uma semana de queda para o arroz em casca
Enquanto no Sul as medidas anunciadas pelo governo ainda não foram capazes de conter a queda dos preços, no Mato Grosso existe estabilidade, mas com preços baixos.
O mercado do arroz no Rio Grande do Sul teve mais uma semana de queda nos preços, indústrias fora do mercado e oferta mais incisiva por parte dos produtores que ainda precisam abrir espaço nos silos para aquela que está sendo esperada como a melhor colheita dos últimos anos. A qualidade dos grãos colhidos e a produtividade surpreendem positivamente na Fronteira-Oeste, onde a colheita já começou há mais de 15 dias.
O volume ainda é pequeno, mas é corrente a informação de colheita em Uruguaiana com mais de oito mil quilos de arroz por hectare e com qualidade de grãos entre 60% e 62% de inteiros nestas primeiras lavouras. Mesmo que em área ainda pouco significativa, plantadas no cedo. Ainda assim, neste município, o mercado operou esta semana na faixa de R$ 18,00 e indicava pressão para, já na quinta-feira que vem, operar na faixa de R$ 17,50 (líquido) para 50 quilos (58% de inteiros). Preço à vista.
A expectativa de uma grande safra gaúcha acabou interferindo na pressão pela limpeza dos armazéns e transferência dos estoques dos produtores para cooperativas e indústrias. Por conseqüência, esta ação dos produtores com reflexo nas cooperativas e algumas indústrias – interferiu no mercado. A pressão de oferta dos produtores, também motivada pelos preços em declínio, aumentou consideravelmente na semana que passou. Sendo assim, o preço líquido mais comum pago ao produtor por saco de arroz de 50 quilos e com 58% de inteiros, na semana que passou, ficou na faixa de R$ 18,00 a R$ 19,00 (FOB).
No Litoral Norte e na Fronteira Oeste gaúcha, arroz com mais de 60% de inteiros e de variedades nobres variou entre R$ 19,50 e R$ 21,00. A novidade ficou por conta de algumas indústrias gaúchas especializadas em arroz de variedades nobres recusando produto e informando que só voltarão a comprar em março mesmo arroz da safra passada com 55% a 57% de inteiros e das variedades Irga 417 e BR Irga 409 que passou a ser ofertado em volumes importantes.
Esta foi uma constante na semana. A maior parte das indústrias gaúchas está fora do mercado. No parque industrial do Sul gaúcho, Pelotas e Camaquã, poucas indústrias foram ao mercado e pagaram R$ 19,50 pelo saco de arroz CIF com indicação de R$ 19,00 para a semana que inicia. Arroz para parboilização teve cotação máxima de R$ 18,00 (CIF), mas um volume significativo de consultas ou negócios envolvendo depósito para posterior negociação. Isso fez com que alguns agentes de mercado considerassem como indicativo de demanda por abastecimento deste produto na indústria.
PREÇOS
Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito e Uruguaiana mantiveram preços na faixa de R$ 18,00 (líquido ao produtor). Itaqui, São Borja e Cachoeira do Sul operaram na faixa dos R$ 18,50. Todos com indicativo de baixa para a abertura desta semana que inicia e forte pressão de oferta, principalmente de arroz abaixo dos 55% de inteiros e alguma coisa de manchados.
Um agente de mercado da Fronteira-Oeste assegura que muitos produtores seguraram o produto para vender na entressafra e agora têm problemas para comercializar pela perda de qualidade provocada por má armazenagem, manchas e picadas de insetos.
ESPERANÇA
Mesmo pressionados pela exigência de meio circulante, para bancar os custos de colheita e promover a limpeza dos armazéns, os produtores ainda têm esperanças da liberação de recursos de comercialização para março. Assim, haveria uma equalização do mercado e sinalização de preços em torno de R$ 22,00 o preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal para o saco de arroz irrigado com 50 quilos e 58% de grãos inteiros na safra. A leitura do mercado é um pouco mais pessimista para o produto em casca no forte da colheita.
Há muita expectativa de que na 16a Abertura Oficial da Colheita do Arroz o governo federal confirme ações mais consistentes de comercialização do arroz e garantia de preços. Segundo consta, entre outras medidas, o Governo Federal estaria disposto a formalizar uma posição ao mercado de garantia da não-liberação dos estoques da Conab até o final de 2006. A consolidação de um Prêmio de Escoamento de Produção (PEP) para transferir parte da produção do Sul (cerca de 7,5 milhões de toneladas considerando Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) principalmente para estados do Norte e do Nordeste brasileiros poderá permitir nível de competitividade com o produto do Mercosul, que ao lado do câmbio é a principal preocupação do mercado.
MATO GROSSO
No Mato Grosso a semana foi de estabilidade, com preços nos patamares do período anterior. Poucas indústrias estão no mercado e existe um bom volume de oferta de Cirad da safra velha e algum volume de Primavera da nova safra. A qualidade dos grãos que estão sendo colhidos no Mato Grosso também surpreende. Primavera com índice de inteiros acima de 53% tem sido comum neste início da colheita. É esperada uma safra de baixa produtividade, mas com um nível de qualidade acima da média. Como os produtores estão exigindo R$ 21,00 a R$ 21,50 pela variedade Primavera da safra nova (CIF/Cuiabá) as poucas indústrias no mercado estão preferindo comprar Cirad e até mesmo Primavera da safra velha com menor percentual de inteiros.
Enquanto o arroz Primavera colhido nesta safra é cotado na faixa dos R$ 21,00/60Kg posto em Cuiabá o Cirad com até 50% de inteiros (mais raro neste momento) é cotado a R$ 16,50/60Kg (CIF/Cuiabá) e o Primavera da safra 2004/05 com até 50% de inteiros fica em torno de R$ 18,00 a R$ 19,00. O grosso da oferta ainda é de Cirad e Primavera de baixa qualidade, picados e manchados, pois se no Sul há problemas de armazenagem, no Mato Grosso a situação é muito mais preocupante. O que está atrapalhando bastante é o clima. Chuvas intensas no norte do Mato Grosso dificultam o acesso das colheitadeiras às lavouras e também o transporte.
SANTA CATARINA
Em Santa Catarina a safra já começou há quase três semanas com indicativos também de boa qualidade e uma colheita recorde, com boa produtividade. Alguns casos isolados de problemas com o clima. No Sul catarinense (Araranguá, Criciúma), o arroz de 58% de inteiros é cotado a R$ 18,00/50Kg (FOB). No Vale do Itajaí, fica na faixa de R$ 17,50, líquido ao produtor, para o mesmo padrão.
MERCOSUL
A expectativa de uma safra recorde no Mercosul é um dos grandes fatores de preocupação dos produtores gaúchos. Mas, com a queda dos preços internos o arroz em casca da Argentina e do Uruguai não está conseguindo competir com o gaúcho para o pólo industrial do Rio Grande do Sul. Em negociação estabelecida esta semana por corretoras gaúchas com empresas uruguaias não houve confirmação de compra brasileira. A indústria tentava negociar o produto a 240 dólares/tonelada posto em Pelotas e os uruguaios firmaram este preço do produto dentro do Uruguai. A diferença seria de 12 a 15 dólares por tonelada, o equivalente ao frete e alguns encargos. O equivalente a aproximadamente dois sacos de arroz por tonelada, considerando os preços internos do produto em casca.


