Mato Grosso: rizicultores do nortão ainda estão indecisos
Sem conseguir vender seus estoques de arroz, devendo para bancos e fornecedores de insumos, muitos antigos rizicultores ainda não decidiram se vão ou não investir na cultura na safra 2005/2006.
A chegada das primeiras chuvas à região Norte de Mato Grosso, a principal área de produção de arroz do Estado, não alterou o panorama sombrio que envolve a rizicultura. Sem conseguir vender seus estoques de arroz, devendo para bancos e fornecedores de insumos, muitos antigos rizicultores ainda não decidiram se vão ou não investir na cultura na safra 2005/2006, cujo plantio na região é feito nos meses de outubro, novembro e dezembro.
O próprio presidente da Associação de Produtores de Arroz de Mato Grosso (APA), Ângelo Maronezzi, admite que a situação da rizicultura, pelo menos no nortão, não é nada animadora. Nem mesmo a decisão do governo federal de comprar, através da Companhia Nacional de Alimentos Conab, 134 mil toneladas do arroz estocados em Mato Grosso, tem estimulado os rizicultores a investir na safra 2005/2006.
Acontece que de acordo com números da Conab, Mato Grosso produziu na safra 2004/2005 cerca de 2 milhões de toneladas do cereal, cuja área de plantio ocupou 770 mil hectares. Desse volume, o Estado tem ainda estocado cerca de 800 mil toneladas.
Como o Brasil tem estoque suficiente para atender à demanda do consumo até o início da próxima colheita, que em Mato Grosso vai de janeiro a abril, as perspectivas da colocação do excedente no mercado são remotas.
Reação dos preços
Apesar do desânimo dos rizicultores do nortão mato-grossense, o arroz pode alcançar bons preços no próximo ano. De acordo com previsões de órgãos governamentais ligados ao campo, o Brasil deve produzir na safra 2005/2006, se não houver problemas climáticos, pouco mais de 11 milhões de toneladas de arroz, volume insuficiente para atender o consumo interno, que é de cerca de 13 milhões de toneladas/ano.
O país tem um estoque estratégico de 2 milhões de toneladas, que somado as 11 milhões de toneladas da próxima safra, garantiria o abastecimento interno. No entanto, o Brasil tem contratos para exportar arroz e precisa honrar seus compromissos no mercado externo. Com a redução de seus estoques, o país terá que comprar o cereal para atender à demanda interna. Especialistas do mercado garantem que o preço do arroz começa a reagir já no início do ano.
A incerteza sobre a rizicultura na região tem levado setores ligados à produção de arroz a especular que a queda da área de plantio na safra 2005/2006 pode chegar a 50% em relação a que foi cultivada em 2004/2005. Principalmente se o governo federal não criar mecanismos que permitam aos rizicultores renegociar seus débitos para terem acesso ao crédito agrícola da safra 2005/2006. Plantar arroz com recursos próprios poucos rizicultores vão poder.


