Mercado abre estável, depois de turbulências
Aumento da oferta para pagamento de parcelas vincendas do custeio segurou os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul no momento que aumentava a demanda do produto pela indústria do centro do país.
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul abriu mantendo preços estáveis na faixa de R$ 30,00 a R$ 31,00 pelo saco de 50 quilos com rendimento de 58% de inteiros (Tipo 1). A estabilidade vem sendo assegurada por uma oferta acima do normal, já que os produtores passaram a vender arroz para garantir recursos ao pagamento da parcela do financiamento da safra que vence esta semana.
Na semana anterior, o mercado partiu de uma baixa onde o preço chegou a bater na casa dos R$ 28,00 em algumas regiões e retornou ao patamar superior a R$ 30,00. Houve um excesso de oferta, que forçou a baixa inicial. Porém, estes preços convidativos atraíram a indústria do centro do pais, já que o arroz Primavera daquela região está com estoques reduzidos e não há interesse dos produtores em vendê-lo no momento.
A volta da indústria do centro do país a buscar produto no sul gerou uma alta, corroborada pela redução da oferta à medida que os produtores perceberam a queda acelerada nos preços. Houve negócios até na faixa de R$ 31,00 para o arroz Tipo 1 (58%) na Fronteira-Oeste e Campanha. Todavia, a retomada da oferta pelos produtores que têm compromissos vincendos nesta semana provocou nova estabilização do mercado nos patamares anteriores, na faixa de R$ 30,50/50Kg em média.
O consultor da empresa Safras&Mercados, Aldo Lobo, acredita que se não fosse a necessidade de ofertar produto agora, os arrozeiros teriam uma remuneração melhor e seria mantido o viés de alta. Segundo ele, apesar da pressão do arroz uruguaio, que mantém as indústrias gaúchas fora do mercado nacional, o Centro-Oeste viria se abastecer no Rio Grande do Sul e compor seus estoques.
URUGUAI
O efeito Uruguai promete trazer maiores dores de cabeça ainda ao setor orizícola gaúcho e à própria indústria. Há informações de grandes empresas do centro do país para o direcionamento da demanda para produto beneficiado e/ou esbramado uruguaio posto em Santos a preços muito competitivos.
Atualmente, a indústria gaúcha tem comprado produto esbramado (sem casca) no Uruguai (R$ 26,00/FOB Rio Branco). Na equivalência a um saco de 50 quilos, o produto estaria custando posto no centro do Rio Grande do Sul R$ 28,00. Além de lucrar no preço do produto (variando entre 58% e 60% de inteiros), a indústria gaúcha retém as sobras de engenho (canjicão e quirera). Este produto têm sido vendido pela indústria gaúcha para o abastecimento do Brasil Central e do Nordeste.
A partir do momento que o PIS/Cofins de até 9,25% passar a incidir sobre a importação do produto em casca, o arroz esbramado e o beneficiado tornam-se mais competitivos e atraentes para as indústrias e o próprio atacado do Sudeste, pois não haverá incidência do tributo, explicou Aldo Lobo, da Safras & Mercados. Com isso, as margens da indústria gaúcha tendem a cair e a competitividade se acirrar.


