Mercado aquecido, apesar das notícias da semana

O mercado do arroz em casca manteve-se com preços em alta esta semana, apesar da Conab ter anunciado uma estimativa de estoque de passagem superior a 1,74 milhão de toneladas. Na verdade, o número ficou até abaixo do que esperava o mercado (1,8 a 2 milhões de toneladas).

O anúncio da Conab durante a semana de que os estoques de passagem serão de 1,74 milhão de toneladas, com 87% dos estoques públicos, movimentou o mercado esta semana, mas ao contrário do inicialmente previsto, houve uma reação positiva nos preços. Em primeiro lugar porque setores do mercado já trabalhavam com a previsão de um estoque de passagem de até 2 milhões de toneladas.

Em segundo lugar, porque deste estoque, apenas 13% está na mão da indústria e dos produtores e a indústria empurrou a compra com a barriga esperando que o governo federal “desovasse” estoques no final do ano, baixando preço. Só que, neste caso, o tiro saiu pela culatra e o governo avisou que não irá liberar estoques até o final de fevereiro, exceto em caso especial, como o negociado para liberar os armazéns da CESA, no Rio Grande do Sul, em volumes muito pequenos. Todavia, esta situação gera um precedente perigoso: a limitação do espaço de armazenagem para a próxima safra.

Os estoques poderão passar por novo ajuste futuramente, de acordo com dados do Censo Agropecuário do IBGE. Com estas notícias, ao invés do mercado se aquietar por perceber que há um grande volume de arroz disponível, muitas indústrias foram às compras. Assim, os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, que detém quase todo o estoque nacional, seguiram a trajetória de alta.

O indicador Cepea/Esalq e BM&F chegou a R$ 25,51 para a saca de arroz gaúcho com 58% de grãos inteiros posto na indústria. O acumulado do mês chegou a 8%. O valor ainda está 77 centavos de real abaixo do custo de produção de uma saca de arroz no Rio Grande do Sul, mas muito acima dos R$ 22,00 de garantia de preços do governo federal, que segurou uma queda maior das cotações ao longo de 2007.

Diante deste cenário, o arroz em casca no Rio Grande do Sul, é cotado entre R$ 23,50 e R$ 24,50 ao produtor na maioria das praças e flui com mais liquidez. O produto de melhor qualidade (mais grãos inteiros e das variedades nobres) é cotado entre R$ 26,00 e R$ 28,00 no Litoral Norte e está demandado.

OUTROS ESTADOS

O mercado catarinense está mais demandado também, com negócios girando entre R$ 22,00 e R$ 23,50, dependendo da região, segundo apurou Planeta Arroz. O Instituto Cepa, no entanto, indica R$ 21,00 a R$ 22,00, com evidente defasagem nas informações do mercado.

No estado do Mato Grosso a saca de 60 quilos do arroz longo fino, com mais de 50% de grãos inteiros, o que é uma raridade, segue cotada entre R$ 28,00 e R$ 33,00 dependendo da praça. Em Sinop e Sorriso é cotado, em média, a R$ 30,00, enquanto em Cuiabá e Várzea Grande, nos pólos industriais, chega a R$ 33,00. A safra atrasada em função do clima e até mesmo das culturas alternativas beneficiará o produtor na comercialização e manutenção deste patamar de preços.

INDÚSTRIA

A indústria gaúcha e catarinense segue trabalhando em duas frentes. Uma, buscando comprar arroz em condições favoráveis e obter preços mais remuneradores junto ao atacado e o varejo, outra buscando que a Conab libere ao menos parcialmente os seus estoques, o que indica previsão de escassez de matéria prima na mão deste segmento. Com um mês e meio faltante para a safra gaúcha pegar volume, a expectativa é de uma demanda de 700 a 800 mil toneladas de arroz, contra um estoque privado em torno de 350 mil, pelos dados da Conab.

Na última semana a média dos preços do fardo do arroz beneficiado subiu levemente, para a casa dos R$ 35,50. O fardo de 30 quilos do tipo um chega a São Paulo entre R$ 29,50 e R$ 48,00 dependendo da marca e das características do produto.

A saca de 60 quilos do arroz beneficiado é cotada a R$ 48,50 segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre, chegando entre R$ 65,00 e R$ 68,00 em São Paulo. A mesma corretora cota a saca de arroz em casca de 50 quilos (padrão) em R$ 25,00, o canjicão a R$ 34,00 e a quirera a R$ 26,00 a saca. A tonelada do farelo de arroz fica em R$ 325,00 com ligeira alta.

O setor aguarda com ansiedade as decisões que serão tomadas pelo Mapa e a cadeia produtiva na próxima quarta-feira, em Porto Alegre, com relação a estoques e mecanismos de comercialização da nova safra. O mercado, até a quarta-feira, deverá se manter em leve alta, tendência que poderá ser mantida dependendo dos anúncios que serão feitos na quarta-feira.

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