Mercado arrastado marca mais uma semana
Os preços praticamente não se moveram, exceto no Mato Grosso – pela falta de produto – e no Sul de Santa Catarina.
O mercado de arroz está fechando a quarta semana da mais completa calmaria no Rio Grande do Sul e com poucos negócios de maior volume. Os preços praticamente não se moveram, com uma média de R$ 20,23 para o saco de 50 quilos (58×10), produto posto na indústria, indicada pelo Cepea/Esalq nesta quinta-feira. É praticamente o valor da abertura da semana.
Os produtores de arroz gaúchos praticamente não estão ofertando produto. A indústria que sai atrás de produto recebe propostas entre R$ 20,00 e R$ 20,50 para o produto com padrão de 58%. O mercado em geral trabalha com preços entre R$ 19,50 a R$ 20,00 (bruto), o que daria R$ 19,00 a R$ 19,50 líquido ao produtor. A indústria não chega a forçar a compra, pois com o vencimento de nova parcela de custeio na segunda quinzena de agosto, espera um movimento de oferta do produtor. Mesmo que seja menor do que o ocorrido em julho.
Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito, Rio Pardo e Dona Francisca operam com preço bruto de R$ 19,25 a R$ 19,85 para o saco de arroz em casca com 50 quilos e 58% de grãos inteiros. Uruguaiana mantém patamar de R$ 20,00 a R$ 20,30 para o arroz deste padrão posto na indústria. Itaqui e São Borja chegam a faixa de R$ 20,30 a R$ 20,50 (final indústria) e entre R$ 21,00 e R$ 22,00 para as variedades nobres, de acordo com o rendimento de engenho.
Zona Sul gaúcha manteve preços praticamente inalterados, com o produto fraco para parboilização cotado a R$ 20,00 (na indústria) e o branco com 58% cotado entre R$ 20,65 a R$ 21,00, nas mesmas condições. No Litoral Norte, variedades nobres e rendimento de 63% de inteiros mantiveram-se na faixa de R$ 23,00 a R$ 23,50. Produto de muito boa qualidade chega a ser comercializado a R$ 25,00. Mas, os volumes são insignificantes.
Santa Catarina
Santa Catarina vive momentos de estabilidade com suave alta no Sul. Os preços do arroz em casca estão entre R$ 20,00 e R$ 21,00 (50kg/58%) no Sul do estado. Na região de Jaraguá do Sul a comercialização encontra média de R$ 18,00 ao produtor e em Rio do Sul, R$ 18,50. O fardo de 30 quilos do arroz catarinense Tipo 1 chega a São Paulo ao preço de R$ 32,00 (CIF c/ ICMS e pagamento em 30 dias) segundo dados do Instituto Cepa. O Tipo 2 é cotado a R$ 29,50 nas mesmas condições e o parboilizado a R$ 34,50.
Mato Grosso
No Mato Grosso arroz de boa qualidade passou a ser mercadoria rara. Já existem negócios de arroz primavera de boa qualidade por até R$ 25,00 posto em Cuiabá, ou seja, R$ 21,50 a R$ 22,00 para o produtor no Nortão. Todavia, a oferta é mínima e a maior parte dos negócios são de produto de qualidade inferior.
A indústria do Mato Grosso trabalha com a expectativa de liberação de estoques da Conab para garantir o abastecimento pleno no estado. Muitas operam com ociosidade muito grande apenas para manter presença de suas marcas no mercado, principalmente as pequenas.
Nesta semana, uma das novidades é a negociação de um grupo que recentemente fechou uma planta industrial no Mato Grosso com empresas gaúchas. O equipamento está sendo desmembrado e oferecido em troca de parcerias.
BENEFICIADO
O mercado do arroz beneficiado, apesar do final das férias de inverno, segue muito trancado. Houve um pouco mais de consultas esta semana, mas o nível de negócios não aumentou. Pelo contrário, inexplicavelmente algumas indústrias gaúchas que não conseguem comprar arroz a preços abaixo dos R$ 19,00/R$ 20,00 estão negociando arroz beneficiado (fardo de 30kg/tipo 1) com o preço montado sobre R$ 18,00, chegando a São Paulo entre R$ 28,50 e R$ 29,00 e a Minas Gerais e Rio de Janeiro na faixa de R$ 30,00 (preço final).
A média de preços, no entanto, dos poucos negócios realizados na semana, fica em R$ 31,30 final São Paulo, à vista, e R$ 32,00 para até 30 dias. Mas, para garantir o espaço no mercado, os negócios ficam com preços abaixo das tabelas da indústria. Estas, são mantidas na expectativa de uma recuperação nos preços. Marcas top ainda conseguem preços em torno de R$ 37,00 a R$ 38,00 e marcas especiais, o chamado tipo extra conseguem negócios acima dos R$ 44,00 o fardo. Mas, a pressão das redes de supermercados continua muito forte em busca de compensações como enxoval e promoção de aniversário.
O saco de 60 quilos de arroz beneficiado, tipo 1, é comercializado dentro do Rio Grande do Sul na faixa de R$ 41,00 a R$ 42,50. Quem ainda tem arroz velho (da safra anterior) consegue preços de até R$ 44,50 Chegam em São Paulo entre R$ 58,50 e R$ 62,00. Os derivados seguem a mesma tendência de manutenção de preços. O canjicão é cotado nominalmente por até R$ 22,00, mas a maioria dos negócios é fechada na faixa de R$ R$ 20,00 a R$ 21,00(60kg/à vista). A quirera é cotada a R$ 16,00 (60kg) e o farelo na faixa de R$ 6,00 (30kg).
TENDÊNCIAS
O mercado trabalha agora com duas variáveis. A recuperação do consumo a partir do final das férias de inverno e a retomada das compras pelo atacado e o varejo e a volta das ofertas de arroz por parte dos arrozeiros. Os produtores tendem a ofertar, mesmo que em volumes menores que julho, para a quitação das parcelas de custeio que vencem em agosto. Todavia, alguns precisarão negociar produto para a capitalização necessária ao plantio, que já começa em setembro.
Neste jogo de expectativas, a indústria fica praticamente imobilizada e à espera da reação das duas pontas da cadeia para poder planejar suas ações. A falta de produto no Centro-Oeste seria um fator importante para elevar os preços internos, mas a Conab já confirma monitoramento para uma possível liberação de estoques em volumes que atendam a demanda da indústria do Mato Grosso sem que isso represente queda dos preços abaixo do mínimo. Por enquanto, na fase de estudos.
De qualquer forma, a posição do varejo segue sendo o fiel da balança.


