Mercado com leve reação, mas esperando leilões
Ligeira melhora nos preços após o Carnaval, mas ainda há compasso de espera para os leilões da Conab.
Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul tiveram ligeira melhora nos últimos 10 dias, na fase pós-carnaval. Ainda não se refletem no varejo, por estarem diretamente ligados à relação produtor/indústria, mas demonstram toda a expectativa do setor com relação aos leilões de opção públicas que começam nesta sexta-feira (2/3), em São Gabriel (RS), na 17a Abertura Oficial da Colheita do Arroz. Em Cachoeira do Sul, Rio Pardo, Dona Francisca, São Gabriel, Rosário do Sul, Dom Pedrito e Tapes, os preços nominais oscilam entre R$ 18,00 e R$ 19,00. Em Alegrete, 18,50 a R$ 18,70. Itaqui e São Borja entre R$ 18,50 e 19,00. Camaquã, Pelotas e Uruguaiana, pagam R$ 19, a 19,50 para o produto dentro da indústria, com casos de até R$ 20,00 para pequenos engenhos de Pelotas.
O arroz das variedades nobres está puxando preços, pois verifica-se forte demanda por BR IRGA 409 e IRGA 417 da safra 2005/06, principalmente na Fronteira-Oeste. Negócios na faixa de R$ 23,00 a R$ 24,00 para volumes significativos e expectativa de até R$ 25,00 nos próximos 10 dias. No Litoral Norte, negócios confirmados a R$ 24,00, e bastante demanda por variedades nobres.
Para o arroz em casca, a expectativa está toda centrada nos leilões de opções públicas, cujo problema no momento é encontrar estoques disponíveis. Embora a Conab venha assegurando que há espaço para mais de 1,5 milhão de toneladas de arroz em armazéns credenciados, muitos destes já anunciaram que não têm interesse em depositar produto do governo, principalmente as grandes indústrias. O produtor poderá ter que arcar com os custos para remanejar estoques de uma região para um pólo armazenador mais próximo. É o caso da Campanha que poderá ter que movimentar os estoques para Pelotas. A expectativa dos corretores é para ágio de até R$ 1,50 nos leilões.
A colheita das primeiras lavouras, com relativo atraso e perdas provocados pelas intensas chuvas pós-Carnaval na região arrozeira, indica alta produção de quebrados e muitos grãos falhados. Os técnicos apostam que esta tendência não se confirmará a partir da próxima semana.
INDICADOR
O indicador de preço de arroz Cepea/Esalq e BM&F, fechou nesta quinta-feira apontando a média de R$ 18,99 para o saco de arroz em casca de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, colocado dentro da indústria, um aumento de 0,68% sobre o preço da quarta-feira. Na quinta-feira da semana passada a cotação era R$ 18,32, ou seja, uma diferença de 67 centavos.
DEMAIS ESTADOS
No Mato Grosso as chuvas seguem atrapalhando muito a colheita, com um significativo volume de perdas por acamamento e umidade. Pragas e doenças de final de ciclo também ocorreram por conta da umidade. A disputa de caminhões para puxar a safra e a precariedade das estradas está encarecendo o frete. O arroz primavera, saco de 60 quilos, com 50% de inteiros, é cotado entre R$ 18,50 e 20,00 em Sinop e Sorriso. Em Cuiabá chega a R$ 21,00 ou R$ 22,00 por conta do frete.
Em Santa Catarina a colheita segue em ritmo acelerado, já com mais da metade da lavoura colhida. Na região de Jaraguá do Sul, o arroz em casca, 50 quilos e 58% de inteiros, é cotado a R$ 18,50. No Sul catarinense, R$ 19,00.
INDÚSTRIA
A indústria aguarda posição dos leilões e das reuniões que realizará durante a 17a Abertura Oficial da Colheita do Arroz. A tendência é de um grande volume de empresas manter-se desinteressada de estocar produto para o governo federal, dando prioridade à estocagem de produto próprio ou particular. Muitas delas já têm volume significativo de arroz da Conab. Um remanejamento custaria muito. Quanto ao mercado, apesar de ligeiro indicativo de alta pós-Carnaval nos preços do arroz da safra velha, a indústria não está conseguindo repassar ao varejo. A expectativa é que o início do ano de trabalho (a partir de março) e aulas, estabeleça um aquecimento no padrão de consumo e obrigue o varejo a buscar produto. Fardo de 30 quilos de arroz tipo 1, branco, é colocado em São Paulo, em média, a R$ 32,00. Mas, seguem queimas de estoque na faixa de R$ 27,50 a R$ 29,00 e marcas top do tipo extra acima de R$ 40,00.
Dentro do Rio Grande do Sul, o arroz beneficiado comercializado em sacos de 60 quilos é negociado a R$ 40,00, em média. O canjicão é cotado a R$ 28,00 e a quirera a R$ 20,00, com demanda firme.


