Mercado com tendência de baixa no Mato Grosso
Excedentes da safra passada ainda interferem nos preços e mantêm nova safra com baixas cotações.
O mercado de arroz em casca do Mato Grosso continua com uma forte tendência de baixa, segundo informações da Corretora Futura Cereais, uma das principais empresas do ramo no Centro-Oeste. Segundo o corretor Jorge Fagundes, os armazéns ainda estão abarrotados de arroz da safra passada.
Há uma grande quantidade de arroz manchado e branco (de baixo percentual de grãos inteiros, que está sendo ofertada a preços muito atrativos para os cerealistas que fazem a praça do Nordeste, frisa Fagundes. Este mercado comprador esboçou um pequeno aquecimento nas últimas semanas.
Esse cenário, segundo Fagundes, está interferindo negativamente no preço do arroz Primavera novo (da safra 2004/05), que não está alcançando a procura esperada. As esperanças que havia quanto ao posicionamento do Governo em termos da liberação de mecanismos como AGF e PEP para o arroz estão praticamente descartadas.
– O orçamento para esse tipo de mecanismo já foi direcionado em 60% para o trigo e, além disso, continuam as operações de PEP para o algodão. Sendo assim, não há mais dinheiro para uma operação expressiva que ajudaria a manter os preços do arroz em patamares remuneradores, frisa Jorge Fagundes.
O corretor revela que na semana passada esteve em Sinop e Sorriso, no Mato Grosso, para acompanhar o andamento da safra. Constatamos a excelente produtividade e qualidade que terá o arroz do Mato Grosso nesta safra, mas infelizmente não temos esperança de uma recuperação significativa nos preços, define.
Para Fagundes, os melhores preços serão alcançados neste início de safra. No decorrer da colheita e ainda com a entrada do arroz Cirad (que representa volumes mais expressivos) os níveis de preços devem cair ainda mais, prevê.


