Mercado de arroz estagnou

Empresas fora de mercado e produtores ofertando para limpar armazéns e buscar recursos para fazer a colheita é a tônica da semana.

O mercado do arroz estagnou esta semana nos dois principais mercado brasileiros: Mato Grosso e Rio Grande do Sul. O movimento de arroz em casca é muito pequeno no mercado gaúcho, destacando apenas a venda de produto para parboilização em Santa Catarina e algum movimento para o Paraná e São Paulo. Em Santa Catarina os estoques estão praticamente zerados e a comercialização também é muito fraca.

A Fronteira-Oeste, que detém o maior volume de estoques na mão dos produtores baixou as cotações em até R$ 1,50 em 15 dias e já opera na faixa de R$ 19,00 (brutos) para o saco de 50 quilos de arroz com 58% de grãos inteiros. Este é o preço médio de referência em Uruguaiana, Rosário do Sul, São Gabriel, Santa Maria, São Sepé, Restinga Seca e Itaqui. Não há negócios significativos porque quase todas as indústrias estão fora de mercado. Em Alegrete, a CAAL saiu do mercado nesta quarta-feira depois de operar dois dias com forte pressão de oferta de produtores. Pagava R$ 19,45 (brutos) pelo produto com 58% de inteiros.

Os pólos industriais de Pelotas e Camaquã também registram uma paradeira e quase a totalidade das indústrias fora de mercado. O arroz com 58% de inteiros, em média, é cotado a R$ 20,50 posto na indústria (CIF). Apenas para referência. As variedades nobres (Irga 417 e BR Irga 409) continuam com alguma procura, mas as principais indústrias da fronteira reduziram as cotações. Em São Borja o produto com 60% de inteiros (acima) é cotado a R$ 22,00. Em Itaqui, R$ 21,50. As empresas também alongaram os prazos de pagamento. Este preço também é referencial de mercado em Capivari do Sul, no Litoral Norte gaúcho, onde as variedades nobres costumam valer até R$ 3,00 acima das outras regiões gaúchas. Em uma semana a cotação do saco de 50 quilos do Irga 417 com 60% de inteiros caiu de R$ 24,00 para R$ 21,50.

MERCADO

Alguns dos principais analistas de mercado têm posições divergentes sobre os fatores que estão incidindo nesta nova queda nos preços e para esta estagnação do mercado de arroz.

O diretor de Mercados da Federarroz, Marco Aurélio Marques Tavares, explica que a queda nos preços e a estagnação do mercado não se explica se forem analisadas as planilhas que indicam o estoque de passagem, volumes de consumo e comercialização. Segundo ele, nem o ingresso de um volume de quase 100 mil toneladas no mercado brasileiro de arroz do Mercosul em dezembro, contra 55 mil toneladas em novembro, justifica este cenário.

– Há algo estranho no mercado. Se olharmos com atenção os números da Conab e planilhas de empresas e consultorias do setor, vamos chegar à conclusão de que o arroz deveria estar valendo pelo menos R$ 22,00 a R$ 23,00 – frisa.

O consultor da SAFRAS & Mercado, Tiago Sarmento Barata, também considera que o mercado está abaixo do padrão esperado. Mas considera que está ocorrendo um efeito cascata a partir do varejo, que se estocou em novembro esperando uma alta de preços que não houve. Segundo ele, agora o varejo deverá desovar o excedente, voltando às compras em fevereiro. Esta semana foi informação corrente no mercado de arroz que pelo menos uma grande indústria estaria com seu centro de distribuição em São Paulo esgotado. A empresa estaria procurando um novo armazém para local na região metropolitana de São Paulo e também em Porto Alegre.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está realizando uma vistoria nos estoques públicos de arroz, principalmente no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul. Esta é uma ação de rotina, mas que também serve para tranqüilizar o mercado contra o risco de alguma eventual irregularidade ou uso indevido dos estoques.

MATO GROSSO

O Estado do Mato Grosso já está colhendo arroz há mais de duas semanas, mas ainda em volume muito pequeno. Surpreende a qualidade superior do arroz Primavera colhido em Sorriso, alcançando até 56% de grãos inteiros. A comercialização, no entanto, segue praticamente parada. Na região metropolitana de Cuiabá, apenas uma indústria segue comprando em volumes maiores. Muitas estão fora de mercado ou esperando os preços baixarem um pouco mais com a aceleração do movimento de safra. Uma “estiagem” de duas semanas já preocupa em algumas lavouras do Nortão do Mato Grosso. É grande a oferta de produto de baixa qualidade e da safra “velha” na região, principalmente para limpeza de armazém e abrir espaço para a safra nova. Um dos maiores problemas do Mato Grosso é a baixa capacidade de armazenagem.

O corretor Jorge Fagundes, da Futura Cereais, de Cuiabá (MT) considera que muitos produtores deverão segurar o Primavera de melhor qualidade para vender no segundo semestre de 2006. Na sua opinião, o primeiro semestre será marcado pelo produtor mato-grossense ofertando o arroz de mais baixa qualidade. A tendência é de negociar no primeiro semestre a soja. Só depois o arroz, invertendo uma postura de mercado do início da década.

– É forte o comentário de recuperação do mercado para o segundo semestre e muita gente deverá optar por segurar o arroz de maior qualidade neste primeiro semestre – frisa.

O arroz Cirad 141 em casca é comercializado a R$ 16,00 (posto em Cuiabá), com apenas uma empresa comprando. O Primavera de alta qualidade, em torno de 55% de inteiros é cotado a R$ 22,00 posto em Cuiabá.

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