Mercado do arroz aquecido no Brasil
Principais estados produtores abriram a semana com forte demanda e preços em alta no produto em casca e beneficiado. Derivados apresentam queda significativa no Rio Grande do Sul e Santa Catarina já está zerando o estoque. No Mato Grosso, preços em reação.
O mercado do arroz em casca e beneficiado manteve sua trajetória ascendente na abertura de mercado desta semana nos três principais estados produtores. Nas principais praças de Santa Catarina, segundo dados do Instituto Cepa, há pequena quantidade de grão e existe uma estimativa de que estes estoques devam zerar entre meados de dezembro e janeiro.
Os preços atuais do produto em casca subiram um pouco na região Sul catarinense, para R$ 18,00 (50kg). No Vale do Itajaí e na região de Jaraguá do Sul e Massaranduba permanecem em R$ 17,00, mas com indicativo de ligeira alta esta semana.
MATO GROSSO
No Mato Grosso, os produtores do Nortão (Sinop e arredores) passaram a aceitar as compras da Conab em AGFs para o arroz Cirad, na faixa de R$ 12,00. Assim, o produto com 50% de inteiros começou a chegar em Cuiabá por R$ 14,50 a R$ 15,50.
Além do arroz em casca obter uma valorização de R$ 1,00 a R$ 2,00 por saco de 60 quilos caso do Cirad com 50% de inteiros o início da temporada de fortes chuvas no Mato Grosso começa a interferir nos custos do transporte. O frete mostra indicativos de alta e o carregamento dos caminhões nos armazéns do interior e transporte até Cuiabá tornam-se mais demorados.
Esta reação nos preços fez surgir no mercado um volume interessante de arroz de melhor qualidade que estava estocado na mão de produtores. Parte principalmente de Cirad – serviria para semente na próxima safra, mas não foi plantada. Também surgiu no mercado arroz primavera de 52/53% de inteiros, cotado a R$ 22,00 posto em Cuiabá. O Cirad de 50% de inteiros é cotado a R$ 20,50, valor R$ 1,00 superior ao que era comercializado na semana passada.
RIO GRANDE DO SUL
No Rio Grande do Sul o momento também é de recuperação de preços. Em Cachoeira do Sul, Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel e Santa Maria o arroz de 58% de grãos inteiros (50kg) é cotado a R$ 19,50 (valor bruto para pagamento em 7 dias). Em Itaqui é mantido o preço de R$ 19,35 líquido ao produtor pagamento à vista e até R$ 21,35 no caso do arroz de variedades nobres com 58 a 59% de inteiros. Em São Borja este produto chega a R$ 21,50. Em Uruguaiana há uma queda de braço. A indústria oferece R$ 19,75 pelo arroz com 58% de inteiros e os produtores querem R$ 20,50 (CIF). Os poucos negócios ocorridos esta semana no município, que comporta o maior estoque de arroz do Rio Grande do Sul, foram fechados acima de R$ 20,50.
O arroz fraco, para parboilizado também está valorizado. A indústria de Pelotas está oferecendo R$ 19,00 (CIF) pelo produto nas praças de Bagé e Dom Pedrito.
QUALIDADE
Em Capivari do Sul, no Litoral Norte gaúcho, grandes empresas paulistas entraram no mercado comprando arroz de variedades nobres e 63% de inteiros, por R$ 26,00 nesta terça-feira. Esta notícia movimentou o mercado, pois o valor era pago até semana passada por produto na faixa de 65% de inteiros. Fontes na região informam que a redução nos estoques do arroz de maior qualidade está forçando os compradores a aumentar as cotações.
Existe pouco arroz de qualidade superior no mercado gaúcho e alguns consultores começam a sugerir que este produto diferenciado não atenderá integralmente a demanda até fevereiro, quando começará a nova safra. R$ 24,00 a R$ 25,00 por arroz de 60% de inteiros na região são considerados preços comuns. E agentes de mercado esperam nova alta nesta quinta-feira.
IMPORTAÇÕES
A recuperação parcial dos preços do arroz no mercado brasileiro favorece o produtor, mas poderá também ter mais um efeito: o aumento da importação de arroz dos países do Mercosul. Os patamares de preços atuais já começam a mostrar a competitividade uruguaia, principalmente. Depois de duas semanas de muitas consultas, alguns negócios foram fechados e é grande a expectativa da indústria brasileira pelo fim da greve dos fiscais agropecuários. Fontes da fronteira de Jaguarão informam que há comentários fortíssimos de que somente uma indústria brasileira teria 350 mil sacos de arroz (entre esbramado, casca e beneficiado) esperando o final da greve para entrar no país.
BENEFICIADO
O arroz beneficiado passou a refletir mais fortemente o aquecimento do mercado do arroz em casca. Algumas das principais indústrias gaúchas estão negociando o fardo de 30 quilos, do tipo 1, entre R$ 25,10 e R$ 27,50 (FOB), dependendo da marca. Os supermercadistas e corretores do Centro do país estão resistindo aos preços maiores, mas começam a aceitar paulatinamente os repasses. Há 40 dias o mesmo fardo variava entre R$ 22,00 e R$ 22,80 no Rio Grande do Sul. Pelos preços praticados nesta terça-feira, o arroz gaúcho chegaria a São Paulo com preço final de R$ 29,00 a R$ 31,50 e entre R$ 30,00 e R$ 33,00 em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
No caso do arroz do Mato Grosso, o fardo de 30 quilos do arroz Cirad está sendo cotado a R$ 20,00 (FOB Cuiabá) e a R$ 29,00 (FOB) o Primavera. Este produto chega a São Paulo por R$ 24,00 a R$ 33,00, respectivamente.
O saco de arroz beneficiado (sem marca) de 60 quilos manteve o patamar de negócios da última semana. O produto é comercializado entre R$ 38,00 e R$ 42,00 no Rio Grande do Sul (FOB). Chegaria a São Paulo com preços entre R$ 53,00 e R$ 57,00. O Cirad do Mato Grosso chegou aos R$ 38,00 e o Primavera já ultrapassou a barreira dos R$ 50,00 (CIF SP).
DERIVADOS
Os derivados de arroz no Rio Grande do Sul apresentaram forte queda de preços nos últimos 15 dias. O canjicão vinha mantendo cotação média de R$ 24,00 há mais de seis meses e a quirera R$ 20,00 graças às exportações gaúchas. Nos últimos dias a quirera caiu para R$ 19,00 e o canjicão para preocupantes R$ 20,50. Segundo agentes de mercado, três são as razões principais. Aumentou o volume de beneficiamento de matéria prima inferior final de estoque gerando mais derivados; a greve dos fiscais agropecuários travou o ingresso de produto no porto de Rio Grande para a exportação e represou o mercado; e a procura por empresas exportadoras e mesmo beneficiadoras de farinhas e similares reduziu.
RAZÕES
Segundo consultores e agentes de mercado, um conjunto de fatores está favorecendo esta reação nos preços do arroz em todo o Brasil. O volume maior de AGFs, o fato da safra já estar com mais de dois terços plantada e ter reduzido a busca por crédito e a oferta no mercado, o bloqueio das importações pela greve dos fiscais agropecuários, a redução do estoque de arroz de melhor qualidade e a busca de muitas empresas em se estocar para a virada do mês, principalmente pela chegada da primeira parcela do 13º salário, são fatores que estão interferindo neste aquecimento.
O técnico em planejamento da Conab, Paulo Morceli, afirma que a companhia está chegando ao volume de 900 mil toneladas de AGFs para os estoques públicos. Segundo ele, a companhia trabalha com uma projeção de curva ascendente nos preços do arroz até a entrada da nova safra.
– Estamos chegando ao pico de entressafra com o Governo Federal formando um estoque de quase 1 milhão de toneladas, a demanda por arroz de melhor qualidade é maior do que a oferta e os produtores já não precisam desesperadamente vender o produto para formar a nova safra. Estes são fatores importantes que estão interferindo no mercado frisou.
TENDÊNCIA
Consultores e agentes de mercado são unânimes em acreditar que ainda esta semana o arroz deve manter a tendência de evolução de preços. No Rio Grande do Sul estima-se valorização entre R$ 0,50 para o produto padrão e até R$ 1,00 para variedades nobres.


