Mercado do arroz cai mais ainda
O mercado de arroz teve uma semana de forte queda nas principais praças do país. Negócios praticamente em suspenso no país
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Foi acentuada a queda dos preços do arroz em casca nos principais mercados brasileiros nesta semana. Embora os preços se mantenham praticamente nominais, sem um referencial mais claro, a semana apresentou uma retração muito forte da indústria e do varejo. Nem o anúncio de RS 700 milhões para custeio da comercialização, na forma de Aquisições e Empréstimos do Governo Federal (AGFs e EGFs), feito esta semana pelo ministro da Agricultura, sinalizou com alguma mudança no cenário.
A maioria das praças gaúchas, como Cachoeira do Sul, Rosário do Sul, Dom Pedrito, Alegrete, Restinga Seca e Tapes, pratica preços entre R$ 20,00 e R$ 21,00, com forte tendência ao menor valor. Pelotas, Camaquã, Itaqui e Uruguaiana praticam preços mais próximos dos R$ 21,00 para o arroz entregue na indústria. Variedades nobres com maior percentual de inteiros alcança até R$ 22,00 na Fronteira-Oeste e R$ 25,00 no Litoral Norte (neste caso, com 63% de inteiros). Apesar da queda, há produtores que ainda ofertam o produto, com medo dos preços caírem ainda mais até a safra. Muitos estão precisando de dinheiro para quitar negociação direta com fornecedores de insumos.
O arroz fraco para parboilização, está sendo comercializado por até o mesmo preço do produto para branco, na faixa de R$ 20,50 a R$ 21,00 em Pelotas. Mas, só pelas pequenas indústrias.
OUTRAS REGIÕES
Os preços caíram também em outras regiões. O início da safra no Mato Grosso afetou as cotações e os preços chegaram a cair R$ 3,00 em algumas praças pelo saco de 60 quilos, de R$ 27,00 a R$ 24,00. Em Santa Catarina os preços estabilizaram na casa dos R$ 22,00 na região Sul. Mas, devem acompanhar os preços médios do Rio Grande do Sul.
O indicador dos preços de arroz do Cepea/Esalq, aponta preço médio de R$ 20,70 para o produto com 58% de inteiros (50kg) nesta quinta-feira, no Rio Grande do Sul. A queda, desde segunda-feira chegou a 3,5%. Este preço considera o produto colocado dentro da indústria.
INDÚSTRIA
A indústria se manteve praticamente fora de mercado. A queda nos preços deve esfriar um pouco as importações do Mercosul, que chegaram próximas de 120 mil toneladas nos dois últimos meses. Uruguaios e argentinos ainda tentam forçar negócios, mas os preços não são mais tão atraentes quanto em novembro e dezembro. Na paridade do arroz (50kg/casca) o produto argentino ficaria em R$ 20,50 (Fob/Uruguaiana) e o Uruguaio em R$ 20,80 (Fob/Jaguarão). Ainda assim, espera-se um volume significativo de importação de arroz. A sentada para trás da indústria está diretamente ligada ao fato desta estar abastecida e ter certeza que os produtores vão ofertar bastante e a preços muito baixos na safra.
Muitos produtores comprometeram suas lavouras com financiamento direto de algumas das grandes indústrias gaúchas. Em alguns municípios como São Borja, Itaqui, São Gabriel, entre outros, o financiamento da indústria ao produtor chega a ser maior do que o do Banco do Brasil. Todavia, a expectativa dos agentes de mercado e mesmo dos produtores é de que os preços ganhem elevação expressiva a partir do final do primeiro semestre de 2007.
A certeza da indústria não só está baseada no financiamento de um percentual significativo de produtores, muitos deles sem acesso ao crédito oficial, mas também no alto grau de endividamento da lavoura orizícola (estima-se que terá que pagar o equivalente a dois custeios em 2007), disponibilidade de oferta do Mercosul a preços convidativos se acontecer uma alta expressiva no mercado interno. Alguns setores também apostam que o consumo brasileiro está superdimensionado pela Conab, em 13 milhões de toneladas/ano. Fontes ligadas à indústria estimam que os estoques em mãos da indústria e dos produtores pode ser até o dobro do que vem sendo indicado.
– Se o estoque fosse mesmo este que está sendo mostrado nos quadros, os preços não seriam os atuais. A indústria estaria comprando todo o possível para garantir abastecimento afirmou um importante agente de mercado ouvido ontem pelo colunista.
Os números da Conab, no entanto, são muito próximos dos indicadores de outras agências e empresas especializadas no tema.
A indústria gaúcha e a catarinense estão negociando o fardo de arroz de 30 quilos, em média, a R$ 31,00. Marcas de combate ficam em até R$ 28,50 (final São Paulo) e marcas top chegam a R$ 43,00. Negociação dentro do RS com arroz beneficiado ensacado em 60 quilos atinge preço médio de R$ 45,00.
Os derivados seguem com cotações estabilizadas. O canjicão é cotado a R$ 27,00 (60 quilos) e a canjiquinha a R$ 20,00 (60kg).
VAREJO
No varejo, as férias de verão estão interferindo negativamente. Além de investir na importação (64% do arroz importado este ano pelo Brasil é beneficiado), os supermercados estão trabalhando com ofertas a preços inferiores a R$ 1,20 o quilo. O saco de arroz de 5 quilos, tipo 1, de uma marca média, é encontrado nos supermercados paulistas por R$ 6,20 a R$ 6,50. Chega a R$ 8,50 dependendo da marca. Algumas marcas de combate, já entram em oferta de até R$ 5,89. Os varejistas continuam defendendo a sua significativa margem de lucro. E só compram em condições muito favoráveis.
TENDÊNCIA
A tendência para a próxima semana, infelizmente, é de preços ainda mais baixos. Indústrias de Pelotas e da Fronteira gaúcha anunciaram que irão abrir preços na próxima terça-feira entre R$ 0,50 a R$ 1,00 menores para o saco de arroz de 50 quilos. Os analistas estão divididos, mas a maior parte aposta em preços fracos, talvez pouco acima dos referenciais do ano passado, no início da safra.


