Mercado em baixa no Sul e no MT
Preço do arroz em casca chega a cair R$ 1,00 por saco no Rio Grande do Sul esta semana. Beneficiado segue forçando para baixo. Vencimento do custeio interferiu no mercado. Até os derivados perderam preço.
O mercado de arroz no Rio Grande do Sul sofreu mais um duro golpe na semana que encerrou. Os preços ao produtor chegaram a recuar R$ 1,00 por saco de 50 quilos (58% de inteiros) em algumas regiões gaúchas. Na região da Campanha Dom Pedrito e Bagé a cotação do arroz em casca com este padrão recuou para R$ 18,50/R$ 18,70 depois de beirar R$ 20,00 há 10 dias. Em Cachoeira do Sul, o mercado abre nesta segunda-feira cotando o arroz em casca a R$ 19,00, depois de 15 dias onde as cotações estavam firmes na faixa de R$ 20,00.
O vencimento da primeira parcela do custeio da safra, entre os dias 15 e 20 deste mês, bem como o resultado paliativo dos leilões de contratos de opção medida bastante tardia do governo federal e que está sinalizando com R$ 21,00 de preço final ao agricultor em setembro/outubro – fez os preços do produto recuarem.
O fraco movimento do beneficiado no Brasil Central está também forçando a baixa. A maior parte das indústrias que estavam forçando as tabelas de beneficiado sobre R$ 20,00/R$ 21,00 para o casca, tiveram que negociar caso a caso com seus clientes e acenam com a reedição de novas tabelas de preços, até R$ 2,00 a menos, para a próxima semana. A queda de mercado foi sentida em todos os produtos casca, beneficiado e derivados.
Santa Catarina
Em Santa Catarina o mercado estabilizou em baixa pagando R$ 19,00 para o arroz em casca no Sul catarinense (Araranguá e Criciúma) e R$ 18,00 em Itajaí e Joinville. O movimento da semana foi considerado bastante fraco. Ainda assim, dados do Governo do Estado indicam que Santa Catarina deverá repetir a área de 155 mil hectares plantados para a próxima safra.
Mato Grosso
A semana foi muito fraca para o mercado de arroz em casca no Mato Grosso. Mesmo com a prorrogação de custeio, os produtores passaram a ofertar maciçamente o arroz Cirad 141 e mesmo o Primavera de menor qualidade 35% a 40% de inteiros. Como a indústria de parboilizado começou a comprar Cirad e a oferta é muito superior à demanda, os valores baixaram muito. Em Feliz Natal (MT) há negócios na faixa de R$ 8,50 (Fob) para arroz Cirad com até 50% de inteiros. O Cirad chega a Cuiabá com preços médios variando de R$ 13,00 a R$ 14,00, dependendo da origem e da qualidade.
O arroz Primavera com mais de 50% de inteiros manteve o patamar de R$ 20,50. Todavia, há negócios com Primavera de até 57% de inteiros na faixa de R$ 21,00. Jorge Fagundes, da Corretora Futura Cereais, de Cuiabá, revela que existem negócios sendo fechados com arroz de até três safras passadas apenas para abrir espaço nos armazéns ou para girar alguma renda e viabilizar novas lavouras.
BENEFICIADO
O arroz beneficiado perdeu fôlego também esta semana. As indústrias que vinham forçando uma tabela com valores mais altos R$ 31,50 a R$ 32,00 final em São Paulo passaram a negociar caso a caso. A maior parte está recuando e abrindo segunda-feira na faixa dos R$ 30,50 CIF SP. O mercado esteve emperrado toda a semana, com poucos negócios mais expressivos e os supermercadistas forçando baixa de olho nas promoções. Em São Paulo já se encontra o pacote de arroz de 5 quilos a R$ 4,49 nas ofertas de final de semana.
Em Santa Catarina os preços do fardo de arroz 30 quilos também tiveram um ligeiro declínio, chegando a R$ 31,10. O arroz beneficiado do Mato Grosso vive situação similar, mas está encontrando ainda boa aceitação e preços mais estáveis no mercado nordestino. O saco de 60 quilos de arroz beneficiado é cotado a R$ 39,50 para venda interna no Rio Grande do Sul (FOB). O produto chega a São Paulo com preço final de R$ 52,00. O Primavera baixou um pouco e é negociado por R$ 50,00 em média.
DERIVADOS
A semana baixista afetou até mesmo os derivados que vinham mantendo preços remuneradores no Rio Grande do Sul. A quirera é negociada a R$ 20,50 em média (saco) e o canjicão (quebrado) a R$ 23,50 (60kg). Ainda há corretores oferecendo 185 dólares pelo produto posto no Porto de Rio Grande quando é preciso fechar carga para exportação. Os grandes volumes exigidos, no entanto, excluem boa parte das indústrias gaúchas.


