Mercado em compasso de espera

Na Fronteira do Rio Grande do Sul algumas indústrias resolveram remunerar melhor arroz de melhor qualidade e de determinadas variedades. No Mato Grosso, produtores seguem preocupados com a classificação do Cirad e ofertando pouco.

O mercado do arroz abriu a semana com pouca movimentação no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tão frio quanto a temperatura que caiu bastante com a chegada de uma massa de ar polar. Os arrozeiros mantiveram-se em compasso de espera, aguardando um anúncio de R$ 25,00 pelo saco de arroz em casca com 50 quilos e 58% de grãos inteiros. Os preços se mantiveram estanques, exceto na zona de fronteira, onde algumas indústrias resolveram valorizar um pouco mais o arroz de melhor qualidade.

Em São Borja e Itaqui algumas indústrias estão oferecendo entre R$ 22,00 e R$ 23,00 para arroz com mais de 60% de inteiros, mas a oferta só vale para as variedades Irga 409 e Irga 417, consideradas superiores em qualidade. As demais obtêm em média R$ 21,00. O arroz com 58% de inteiros das outras variedades emparelha preços com outras regiões, na faixa de R$ 20,00 a R$ 21,50.

O presidente da Associação de Arrozeiros de Itaqui, Manoel Vargas, explica que trata-se de um caso muito pontual:

– Esta valorização por arroz de qualidade superior reflete um momento do mercado, pois a indústria encontrou um bom nicho de mercado para as marcas superiores e consegue repassar alguma coisa para os produtores. Em contrapartida, os produtores de Itaqui praticamente não estão vendendo, o que força a indústria a melhorar a proposta – frisou Vargas.

A direção da Camil S/A, convocou as lideranças dos arrozeiros na região da Fronteira-Oeste, há poucos dias, para buscar abrir um canal de negociação e garantir a compra do produto. Não houve acordo nos preços e condições de pagamento, mas as tratativas devem ser retomadas depois que o Governo Federal sinalizar com valores finais para os leilões dos contratos públicos de opção, que serão o referencial do mercado.

Enquanto esperam, os produtores de Itaqui voltaram a bloquear a passagem de caminhões de arroz do Mercosul, fechando o acesso à balsa que faz a travessia na fronteira.

No Mato Grosso, a semana também começou com poucos negócios. Jorge Fagundes, corretora da Futura Cereais, de Cuiabá, explica que até existem alguns cerealistas precisando recompor o estoque de arroz Primavera. O problema é que ninguém está ofertando mais do que R$ 21,00 pelo saco de 60 quilos de arroz desta variedade acima de 50% de inteiros. O valor considera o arroz colocado em Cuiabá, o que acaba num preço de R$ 18,50 a R$ 19,00 FOB Sinop ou Sorriso.

Ontem à noite, cerca de 200 produtores participaram de um evento em Sinop e decidiram procurar mecanismos legais para forçar um reconhecimento do arroz Cirad 141 como longo fino. Enquanto isso, o preço máximo que o produto com 50% de inteiros consegue em Cuiabá é R$ 15,00, incluindo aí R$ 2,70 a R$ 13,00 de frete. Portanto, o preço final ao produtor, em Sinop, anda na casa de R$ 12,00 a R$ 12,50, no máximo.

Existe bastante procura pelo arroz Primavera com 40% a 45% de inteiros para parboilização, mas como a oferta é de preços em torno de R$ 15,00 a R$ 16,00 por este produto, os cerealistas não encontram produtores interessados em vender.

BENEFICIADO

A primeira semana do mês está repetindo uma característica de poucos negócios da virada do mês. O Mato Grosso segue com bons negócios praticados com o Nordeste, principalmente de arroz Tipo 2. Consta que nova movimentação de importação de arroz beneficiado do Mercosul para São Paulo também contribuiu no sentido de esfriar o mercado. O fardo de 30 quilos de arroz do Mato Grosso chega a São Paulo entre R$ 25,00 e R$ 29,00 (Tipo 1) e o gaúcho, entre R$ 27,50 e R$ 33,00, dependendo da marca.

O arroz beneficiado ensacado (60Kg) é mantido a muito custo na faixa de R$ 40,00 e R$ 41,00 FOB Rio Grande do Sul. Os negócios praticamente inexistem neste momento. Canjicão mantém cotação de R$ 24,00 por saco de 60 quilos e a quirera é comercializada entre R$ 21,00 e R$ 22,00 (FOB) no Rio Grande do Sul.

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