Mercado em queda no Sul e no MT
O mercado do arroz em casca caiu esta semana no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso, resultado da oferta dos produtores e da paradeira em São Paulo.
Atacadistas e supermercados abastecidos, sem grande procura na indústria e produtores ofertando. Esta combinação de fatores, aliada ao início da colheita de arroz no Mato Grosso e indícios de que algumas regiões do Rio Grande do Sul já devem colher pequenos volumes a partir da primeira semana de fevereiro, pressionaram os preços do arroz em casca esta semana principalmente a partir desta quinta-feira nos mercados gaúcho e mato-grossense. No Rio Grande do Sul, negócios confirmados a R$ 21,50 pelo saco de 50 quilos de arroz em casca com 58% de grãos inteiros, há 15 dias, caíram para uma cotação média de R$ 20,00 esta semana. Ainda assim, há pressão de oferta por parte dos produtores e muitas indústrias saíram do mercado desde a última terça-feira.
Na Fronteira-Oeste e na Campanha do Rio Grande do Sul a maior parte das indústrias está fora de mercado. Em Pelotas também. A média de preços na região fica em R$ 20,00 (fob/bruto). Todavia, há confirmação de que muitas indústrias abrirão o mercado na próxima semana ajustando preços para R$ 19,50. Na região de Santa Maria já existem negócios a R$ 19,00 (livre/fob). O mercado parou também para beneficiado. O que está garantindo alguma movimentação no Rio Grande do Sul é a compra de arroz em casca em volumes importantes para parboilização em Santa Catarina. Arroz entre 43% e 45% de inteiros é vendido entre R$ 19,50 e R$ 20,50 (livre) na Fronteira-Oeste para as indústrias catarinas. No mercado interno, indústrias de Camaquã pagaram R$ 20,50 (cif) no início da semana para produto com destino à parboilização. Na quinta-feira já estavam pagando entre R$ 19,50 e R$ 20,00, enquanto a maior parte das empresas se retirava do mercado.
Mesmo as chamadas variedades nobres registraram queda nas cotações esta semana, em média R$ 0,50 por saco. Negócio confirmado, na faixa de 10 mil sacos, por R$ 23,00 a R$ 23,50 (60% de inteiros) nesta quarta-feira na Fronteira-Oeste. Em Itaqui a cotação do arroz BR Irga 409 e Irga 417 fica em R$ 21,15 (55/56%), R$ 21,65 (57/58%) e R$ 22,15 (59/60%). Em São Borja estas variedades são cotadas a R$ 21,00 (58%) e R$ 22,00 (60%). No Litoral Norte o produto com 63% (raro de ser obtido neste momento) é cotado acima de R$ 23,00.
FATORES
Os principais fatores que estão provocando a tendência de baixa no mercado são três: os produtores, alguns com dívidas por vencer e outros por falta de capacidade de armazenar a nova safra, passaram a ofertar o mercado com seus estoques, a indústria e os atacadistas demonstraram estar abastecidos e realizam operações em volumes insignificantes, e a proximidade do início das safras gaúcha e, principalmente, catarinense que devem colocar no mercado 7 milhões de toneladas de arroz. A relação de mercado no Rio Grande do Sul, a partir da virada do ano, tornou-se cada vez mais temporal. A cada dia que passa a safra nova está mais perto e o produtor se vê pressionado por precisar de espaço para armazenagem e o risco de vender o arroz a preços muito baixos com a entrada do cereal novo no mercado. Um exemplo disso é que há 15 dias os produtores de Uruguaiana e arredores estavam forçando a venda do arroz a R$ 21,00 o saco de 50kg (56%). Hoje, tentam vender a R$ 20,00 e a indústria rejeita.
MATO GROSSO
A paradeira do mercado também pegou o Mato Grosso. A semana foi fraca para os negócios e o arroz Cirad perdeu até R$ 2,00 por saco de 60 quilos (50% acima) nos últimos 15 dias. De uma cotação excepcional de R$ 18,00 posto em Cuiabá, caiu para, no máximo, R$ 16,00 esta semana. E com tendência de queda. O arroz Primavera, da nova safra, começou a entrar no mercado. Na grande Cuiabá, porém, apenas uma empresa está comprando o produto. E paga até R$ 21,00 (cif) para arroz com 55% a 56% da safra antiga ou da safra nova. Estes, porém, são casos especiais. Tem crescido a oferta de arroz Cirad e Primavera de baixa qualidade (picado, ardido, etc…) porque o produto armazenado precisa ser retirado dos armazéns para a nova safra. O déficit de armazenagem é um dos grandes problemas da região.
A estagnação do mercado também indica que muitos produtores vão optar por colher e comercializar primeiro parte da produção de soja, aguardando preços para o segundo semestre. O corretor Jorge Fagundes, da Futura Cereais, acredita que isso pode se constituir num erro estratégico, tal qual aconteceu em 2005.
Muitos produtores deixaram de vender no início da safra por um valor bastante atraente e com certa rentabilidade esperando o preço do segundo semestre e acabaram tendo prejuízos ou empatando . No caso do Cirad foi ainda mais grave lembra.
BENEFICIADO
O arroz beneficiado refletiu a estagnação do mercado e voltou a cair. Para fazer caixa e algum giro, muitas indústrias precisaram rever para baixo suas tabelas esta semana. A média do fardo de 30 quilos do arroz beneficiado gaúcho, do tipo 1, posto em São Paulo, está em R$ 30,00. As marcas mais vendidas ficam entre R$ 28,00 e R$ 32,00 (final). O Cirad chega a São Paulo a R$ 26,00 e o Primavera emparelhou com o gaúcho na faixa de R$ 28,00 a R$ 30,00.
Para o saco de 60 quilos de arroz gaúcho beneficiado o preço final em São Paulo fica entre R$ 55,00 e R$ 58,00 (dependendo da variedade e padrão). O Primavera beneficiado em sacos de 60 quilos fica abaixo, entre R$ 50,00 e R$ 54,00 (mas com pequena presença por falta de produto) e o Cirad, também pouco negociado, varia entre R$ 38,00 e R$ 40,00.
DERIVADOS
Mesmo com mais três navios de quebrados confirmados para exportação até fevereiro (um deles em Paranaguá (PR), os derivados de arroz seguem perdendo preço. Canjicão e quirera estão sendo negociados no mesmo patamar, entre R$ 17,00 e R$ 18,00. Em algumas regiões gaúchas a cotação do canjicão chegou a ficar em R$ 17,00, R$ 1,00 abaixo da quirera negociada a R$ 18,00. O grande volume de matéria prima disponível e a baixa do preço dos quebrados no mercado internacional, interferiram nos preços internos. Mesmo com demanda de exportação.
TENDÊNCIAS
O mercado fatalmente abrirá com tendência de baixa na próxima semana no Rio Grande do Sul. As empresas que estão fora de mercado já estão indicando mudanças, para menor, nos preços de tabela. Há alguma esperança para as variedades nobres, que podem se sustentar até a safra com preços convidativos, pois é baixo o estoque disponível. A partir da safra, no entanto, poderá haver abundância do produto, já que estas variedades foram as mais plantadas no Litoral Norte, na Fronteira Oeste e grande parte da Depressão Central. Preocupam também os preços de paridade do beneficiado com o Mercosul, que já estão entre R$ 28,00 e R$ 29,00, posto em São Paulo, até abaixo do que muitas marcas nacionais.


