Mercado esfria no Sul e aquece no Mato Grosso
Volume de negócios caiu esta semana no Rio Grande do Sul com a reabertura das fronteiras ao final da greve dos fiscais agropecuários e da Receita Federal e a redução da oferta por parte dos produtores. Só o parboilizado manteve aquecimento no mercado. No Mato Grosso, o arroz da Variedade Cirad chegou a subir R$ 4,00 o saco de 60 quilos na semana.
O mercado do arroz em casca no Rio Grande do Sul esfriou esta semana, depois de três semanas em alta e manteve os patamares de preços da semana passada. No Litoral Norte, onde já era comum falar em arroz de 63% de inteiros variedades nobres na faixa de R$ 27,00, a cotação média ficou em R$ 25,00 esta semana. Um corretor local informa que apesar de muita pressão de mercado para o preço do arroz chegar aos R$ 27,00, os negócios em volumes significativos na região não passaram de R$ 25,00 a R$ 26,00. O produtor falou muito em R$ 27,00 para forçar uma alta mais significativa. Arroz com menor percentual de inteiros e de outras variedades mantém preços na faixa de R$ 20,00 (Irga 422CL) a R$ 23,00 417 com 60% – no Litoral Norte.
Na Fronteira-Oeste gaúcha, as cotações das variedades nobres seguem elevadas. Em São Borja arroz com 60% de inteiros, acima, foi cotado em até R$ 25,50. Em Itaqui, o saco com 50 quilos e 58% de grãos inteiros do Irga 417 e do BR Irga 409 é cotado a R$ 23,00. O produto padrão fica entre R$ 20,00 e R$ 21,00. Em Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel e Dom Pedrito, o arroz é cotado a R$ 20,00 (50kg/58%). Em Bagé são reportados negócios por até R$ 21,50, preço firme também para o pequeno volume de negócios de arroz em casca esta semana em Uruguaiana. Neste município, os arrozeiros reduziram a oferta para esperar R$ 22,00.
A Depressão Central gaúcha e a Zona Sul estão mantendo preços em patamares próximos de R$ 20,00. Algumas empresas mantêm tabelas na faixa de R$ 19,50, mas são meramente sinalizadoras. Os negócios que acontecem consolidam valores acima do preço mínimo.
PARBOILIZADO
O anúncio pelo Instituto Cepa de que os estoques de arroz de Santa Catarina estão terminando em dezembro e a presença constante da indústria de parboilização de São Paulo e demais estados do Sudeste e do Centro-Oeste brasileiros, geraram uma situação inusitada no Rio Grande do Sul. Em algumas regiões o arroz para parboilização está com cotação superior ao produto com 58% de inteiros. Na Fronteira Oeste está confirmada a venda de um volume importante de produto com 52% de inteiros por R$ 21,50 para pagamento em cinco dias.
Na média, a indústria da Zona Sul está pagando entre R$ 20,50 (CIF Camaquã), mas há confirmação de negócios a R$ 21,00 (FOB Bagé). O fato do Rio Grande do Sul ter colhido uma safra com média relativamente baixa de grãos inteiros 54% a 55%, fez com que o parboilizado competisse diretamente com o branco. Esta concorrência, a exportação de aproximadamente 30 mil toneladas e a demanda por produto por parte de outros estados está mantendo aquecido o mercado do Rio Grande do Sul.
MATO GROSSO
A comercialização de arroz em casca no Mato Grosso aqueceu bastante esta semana. A indústria foi a campo em busca de arroz Cirad. A redução da oferta e a ofensiva da indústria para garantir estoques para parboilização no pico da entressafra janeiro e fevereiro e também para a mistura com o arroz Primavera e o Colosso, geraram uma alta de até R$ 4,00 pelo saco de arroz de 60 quilos da variedade Cirad 55% de inteiros. O produto foi cotado a R$ 18,00 (CIF Cuiabá) esta semana, quando há 10 dias valia R$ R$ 13,50 a R$ 14,00. O arroz primavera manteve as cotações de R$ 20,00 a R$ 20,50 (CIF Cuiabá).
Jorge Fagundes, corretor da Futura Cereais (Cuiabá/MT), considera que este fenômeno de compra tem interferência do aquecimento dos preços no Sul, da previsão de falta de arroz Cirad no mercado no próximo ano muito usado na parboilização no Centro-Oeste e a necessidade de formação de estoques para garantir o abastecimento para a entressafra seja parboilizado ou branco, na mistura com outras variedades. A falta de arroz em outros estados brasileiros começa a concentrar a busca pelos estoques gaúchos e mato-grossenses.
BENEFICIADO
O arroz beneficiado puxou a tendência de desaquecimento do mercado esta semana. As novas tabelas praticadas pelas indústrias entre R$ 25,70 e R$ 34,00 FOB/RS não foram bem aceitas pelo mercado que se abasteceu significativamente em novembro, principalmente no Rio Grande do Sul. O fardo do arroz gaúcho com 30 quilos, (tipo 1) é vendido a R$ 27,50 (FOB). Chega a São Paulo numa faixa entre R$ 31,50 e R$ 34,00. Há exceções para cima e para baixo, dependendo da marca e da qualidade intrínseca do produto. No Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, o valor fica entre R$ 33,00 e R$ 37,00.
A semana mostrou também uma redução importante nos negócios com arroz beneficiado em sacos de 60 quilos. Muitas indústrias reduziram a oferta deste tipo de produto para atender a demanda maior por fardos, principalmente durante o fechamento das fronteiras pela greve dos fiscais. A reabertura mostrou significativo movimento de arroz argentino e uruguaio. O saco de 60 quilos de arroz gaúcho é comercializado entre 43,00 e R$ 45,00 (FOB), chegando a São Paulo entre R$ 52,00 e R$ 57,00. O arroz Primavera, bastante escasso, fica entre R$ 51,00 e R$ 53,00. O Cirad oscila entre R$ 37,00 e R$ 39,00.
TENDÊNCIAS
O mercado gaúcho esfriou por dois motivos básicos: a abertura de fronteiras com o Mercosul, que liberou quase 2,5 milhões de sacas de arroz base casca para o mercado gaúcho e também a pressão da indústria que se retirou gerando um impacto psicológico sobre o mercado. Os produtores reduziram significativamente a oferta a espera de valorização. Agentes de mercado e consultores aguardam com ansiedade o anúncio da Conab para a projeção da próxima safra de arroz, que deverá acontecer na próxima terça-feira.
A definição dos preços na fronteira com o Mercosul paridade também é fundamental para dar uma idéia de como o mercado deverá se comportar em dezembro. As primeiras notícias, ainda extra-oficiais, indicam um pequeno reajuste no preços do produto uruguaio, já que neste país existe pouca oferta de arroz de alta qualidade para exportação e não há interesse dos produtores do Mercosul em que o mercado brasileiro volte a cair ao ponto de inviabilizar as importações, como ocorreu no segundo semestre de 2005.
O mercado também está reagindo positivamente com o fato do Natal e o Ano-Novo acontecerem nos domingos. Sem dois feriadões, o consumo tende a se manter em dezembro e o abastecimento torna-se mais fácil os transportadores não vão parar no meio da semana. Apesar da expectativa e da esfriada que o mercado deu esta semana, os principais consultores e agentes de mercado do Rio Grande do Sul apostam na estabilização do mercado nos patamares de R$ 20,00 para o arroz com 58% de inteiros e de R$ 24,00 a R$ 25,00 para as variedades nobres nas próximas semanas.


