Mercado firme e prevendo mais uma semana de alta

Preços estão fechando média de R$ 18,50 em quase todas as regiões do Rio Grande do Sul, mas muitos negócios já aconteceram acima de R$ 19,00 para o arroz em casca. O mercado do centro do país aceitou as novas tabelas da indústria e se mostra mais comprador. O mercado se convenceu que começa a faltar matéria prima, principalmente de alta qualidade no Centro-Oeste.

A semana se encerra com preços significativamente melhores para o arroz em casca no Rio Grande do Sul – estado responsável por 55% da safra brasileira – e também com a confirmação de muitos negócios para o produto beneficiado no mercado do centro do país. O mercado brasileiro está se convencendo de que começa a faltar matéria prima de alta qualidade no centro do país.

O produto gaúcho está valendo em média R$ 18,50 segundo as cotações nominais, mas a maior parte dos negócios confirmados a partir da última quinta-feira aconteceu acima do patamar de R$ 19,00 a vista. No prazo de 15 dias, negócios confirmados para o arroz padrão para tipo 1 colocado na indústria em Pelotas (RS) na faixa de R$ 19,70. Arroz ara parboilizado (48% a 50% de inteiros) foi negociado a R$ 18,00 posto na indústria de Pelotas.

Cachoeira do Sul, Rio Pardo e outros municípios da Depressão Central operaram na faixa de R$ 18,50 para o arroz com 58% de inteiros, mas com poucos negócios confirmados. Uruguaiana, Dom Pedrito, Rosário do Sul, São Gabriel e Alegrete firmaram preços nominais na faixa de R$ 18,00, mas sem negócios expressivos. A maior parte da compra de arroz ficou mesmo acima de R$ 19,00. Indústria de São Borja adquiriu arroz de variedades nobres em Alegrete na faixa de R$ 21,00 (bruto), aquecendo bastante o mercado na região.

Itaqui opera na faixa de R$ 18,50 para manter posição desde terça-feira, mas com previsão de alta para a próxima terça. São Borja, variedades nobres cotadas a R$ 20,50 e com pressão de demanda. No Litoral Norte gaúcho, o arroz com mais de 63% de inteiros é comercializado a R$ 21,50 para a indústria local e até por R$ 22,00 para indústrias goianas, mineiras e paulistas.

Em Pelotas dois negócios de maior porte a preços mais convidativos. 15 mil sacos foram comercializados na faixa de R$ 19,70 para prazo de 10/15 dias e um lote de 50 mil sacos negociado por R$ 22,00 com prazo de 35/40 dias, sinalizando que o mercado segue indicando que agentes do mercado começam a apostar em uma tendência de recuperação para o patamar do preço mínimo do governo federal.

Os produtores continuam segurando o produto com vendas muito calculadas e estratégicas. A semana foi de intensa movimentação nas corretoras e indústrias para encaminhamento de documentos para a contratação de AGFs, PROP e PEP. Agentes de mercado informam que algumas empresas negociaram médias, acertando um leilão de PEP pelo preço mínimo e a mesma quantia a preço livre de mercado com os produtores. Ou seja, pagariam R$ 22,00 para o produto do PEP e preço de mercado para o mesmo volume numa compra casada. Assim, faria uma média abaixo do mínimo e mais próxima do mercado, permitindo uma reposição de estoques dentro dos patrões de comercialização atual.

O indicador arroz Cepea/Esalq fechou nesta quinta-feira em R$ 18,79 o saco de 50 quilos em média no Rio Grande do Sul. Uma variação de 6,69% no mês e equivalendo a 8,27 dólares. O levantamento semanal do Irga indicou preço médio de R$ 18,08.

SANTA CATARINA

O mercado de arroz em Santa Catarina, segundo maior produtor do Brasil e recordista em produtividade, sentiu esta semana o reflexo do aquecimento no ambiente gaúcho. No Sul catarinense as cotações nominais já chegam a R$ 18,00 com negócios ocorrendo em patamares até superiores. No Vale do Itajaí os valores ficaram abaixo disso, na faixa dos R$ 17,00.

Nominalmente, as cotações recuperaram R$ 1,00 de preços para o produto em casca, valor repassado para as tabelas beneficiado. Na verdade, a indústria catarinense resolveu antecipar-se à tendência de alta e jogou de R$ 2,00 a R$ 3,00 de valor acima para o arroz beneficiado, comercializando o fardo de 30 quilos do tipo 1 na faixa de R$ 28,00/29,00 (Fob Criciúma). No Vale do Itajaí o fardo do mesmo padrão é cotado entre R$ 27,00 e R$ 30,00 segundo dados do Instituto Cepa. Esse produto chega a São Paulo na faixa de R$ 30,00 a R$ 33,00.

MATO GROSSO

No terceiro maior estado produtor do Brasil o mercado apresenta muita expectativa e poucos negócios. O custo do frete da zona de produção (Norte do MT) até o pólo industrial de Várzea Grande e a vantagem de preços do produto beneficiado do Sul e mesmo do Mercosul, no Sudeste, no Centro-Oeste e no Nordeste brasileiro ainda não dão condições de competitividade ao Mato Grosso. O arroz em casca em sacos de 60 quilos – 50% de inteiros acima – segue cotado entre R$ 20,50 a R$ 22,00 posto em Cuiabá (MT). O produtor recebe entre R$ 17,50 e R$ 19,00 dependendo da distância da capital, qualidade e variedade do arroz. Valor abaixo do preço mínimo previsto pela Conab em R$ 20,70/60kg.

Na semana que passou algumas indústrias até sinalizaram com negociação de fardo tipo 1 da variedade primavera na faixa de R$ 28,00 em São Paulo, mas não realizaram. Ainda tem arroz gaúcho e catarinense, de melhor qualidade, entrando nestes mercados por valores praticamente iguais ou diferença de até R$ 2,00. Também houve sinalização de colocar saco de 60 quilos, beneficiado sem marca, por R$ 50,00 no mercado paulista, mas não houve fluxo de negócios, provavelmente porque o produto sulista continua mais competitivo e demandado e pela falta de matéria prima no Centro-Oeste.

Nesta semana, o presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação do Mato Grosso (Siamt), Marco Lorga, anunciou que o setor busca a liberação dos estoques da Conab no estado por falta de matéria prima. A possibilidade foi rejeitada pela Conab.

MERCOSUL

Os agentes de mercado de todo o Brasil neste momento estão com os olhos voltados para o Mercosul. O arroz esbramado do Uruguai chega na faixa de R$ 19,30 (equivalência 50kg) na indústria em Pelotas. O arroz em casca argentino fica na faixa de R$ 19,70 em Itaqui, São Borja e Uruguaiana. Ainda estão acima do mercado brasileiro, mas já se tornando atraentes para algumas empresas pela qualidade.

A expectativa é de que, mantida a trajetória do dólar nas proximidades de R$ 2,30 já na próxima semana os preços internos encostem nos valores de paridade com o Mercosul, podendo estabilizar os preços internos no patamar de R$ 19,50/20,00. Um diferencial, porém está marcando este momento na fronteira gaúcha. Uruguaios e argentinos estão ganhando mais exportando para terceiros mercados e têm a expectativa de que o arroz brasileiro siga numa escalada de preços pelo menos até o preço mínimo de R$ 22,00 até o final de julho. Por isso estariam segurando um pouco mais o produto, ofertando muito pouco na fronteira, como forma de alcançar preços mais interessantes no mercado brasileiro.

BENEFICIADO

Os supermercados paulistas e dos demais estados do centro do país passaram a aceitar as tabelas de preços da indústria gaúcha, principalmente das empresas que mantiveram o fardo na faixa de R$ 27,00 a R$ 29,00 (Fob/RS). Este produto tem mercado firme e chega a São Paulo na casa dos R$ 30,00/R$ 32,50 e passou a ser altamente demandado.

Segundo um agente de mercado paulista, a indústria percebeu que pode ocorrer uma alta ainda maior e tenta ser mais rápida do que a elevação dos preços na aquisição do produto. O preço de tabela da indústria de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), pólo importante no abastecimento deste estado, posiciona-se em torno dos R$ 33,00 o fardo de 30 quilos do tipo 1, mas com negócios na faixa de R$ 32,00.

O arroz gaúcho beneficiado ensacado em 60 quilos (sem marca) foi negociado na faixa de R$ 55,00 a R$ 57,00 posto em São Paulo. Um real acima no Rio de Janeiro e até dois reais a mais em Minas Gerais. Houve bom fluxo de negócios, mas como o fardo andou bem e muitas empresas superaram as metas de venda da semana, preferiram trancar a comercialização do ensacado.

Apesar do aquecimento na comercialização, muitas empresas já estão convencidas de que trabalharam mal as suas tabelas. O preço do fardo foi definido em cima de R$ 18,00 a R$ 19,00 para o saco do produto em casca. E a reposição desta matéria prima se dará acima destes patamares. Por isso, há indicativos de a indústria gaúcha pode entrar na próxima semana forçando tabela em cima do casca na faixa de R$ 20,00 a R$ 21,00, ou seja, com um reajuste de R$ 1,00 a R$ 2,50.

Nas gôndolas dos supermercados os primeiros reflexos desta recuperação dos preços do arroz deverão ser sentidos a partir da próxima semana. Muitos supermercados estavam operando com tablóides (jornais de ofertas) para 10 ou 15 dias. Nesta semana já devem sumir das prateleiras as ofertas de arroz abaixo dos R$ 5,00. Este, portanto, deve ser o último final de semana de arroz a R$ 4,85 em São Paulo.

DERIVADOS

No Rio Grande do Sul a quirera para ração segue cotada entre R$ 14,00 e R$ 16,00 o saco de 60 quilos, dependendo da região e da empresa compradora. Sofre interferência direta do mercado do milho. O canjicão tem cotação nominal de R$ 20,00, mas com informações de negócios por até R$ 18,00 no mercado gaúcho para o saco de 60 quilos. O farelo segue com preço médio de R$ 7,50 a R$ 8,00 o saco de 30 quilos.

Em São Paulo a quirera industrial é cotada entre R$ 20,00 e R$ 21,00 e o canjicão entre R$ 30,00 e R$ 32,00. Todavia, pelo alto custo do frete e pela carga tributária e outros encargos, só compensaria enviar do Rio Grande do Sul para São Paulo se o preço chegasse ao patamar de R$ 35,00. O mercado para exportação segue firme, mas com as tradings abastecidas de matéria prima no porto de Rio Grande. Em maio foram exportados dois navios de arroz e em junho pelo menos mais um será carregado com rumo para a África.

TENDÊNCIAS

Os preços do arroz em casca devem ser reajustados em mais R$ 1,00 a R$ 1,50 na semana que começa, passando as cotações médias gaúchas para a faixa dos R$ 19,00 a R$ 19,50. Este valor e, talvez um pouco mais, deve também ser repassado para o produto beneficiado. O valor mais comum do fardo gaúcho deve passar para algo entre R$ 29,00 e R$ 30,00 (Fob), chegando a São Paulo na faixa de R$ 32,00 a R$ 33,50. O fluxo de negócios ainda é incerto com esse novo ajuste nos preços. O atacado e o varejo podem não aceitar, tentando forçar uma estabilização ou até baixa, ou ampliar a demanda, acelerando a recuperação de preços. A liberação dos contratos de AGFs e os novos leilões de PEP e PROP fortalecerão a comercialização num mercado mais atraente ao produtor.

Até o final da próxima semana já haverá um cenário mais claro quanto às importações do Mercosul, no momento trancadas pela greve dos servidores nas aduanas. Este sim, um fator que poderá interferir negativamente no mercado. Todavia, o cenário do mercado interno segue nebuloso para os próximos 60 dias. Há mais torcida pela recuperação dos preços do que uma certeza entre os analistas e agentes de mercado. Mercosul, câmbio, liberação de estoques públicos e campanha eleitoral com cesta básica a baixíssimo preço, são fatores de desconfiança no mercado interno.

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