Mercado insiste em andar de lado no Sul
Mais uma semana de paradeira e, ao contrário da expectativa, as grandes indústrias começaram a sair do mercado. Preços estáveis na semana, mas com forte pressão para baixar. No Mato Grosso a boa notícia para a indústria são os leilões da Conab
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O mercado do arroz em casca no Rio Grande do Sul teve uma semana decepcionante. Os preços andaram de lado na maior parte das regiões e, em alguns negócios pontuais, até apresentaram queda. Ao contrário da expectativa da semana anterior, as grandes indústrias saíram do mercado, só adquirindo o produto que é ofertado pelos produtores e nos preços pré-estabelecidos, pois não consegue repassar ao varejo. A movimentação de mercado se resume a busca de arroz por pequenas indústrias. E da mão pra boca, repondo o volume que está vendendo de beneficiado.
Os preços se mantiveram na faixa de R$ 18,00 a R$ 19,00 (líquido ao produtor) para saco de 50 quilos em casca (58% de inteiros). O nível de oferta do produtor caiu bastante, exceto no Litoral Norte, onde ainda se identifica movimento para forçar a venda das variedades comuns na faixa de R$ 21,00 a R$ 22,00, mesmo com alto percentual de inteiros. Alcança até R$ 25,00 nesta região o saco de 50 quilos de produto nobre com 65% a 67% de inteiros.
Alegrete, Itaqui, Cachoeira do Sul e Dom Pedrito trabalham com o arroz na faixa de R$ 18,50 a R$ 19,00 líquido ao produtor. Itaqui, Uruguaiana e São Borja pagam R$ 20,00 posto na indústria. Em Pelotas, o mesmo produto com 58% de inteiros e posto na indústria caiu para R$ 20,30, com pequenas indústrias pagando até R$ 20,50. Camaquã paga R$ 20,00. O arroz fraco para parboilização, mais demandado na região, continua mantendo o patamar de preços na faixa de R$ 19,50 a R$ 20,00 dentro do engenho (frete incluso). Em todas as regiões existem negócios acima e abaixo destes patamares.
Itaqui e São Borja seguem pagando entre R$ 21,50 para variedades nobres, dependendo do rendimento de engenho. Em Alegrete, R$ 22,10. A procura por arroz de maior qualidade e das variedades nobres aumentou significativamente nestas duas últimas semanas, principalmente por parte de grandes empresas de fora do RS.
OUTROS INDICADORES
O levantamento semanal do IRGA contrariou esta expectativa e apresentou leve inclinação de alta (0,6%) com média em R$ 20,50 para o produto posto na indústria. O diretor comercial do Irga Rubens Silveira diz que em julho é tradicional a diminuição do consumo do produto e o varejo se preveniu estocando nos meses de maio e junho. O diretor acredita em recuperação em breve nos preços do arroz.
O levantamento completo está em:
http://www.irga.rs.gov.br/arquivos/20060825151145.pdf
O índice Cepea Esalq/BM&F, a cotação média do arroz gaúcho (50Kg e 58% de inteiros) posto na indústria ficou em R$ 20,24 nesta quinta-feira (24). Isso depois da média ter chegado a R$ 20,01 na quarta-feira, (23).
O levantamento completo está em:
http://www.cepea.esalq.usp.br/indicador/arroz/indicador.php
A Emater-RS indicou cotação média no Rio Grande do Sul de R$ 20,14, sete centavos acima da semana passada por saco de 50kg.
O levantamento completo está em:
http://www.emater.tche.br/site/inicial/ptbr/php/ informativos .
SANTA CATARINA
O mercado do arroz em casca em Santa Catarina, depois de ter mostrado algum fôlego nas últimas semanas, apresentou leve queda nos preços do casca e do beneficiado. Fechou média de R$ 19,13 na semana, segundo dados do Icepa e pagou R$ 18,00 em Jaraguá do Sul (50kg/58%) e R$ 20,50 no Sul catarinense. A indústria do segundo maior estado produtor de arroz do Brasil segue em alerta para garantir seus estoques de produto fraco para parboilização.
MATO GROSSO
Segundo dados do relatório semanal do IMEA, no final da semana passada, as cotações de arroz no município de Primavera do Leste, que não tinha acompanhado o aumento do último dia 7/8, sofreram alterações e fecharam a semana com o mercado operando em torno de R$ 26,00 por saco de 60 quilos, ante R$ 24,00 na semana passada.
Para os demais municípios acompanhados pelo Instituto, as cotações permanecem estáveis e com pouco comércio sendo efetivado. O mercado segue cotado a R$ 23,00/60kg nos municípios de Sorriso e Sinop, R$ 27,00 em Rondonópolis e R$ 29,00 em Cuiabá.
Leilões – Neste estado é grande a expectativa para o anúncio oficial de leilões da Conab. Segundo apurou Planeta Arroz com fontes da Conab e da indústria do Mato Grosso, em setembro devem começar os leilões dos estoques públicos neste estado. Serão 230 mil toneladas divididas em pregões nos meses de setembro, outubro e novembro e comercializadas a preço de mercado. Tocantins e Rondônia também serão estados com leilões de estoques da Conab.
Os editais devem sair até os primeiros dias de setembro, apesar da urgência da indústria mato-grossense. Os leilões devem zerar os estoques destes estados e não está descartado o aporte de produto de estados vizinhos para arredondar os números. Segundo informação extra-oficial, o Mato Grosso poderia leiloar até 250 mil toneladas. Todavia, a Conab informa que haverá o máximo cuidado para não prejudicar os preços pagos aos produtores que já estão acima do preço mínimo legal e para garantir melhores condições de comercialização para a próxima safra.
BENEFICIADO
O arroz beneficiado apresentou leve queda nesta semana, apesar de um volume maior de consultas. Apesar da maior parte das indústrias gaúchas de médio e grande porte atuarem com preços acima dos R$ 31,00 referência em R$ 32,00, mas concedendo até mais de R$ 1,00 por fardo de 30 do tipo 1 – , há casos de marcas que os agentes de mercado consideram milagrosas que chegam por preço final de até R$ 25,00 no Espírito Santo e R$ 27,50 em São Paulo. Há notícia de produto gaúcho e catarinense a R$ 28,00 posto no interior de Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Levantamento semanal do Irga indica preços de R$ 29,48 para o fardo gaúcho do tipo 1 (ICMS de 7%) e R$ 30,78 (12%). O fardo de 30 kg do tipo 2 fica entre R$ 26,21 (7%) e R$ 27,00 (12%).
O saco de arroz beneficiado de 60 quilos (tipo 1) também apresentou queda na comercialização dentro do Rio Grande do Sul, com negócios reportados na faixa dos R$ 43,00 (final). O parâmetro deste produto, no entanto, é de R$ 41,50 (FBO) à vista e excluso ICMS. Há produto nestas condições chegando a São Paulo por até R$ 57,00, mas a média é de R$ 58,00.
Em Santa Catarina, o fardo de arroz de 30 quilos, tipo 1, é cotado a R4 32,59, segundo dados do Icepa.
DERIVADOS
Os derivados de arroz seguem com preços bastante estáveis. O canjicão (60kg) é cotado a R$ 22,00, com muitos negócios a preços inferiores. A quirera se manteve em R$ 16,00 (60kg) e o farelo na faixa de R$ 7,00 (30kg).
VAREJO
O varejo se mostra bastante reticente com relação a novas compras. Trabalha com o estoque nas gôndolas e com baixa movimentação. Preocupa o fato de muitas ofertas estarem voltando aos tablóides das redes paulistas, mineiras e cariocas de supermercados. Preços entre R$ 5,25 a R$ 5,80 para o saco de cinco quilos do arroz tipo 1.
TENDÊNCIAS
A menos que o Varejo se apresente com mais força ao mercado nesta última semana de agosto, não há previsão de significativa recuperação de preços. Em algumas regiões, o fato das grandes indústrias estarem se retirando do mercado já é considerado um sintoma de leve queda nas cotações.
Mesmo sem oferta significativa de produto, o mercado não está se mexendo, o que já faz alguns analistas questionar os indicativos de consumo e de estoque nacional. O consumo seria menor e o estoque de passagem maior do que os números ora trabalhados, para justificar a estagnação de preços. Ou o povo não está comendo arroz ou tem muito mais produto circulando no país do que os números com que o mercado vem trabalhando. Não há explicação para o fato de quase todo o Brasil não ter produto disponível e os preços não reagirem, disse um importante agente de mercado.
Se no final de julho não houve aquecimento da demanda por parte do Varejo por conta das férias de inverno, em agosto o mercado se mostrou tão ou mais fraco ainda. Ainda assim, os analistas seguem projetando uma recuperação para setembro. Mesmo que em níveis bastante inferiores ao desejado pelos produtores.
Alguns analistas acreditam que o anúncio de leilões de arroz no Mato Grosso, Tocantins e Rondônia poderão esfriar o mercado, outros consideram que, pelo contrário, será uma ação positiva. São estados com os estoque privados praticamente zerados e que beneficiarão para atender suas demandas locais. E além disso, esta ação reduzirá em quase 25% os estoques da Conab, fazendo prever um estoque de passagem mais ajustado no ano.


