Mercado mantém ritmo da safra, com demanda de arroz velho
Próximo de alcançar o preço mínimo, a demanda do arroz em casca gaúcho está concentrada no produto da safra velha.
O avanço da colheita e o atraso na votação do orçamento da União, que irá garantir os recursos para os mecanismos de comercialização da safra, seguem refletindo negativamente nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso. Os preços voltaram aos patamares de dezembro, segundo dados do indicador Cepea/Esalq e BM&F, que fechou nesta quinta-feira em R$ 22,82 para a saca de 50 quilos de arroz em casca colocada dentro da indústria. Em março a queda já alcança 2,38%. Nesta semana, as indústrias seguiram fora do mercado, apenas negociando a compra de arroz da safra 2007 e negociando depósito de produto verde ou recebimento de arroz novo dos produtores que financiou.
Agentes de mercado voltaram a afirmar que em algumas empresas está acontecendo a costumeira troca de arroz velho por novo nos depósitos, já que o arroz da safra passada tem mais qualidade no processamento. A Conab, no entanto, não se manifestou sobre este assunto até o momento. Esta semana, porém, a companhia divulgou a nova previsão de safra. Os dois estados produtores de arroz na região Sul do Brasil – Rio Grande do Sul e Santa Catarina – produzirão 70% da safra do grão. Conforme o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área cultivada com arroz está estimada em 2,97 milhões de hectares, 0,4% (11,2 mil hectares) superior à safra anterior. Este crescimento se deve ao fato dos gaúchos retomarem as áreas não semeadas na safra 2006/07 por falta de água para a irrigação. O levantamento confirma redução de área nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, em 14,3% e 11,5%, respectivamente, com ocupação pelo milho e soja.
Estima-se a produção de 12 milhões de toneladas, 6,7% superior à safra anterior. Desse total, a região Sul corresponde a 69,4%, com destaque para o Rio Grande do Sul, que participa com 85% da produção regional.
PREÇOS
Na maioria das regiões, a redação de Planeta Arroz identificou, nos últimos dias, negociações de produto entre R$ 22,00 e R$ 23,00, uma média de R$ 22,50 para o Rio Grande do Sul e com fraco volume de oferta. As fontes de mercado indicam que a semana comercial chega ao fim com a saca de 50 quilos (58×10) cotada a R$ 23,00 em Pelotas e Camaquã, Itaquí e Uruguaiana, com frete incluso. Em Uruguaiana, Alegrete e São Borja, preços médios de R$ 22,25 a R$ 22,50 ao produtor (livre). Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Tapes, Guaíba, Rio Pardo e Agudo, preços entre R$ 22,00 e R$ 22,50. No Litoral Norte, com produto diferenciado e concentração de armazenagem própria, os preços para o arroz com 63% de grãos inteiros e das variedades nobres ficaram entre R$ 24,00 e R$ 26,00.
ESTADOS
Em Santa Catarina, os preços também entraram em declínio com a intensificação da safra. O Sul catarinense pratica valores em torno de R$ 22,00 para a saca de 50 quilos, enquanto nas demais regiões, já existem cotações de R$ 21,00 a R$ 21,50. No Mato Grosso o fenômeno de queda nos preços não é diferente. Em Sinop e Sorriso, os preços mais praticados para o arroz longo fino, em sacas de 60 quilos e com mais de 50% de inteiros, ficam entre R$ 26,00 e R$ 27,00.
INDÚSTRIA
As indústrias do Sul do país se mantêm fora de mercado. A expectativa é de que os preços sigam em queda pelo menos até a entrada dos recursos de AGFs e Contratos de Opções. O varejo segue pressionando a indústria para antecipar a queda nos preços e buscando prazos para o beneficiado.
Na última semana, a média dos preços do fardo do arroz beneficiado manteve-se na faixa de R$ 36,00. O fardo de 30 quilos do arroz tipo 1 chega a São Paulo entre R$ 29,50 e R$ 47,00 dependendo da marca e das características do produto (FOB).
A saca de 60 quilos do arroz beneficiado é cotada a R$ 49,00 segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre, chegando entre R$ 62,00 e R$ 68,00 em São Paulo. A mesma corretora cota a saca de arroz em casca de 50 quilos (padrão) em R$ 23,00, o canjicão a R$ 35,00 e a quirera a R$ 28,50 a saca. A tonelada do farelo de arroz fica em R$ 320,00.


