Mercado perde força e Conab anuncia mais leilões no Sul

Enquanto os preços seguem em queda no Rio Grande do Sul, Mato Grosso manteve estabilidade por falta de produto. Leitura da cadeia produtiva sobre os leilões de arroz é que vai determinar o comportamento dos preços.

O mercado de arroz no Rio Grande do Sul viveu mais uma semana de ligeira queda, com a indústria forçando a redução de preços diante de uma oferta ainda significativa, já que não consegue repassar o aumento para o varejo. Nesta sexta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), anunciou mais três leilões de arroz no Sul até o final do ano. Dois em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul. Este anúncio, fatalmente terá algum reflexo nos preços a partir da próxima semana. O setor ainda não está convencido se para cima ou para baixo.

Há quem aposte que o preço de abertura dos leilões, mantidos em R$ 26,20 para o cereal com 58% de inteiros (tipo 1) tanto para os leilões de Santa Catarina (dois de 5 mil toneladas) quanto para o Rio Grande do Sul (um de 15 mil toneladas), vai buscar nos leilões o seu referencial. Todavia, uma corrente expressiva de agentes de mercado apostam que os leilões vão servir apenas para a indústria barganhar preços menores com o produtor e para algumas empresas fazer compras “de papel” para repor estoques vendidos “na frente”. Todavia, no final da próxima semana já se terá uma leitura mais clara da repercussão dos leilões no mercado gaúcho de arroz em casca.

No Rio Grande do Sul o arroz é vendido entre R$ 24,00 e R$ 27,00 (Litoral Norte e variedades nobres). O preço mais comum fica entre R$ 24,50 e R$ 25,00 nas praças de Cachoeira do Sul, Alegrete, Dom Pedrito, Uruguaiana, São Borja e Pelotas. Capivari do Sul e Santo Antônio da Patrulha (Litoral Norte), mantêm média de R$ 26,00 a R$ 27,00. Itaqui, Alegrete e São Borja pagam entre R$ 25,50 e R$ 26,50 pelas variedades nobres BR Irga 409 e Irga 417. Depressão Central e Campanha têm a menores médias.

Como a oferta dos produtores ainda está acima da demanda das indústrias, boa parte das empresas segue fora de mercado ou oferecendo R$ 0,50 a R$ 1,00 abaixo do preço referencial da sua região. Sendo assim, houve negócios na faixa de R$ 23,50 em Uruguaiana, Alegrete e Cachoeira do Sul. Segundo dados do Irga, em Candelária (RS), houve negócios abaixo dos R$ 23,00.

OUTROS INDICADORES

O indicador diário de arroz em casca Cepea/Esalq/BM&F, fechou nesta quinta-feira, com referência de preços médios em R$ 24,49 para o saco de arroz de 58% de grãos inteiros (50Kg) posto na indústria gaúcha. Confirma a segunda semana seguida de queda.

A Emater/RS, em seu levantamento semanal, indica preço médio de R$ 25,04 pelo arroz gaúcho (58%) livre ao produtor. O valor apresenta queda de 1,38%. Ainda segundo a Emater, 88% da lavoura gaúcha já está plantada, sendo que 80% está em germinação ou desenvolvimento vegetativo. A semana foi de intensa movimentação na Depressão Central para adubação de cobertura.

O Irga também indicou queda de 1,19% nos preços em seu levantamento semanal. O saco de 50 quilos (58%) de inteiros, teve média de preços de R$ 24,41 no Rio Grande do Sul, contra R$ 24,71 da semana passada. O menor preço ocorre em Candelária, R$ 22,86 e o maior em Santo Antônio da Patrulha, R$ 26,00 (58% – Irga 422CL). O arroz beneficiado apresenta ligeira alta de preços, alcançando R$ 36,08 o fardo de 30 quilos do tipo 1, branco polido (ICMS 12%) e R$ 32,33 o tipo 2, nas mesmas condições.

SANTA CATARINA

O mercado de arroz em Santa Catarina teve ligeira alta na média semanal de preços, para R$ 23,00 contra os R$ 22,00 da semana anterior. Isso por um ligeiro ajuste de preços do Sul catarinense em direção aos patamares das variedades comuns do Litoral Norte gaúcho.
O mercado chegou aos R$ 24,00 de média no Sul catarinense, contra R$ 22,00 em Jaraguá do Sul/Joinville e em Ibirama/Rio do Sul, segundo dados do Instituto Cepa. Houve um aumento de oferta, principalmente no Sul do estado, que poderá acentuar com o anúncio de mais dois leilões da Conab na primeira quinzena de dezembro.

MATO GROSSO

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IMEA, o mercado de arroz continua paralisado em relação às negociações de produtor com as indústrias no Mato Grosso, devido à escassez do produto para ser comercializado. A indústria segue se abastecendo principalmente dos leilões de venda dos estoques públicos da Conab, que dá sinais de chegar ao final do produto de melhor qualidade e com boa localização. A cadeia produtiva e a Conab estão procurando solucionar os problemas de perda de qualidade por armazenagem inadequada em lotes que já foram negociados. A precária condição de armazenagem e logística do Mato Grosso, bem como a inexperiência de alguns armazenadores tornaram-se mais um gargalo ao beneficiamento do produto no estado.

As ofertas para o arroz Primavera com 55% de grãos inteiros continuaram com tendência de aumento esta semana, segundo a economista Anamaria Martins, do IMEA. Esta semana o produto alcançou cotação de R$ 27,00 em Sorriso, Sinop e Primavera do Leste. Em Rondonópolis o arroz, com estas especificações, vale R$ 30,00 e R$ 32,00 na capital, Cuiabá. As ofertas nestes patamares, contudo, não estão confirmando negócios, pois o alto valor é considerado inviável pela indústria, que não consegue repassar aos preços do beneficiado para o varejo.

BENEFICIADO

A semana fecha com mais uma queda de braço entre produtor e indústria, indústria e varejo. Enquanto tenta forçar novos valores para o varejo, a indústria tenta tirar R$ 0,50 a R$ 1,00 por saco de arroz nas negociações com os produtores. O excesso de oferta, que diminuiu esta semana com relação à anterior, mas ainda ocorre, permite esta barganha sobre os preços ao produtor. De outra banda, o varejo mostra-se bastante reticente com relação ao reajuste proposto pelas indústrias, pois alega ter diversas marcas alternativas com preços convidativos.

O saco de 60 quilos do tipo 1 (sem marca) é comercializado no Rio Grande do Sul, em média a R$ 49,50. O fardo de 30 quilos do tipo 1, branco polido, marcas intermediárias, fica em média em R$ 36,00. Marcas superiores e tipo “extra”, ficam entre R$ 42,00 e R$ 54,00/fardo.

O arroz beneficiado de Santa Catarina e do pólo industrial de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), também se mantém com preços médios similares ao gaúcho (final São Paulo): entre R$ 36,00 e R$ 38,00. O produto parboilizado acompanha esta base de preços, com variação de R$ 0,50 a R$ 2,00, para cima.

Os derivados de arroz estabilizaram preços esta semana, com o canjicão em R$ 28,00 (60kg) e a quirera em R$ 20,00.

Na reunião desta sexta-feira da Câmara Setorial Nacional do Arroz, em Porto Alegre, a indústria manteve a posição de interesse na continuidade dos leilões por considerar que é preciso sinalizar os patamares de preços ao varejo. Nesta quinta-feira, a Conab lacrou os estoques em uma indústria que teria sido flagrada como depositária infiel. Estaria movimentando produto dos estoques para beneficiar. O nome da empresa não foi divulgado.

VAREJO

O varejo mantém a posição de não aceitar altas dos preços do arroz e continua trabalhando com ofertas dos sacos de 5 quilos de arroz do tipo 1 abaixo dos R$ 6,00 nos principais supermercados paulistas. Inclusive com marcas “top”. Muitos supermercados estão subsidiando marcas mais importantes, como forma de atrair e aparecer para os consumidores, mas também de sinalizar para o mercado seu indicativo de preços. Isso acontece porque o segmento entende que os preços podem não continuar permitindo a venda a R$ 6,00, mas fatalmente não chegarão a R$ 8,00/5kg.

Importante agente de mercado considera que o posicionamento não está embasado numa elevação de estoques durante a alta dos preços (outubro e primeira quinzena de novembro), mas porque até esta sexta-feira havia uma leitura de baixa no mercado pelo aumento da oferta dos produtores. Isso, somado ao fato de que o final do ano apresenta uma redução natural do consumo brasileiro. O varejo considera que o patamar dos leilões é fictício e não se sustenta, pois a indústria pressionará pela venda direta em patamares inferiores. Trabalha com previsão de média em R$ 24,00 para o casca e formula seus preços nestes patamares máximos.

TENDÊNCIA

A próxima semana promete ser de muita expectativa e poucos negócios no mercado de arroz. Se por um lado a indústria vai se recolher e esperar o termômetro dos leilões, por outro os produtores devem esperar até quarta ou quinta-feira para ver se vale a pena ofertar. Como no setor é comum o comportamento de “estouro de tropa”, se for acentuado o volume de ofertas, os preços podem cair de vez. O trabalho das entidades do setor em busca de arroz dos produtores para o leilão deverá ser difícil, mas se obtiver sucesso para ofertar 7,5 mil toneladas no leilão privado do dia 6/12, poderá garantir uma estabilidade de preços.

A leitura que os diferentes segmentos da cadeia produtiva farão dos leilões é que definirá o nível de comercialização e os preços do arroz na próxima semana.

De qualquer forma, as três maiores indústrias de arroz do RS, já anunciaram que vão pagar pelo menos R$ 0,50 a menos por saco na próxima semana. A queda de braço vai continuar.

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