Mercado perde força

Arroz em casca volta ao patamar de R$ 20,00 na maioria das praças gaúchas. No Mato Grosso, a euforia da semana passada deu lugar ao pé no freio.

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul apresentou leve queda na entrada da semana, refletindo as dificuldades que a indústria está tendo para repassar preços ao varejo no arroz beneficiado.

Em Cachoeira do Sul, São Gabriel, Alegrete, Rosário do Sul e Dom Pedrito o recuo ficou na faixa de R$ 0,50 para o saco de 50 quilos (58% de inteiros), fixando um valor bruto de R$ 20,00. No Litoral Norte, o arroz entre 58% e 62% de inteiros das variedades nobres perdeu R$ 1,00 por saco, sendo cotado entre R$ 23,00 e R$ 23,50. Já o produto acima de 63% de inteiros é negociado – em volumes mínimos – na faixa de R$ 25,00.

Em São Borja, mesmo o arroz das chamadas cultivares nobres, perdeu R$ 1,00 por saco nas cotações da semana, ficando em torno de R$ 23,00 (60×8), Enquanto os pequenos estoques de arroz de alta qualidade continuam sendo ofertados por R$ 26,00 (50kg), a indústria já começa a oferecer R$ 24,00 sem confirmar negócios. Mesmo assim, para arroz das variedades nobres e alto percentual de inteiros espera-se uma entressafra com cotações entre R$ 24,00 e R$ 25,00.

Em Uruguaiana os negócios também esfriaram e os poucos negócios que acontecem estão na faixa de R$ 21,50. Porém, neste caso, é o valor final posto na indústria. Em Pelotas e Camaquã o padrão de preços é idêntico, fixando entre R$ 21,50 a R$ 22,00 para o produto posto na indústria, dependendo da qualidade do grão. O parboilizado é negociado entre R$ 19,50 e R$ 20,50 posto na indústria (45% de inteiros). Em Santa Catarina a comercialização é bastante fraca e há pouco produto disponível.

No Mato Grosso, a euforia da semana anterior já passou e diminuiu a oferta por parte dos produtores. Uma grande empresa negociou para a indústria 60 mil sacos de arroz Cirad que seria para sementes, com percentual de grãos inteiros acima de 50%. Hoje, o Cirad com 50% de inteiros é cotado a R$ 16,50 (CIF Cuiabá). O Primavera, com estoque reduzido e nas mesmas condições de inteiros alcança de R$ 19,00 a R$ 20,00 (CIF Cuiabá). É grande a oferta de arroz Cirad abaixo de 30% de inteiros, mas sem comprador. A euforia da semana passada levou alguns produtores a repensarem a decisão de não formar lavoura e retomarem o plantio de arroz.

Mas são poucos. A indústria se abasteceu na semana passada principalmente de arroz Cirad por dois motivos. A indústria de parboilizado formou estoque para atender os próximos três meses e a de branco garantiu o produto de baixo preço para a mistura com o arroz da próxima safra. O corretor da Futura Cereais, Jorge Fagundes, acredita que o fato do Mato Grosso ter plantado prioritariamente o cultivar Primavera, fará com que exista uma procura pelo Cirad para a mistura, dentro dos padrões permitidos.

BENEFICIADO

A semana abriu bastante parada para o mercado do arroz beneficiado. A pouca movimentação em todo o Brasil gera duas situações: ou a indústria se abasteceu para o resto da entressafra ou está estrategicamente fora do mercado esperando forçar uma nova queda no arroz em casca para retomar o mercado. A pressão exercida por indústrias e varejo paulista no mês de novembro foi praticamente reduzida a zero, com poucas consultas de preços. Mesmo que o arroz uruguaio, posto em São Paulo, tenha alcançado cotação similar ao arroz gaúcho na semana passada, o volume de importações é considerado bastante baixo. Primeiro pela baixa qualidade do estoque residual do Mercosul, segundo porque o movimento nos portos e fronteiras do Uruguai é bastante fraco. A indústria gaúcha está recebendo carregamentos de arroz do Mercosul referentes a contratos fechados há 20/30 dias.

O fardo do arroz gaúcho sofreu um baque esta semana e não consegue entrar nos mercados do centro do país acima de R$ 31,00 – exceto marcas especiais. Embora grande parte das indústrias opere com o fardo de 30 quilos do tipo 1 na faixa de R$ 28,00 a R$ 29,00 (FOB/RS), há algumas grandes empresas e algumas marcas específicas chegando a Minas Gerais e Rio de Janeiro com preço final de R$ 30,00. Em São Paulo, o mesmo produto já pode ser encontrado a R$ 29,50. Muitas empresas não reduziram as tabelas e tentam forçar uma estabilidade. Mas também não fecham negócios significativos.

O saco de 60 quilos de arroz beneficiado também reflete a paralisia do mercado. É cotado em média a R$ 42,50 (FOB) no Rio Grande do Sul, com baixo volume de negócios. Os derivados, no entanto, apresentam uma queda ainda mais violenta. Uma das grandes empresas do setor no Rio Grande do Sul anunciou que está fora de mercado e dará férias coletivas aos funcionários. Além do fim das exportações, esta notícia fez com que o canjicão baixasse para R$ 19,00 (60kg), a quirera para R$ 17,50 (60kg) e o farelo (30kg) para R$ 6,80, todos FOB.

TENDÊNCIAS

A queda de braço entre produtor, varejo e indústria tende a se acirrar na próxima semana. Todavia, a sinalização de baixa em algumas regiões – tratada como ajuste pelas cooperativas, principalmente – e o emperramento nas vendas de beneficiado deverão influenciar as cotações do beneficiado para a semana vindoura. É provável uma ligeira mudança, para baixo, nas tabelas do beneficiado. Os produtores tenderão a segurar o produto por mais alguns dias forçando uma estabilidade de preços. Por via das dúvidas, já foi retomada a busca de informações de AGFs junto à Conab gaúcha.

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