Mercado ruim para colheitadeiras até 2007
O mercado interno de colheitadeiras deve penar ainda pelo menos até o segundo semestre de 2007.
Enquanto as vendas domésticas de tratores driblam a crise dos dois últimos anos nos grãos com o avanço dos negócios em segmentos como cana-de-açúcar, café, citricultura e florestas, o mercado interno de colheitadeiras deve penar ainda pelo menos até o segundo semestre de 2007. Essa é a expectativa das fabricantes John Deere, AGCO, e Case-New Holland, que estão retomando a produção após a paralisação das linhas.
A CNH reativou a produção de colheitadeiras em Curitiba dia 21, depois de três meses parada, e prevê para este ano uma demanda doméstica total inferior a 1 mil unidades, ante 1,53 mil em 2005, disse o gerente de vendas especiais, Mario Toigo. “Estamos produzindo 20% do fabricávamos em 2004, e hoje uma só indústria poderia atender todo o mercado com capacidade ociosa”, compara o executivo, que participa da Expointer 2006.
Até julho, conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas internas de colheitadeiras de todas as marcas despencaram para 503 unidades, metade de igual período de 2005. Apesar do câmbio valorizado, as exportações seguraram um pouco o desempenho com queda de 15,6%, para 1,35 mil máquinas. Em 2005, tanto as vendas domésticas quanto as externas já haviam caído 73% e 34%, respectivamente.
Na opinião de Toigo, os negócios só deverão reagir a partir da segunda metade do ano que vem se a safra de grãos 2006/07 tiver bons resultados e se o câmbio permitir o equilíbrio entre custos de insumos e preços da produção. Com a parada das linhas de montagem, a produção de colheitadeiras das marcas Case e New Holland caiu 7,2% de janeiro a julho em comparação com o mesmo período do ano passado, para 516 unidades.
No caso da CNH, a queda não foi tão grande pois, incluindo os produtos em estoque, as exportações tiveram alta de 10,2%, para 355 colheitadeiras no período, e compensaram a forte retração de 47,1%, para 227 unidades, no mercado interno. Durante a parada, a empresa conseguiu fechar um acordo com o sindicato dos trabalhadores que impediu novas demissões, além das 400 que haviam ocorrido entre o fim de 2004 e início de 2005. Hoje a empresa tem cerca de 1,5 mil funcionários.
Na AGCO, que fabrica colheitadeiras em Santa Rosa (RS), a queda da produção na linha que ficou parada em maio e junho foi de quase 50% nos sete meses (de 711 para 357 unidades). A empresa teve retração idêntica nas vendas internas e nas exportações no período: 53,7%, para 96 e 257 unidades, respectivamente, e demitiu cerca de 170 pessoas até abril, além dos outros 600 empregados diretos e terceirizados dispensados em 2005. Hoje a companhia tem pouco mais de 2 mil funcionários.
Conforme o gerente de marketing da AGCO, Paulino Jeckel, a fábrica de Santa Rosa só não parou totalmente em maio e junho porque produz componentes para a unidade de tratores de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Segundo ele, o mercado de colheitadeiras deve cair “significativamente” em 2006, e para 2007 a “esperança” é que culturas como arroz e soja se beneficiem da elevação dos preços e da queda dos custos de produção.
A John Deere parou a fábrica de colheitadeiras de maio a julho, em Horizontina, e cortou a produção nos sete meses em 36%, para 689 unidades. A empresa vendeu 180 máquinas no período no mercado interno, 51,2% menos que em igual intervalo de 2005, enquanto as exportações caíram 28,7%, para 751 unidades. Com a crise, a fábrica afastou 180 pessoas este ano, além de 900 no fim de 2004 e início de 2005. Ficou com 2,1 mil empregados.
Segundo o gerente regional de vendas da empresa, Paulo Kowalski, o mercado ficou à espera do anúncio das novas taxas de juros do plano safra 2006/07, mas ainda não houve reação. “Existe demanda reprimida, mas os produtores vêm de dois anos de prorrogações das dívidas e por isso os bancos ficaram mais seletivos na liberação dos financiamentos”, diz. Para ele, as vendas domésticas totais do segmento não devem passar das 850 unidades este ano e em 2007 devem ficar estáveis.
Tratores pequenos sustentam vendas
O esforço da indústria para adequar os produtos para lavouras com melhor desempenho, especialmente a cana-de-açúcar, vem garantindo fôlego nas vendas internas de tratores (de rodas), que chegaram a crescer 2,4% nos sete primeiros meses em comparação com igual período do ano passado, para 11,2 mil unidades. Por conta disso, os fabricantes estão especializando suas equipes comerciais e confiam que 2006 terá um desempenho semelhante ao de 2005, quando a demanda doméstica ficou em 17,5 mil máquinas.
O problema, neste caso, é que a maior parte da demanda é por tratores de até 99 cavalos de potência, de pequeno porte e portanto de menor valor. Até julho, essa faixa respondeu por 66% das vendas no país, índice próximo dos 68,6% verificados em 2006 e bem acima do patamar de 53% de 2004 e 2003, indicam os dados da Anfavea.
“Nos dois últimos anos as lavouras de grãos respondiam por 45% a 50% do mercado de tratores; hoje representam menos de 30%”, constata o gerente de vendas especiais da New Holland, Mario Toigo. Ao mesmo tempo, as plantações de cana passaram de 10% para mais de 25% da demanda, diz. No total, as duas marcas da empresa (Case e New Holland) venderam 2,28 mil unidades nos sete meses, alta de 28,5%.
Segundo Paulo Kowalski, gerente regional de vendas da John Deere, os pequenos e médios produtores familiares que estão sustentando a maior parte das vendas da empresa neste ano, que subiram 8% até julho, para 934 máquinas.
Na AGCO, uma das estrelas de vendas tem sido o chamado “trator popular” de 50 cavalos, relata o gerente de marketing, Paulino Jeckel. Mais simples, a máquina custa pouco mais de R$ 50 mil, cerca de 20% abaixo de outros modelos similares. Segundo ele, o consórcio também está ganhando importância nos negócios graças aos prazos maiores de pagamento (até 120 meses). Desde 2004, a participação desta modalidade de financiamento sobre as vendas passou de 25% para 37%. Até julho a AGCO vendeu 3,42 mil tratores, 14,2% abaixo de 2005.
. Essa é a expectativa das fabricantes John Deere, AGCO, e Case-New Holland, que estão retomando a produção após a paralisação das linhas.
A CNH reativou a produção de colheitadeiras em Curitiba dia 21, depois de três meses parada, e prevê para este ano uma demanda doméstica total inferior a 1 mil unidades, ante 1,53 mil em 2005, disse o gerente de vendas especiais, Mario Toigo.
– Estamos produzindo 20% do fabricávamos em 2004, e hoje uma só indústria poderia atender todo o mercado com capacidade ociosa – compara o executivo, que participa da Expointer 2006.
Até julho, conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas internas de colheitadeiras de todas as marcas despencaram para 503 unidades, metade de igual período de 2005. Apesar do câmbio valorizado, as exportações seguraram um pouco o desempenho com queda de 15,6%, para 1,35 mil máquinas. Em 2005, tanto as vendas domésticas quanto as externas já haviam caído 73% e 34%, respectivamente.
Na opinião de Toigo, os negócios só deverão reagir a partir da segunda metade do ano que vem se a safra de grãos 2006/07 tiver bons resultados e se o câmbio permitir o equilíbrio entre custos de insumos e preços da produção. Com a parada das linhas de montagem, a produção de colheitadeiras das marcas Case e New Holland caiu 7,2% de janeiro a julho em comparação com o mesmo período do ano passado, para 516 unidades.
No caso da CNH, a queda não foi tão grande pois, incluindo os produtos em estoque, as exportações tiveram alta de 10,2%, para 355 colheitadeiras no período, e compensaram a forte retração de 47,1%, para 227 unidades, no mercado interno. Durante a parada, a empresa conseguiu fechar um acordo com o sindicato dos trabalhadores que impediu novas demissões, além das 400 que haviam ocorrido entre o fim de 2004 e início de 2005. Hoje a empresa tem cerca de 1,5 mil funcionários.
Na AGCO, que fabrica colheitadeiras em Santa Rosa (RS), a queda da produção na linha que ficou parada em maio e junho foi de quase 50% nos sete meses (de 711 para 357 unidades). A empresa teve retração idêntica nas vendas internas e nas exportações no período: 53,7%, para 96 e 257 unidades, respectivamente, e demitiu cerca de 170 pessoas até abril, além dos outros 600 empregados diretos e terceirizados dispensados em 2005. Hoje a companhia tem pouco mais de 2 mil funcionários.
Conforme o gerente de marketing da AGCO, Paulino Jeckel, a fábrica de Santa Rosa só não parou totalmente em maio e junho porque produz componentes para a unidade de tratores de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Segundo ele, o mercado de colheitadeiras deve cair “significativamente” em 2006, e para 2007 a “esperança” é que culturas como arroz e soja se beneficiem da elevação dos preços e da queda dos custos de produção.
A John Deere parou a fábrica de colheitadeiras de maio a julho, em Horizontina, e cortou a produção nos sete meses em 36%, para 689 unidades. A empresa vendeu 180 máquinas no período no mercado interno, 51,2% menos que em igual intervalo de 2005, enquanto as exportações caíram 28,7%, para 751 unidades. Com a crise, a fábrica afastou 180 pessoas este ano, além de 900 no fim de 2004 e início de 2005. Ficou com 2,1 mil empregados.
Segundo o gerente regional de vendas da empresa, Paulo Kowalski, o mercado ficou à espera do anúncio das novas taxas de juros do plano safra 2006/07, mas ainda não houve reação.
– Existe demanda reprimida, mas os produtores vêm de dois anos de prorrogações das dívidas e por isso os bancos ficaram mais seletivos na liberação dos financiamentos – diz.
Para ele, as vendas domésticas totais do segmento não devem passar das 850 unidades este ano e em 2007 devem ficar estáveis.
Tratores pequenos sustentam vendas
O esforço da indústria para adequar os produtos para lavouras com melhor desempenho, especialmente a cana-de-açúcar, vem garantindo fôlego nas vendas internas de tratores (de rodas), que chegaram a crescer 2,4% nos sete primeiros meses em comparação com igual período do ano passado, para 11,2 mil unidades. Por conta disso, os fabricantes estão especializando suas equipes comerciais e confiam que 2006 terá um desempenho semelhante ao de 2005, quando a demanda doméstica ficou em 17,5 mil máquinas.
O problema, neste caso, é que a maior parte da demanda é por tratores de até 99 cavalos de potência, de pequeno porte e portanto de menor valor. Até julho, essa faixa respondeu por 66% das vendas no país, índice próximo dos 68,6% verificados em 2006 e bem acima do patamar de 53% de 2004 e 2003, indicam os dados da Anfavea.
“Nos dois últimos anos as lavouras de grãos respondiam por 45% a 50% do mercado de tratores; hoje representam menos de 30%”, constata o gerente de vendas especiais da New Holland, Mario Toigo. Ao mesmo tempo, as plantações de cana passaram de 10% para mais de 25% da demanda, diz. No total, as duas marcas da empresa (Case e New Holland) venderam 2,28 mil unidades nos sete meses, alta de 28,5%.
Segundo Paulo Kowalski, gerente regional de vendas da John Deere, os pequenos e médios produtores familiares que estão sustentando a maior parte das vendas da empresa neste ano, que subiram 8% até julho, para 934 máquinas.
Na AGCO, uma das estrelas de vendas tem sido o chamado “trator popular” de 50 cavalos, relata o gerente de marketing, Paulino Jeckel. Mais simples, a máquina custa pouco mais de R$ 50 mil, cerca de 20% abaixo de outros modelos similares. Segundo ele, o consórcio também está ganhando importância nos negócios graças aos prazos maiores de pagamento (até 120 meses). Desde 2004, a participação desta modalidade de financiamento sobre as vendas passou de 25% para 37%. Até julho a AGCO vendeu 3,42 mil tratores, 14,2% abaixo de 2005.


