Mercado se mantém desaquecido

Preços do casca apresentam pequena queda no Rio Grande do Sul, mas reagem em quase todos os outros estados brasileiros. Varejo segue lento, mas com aumento do nível de consultas perante a indústria e agentes de mercado. A indústria permanece muito pressionada para aumentar preços ao produtor e para fazer concessões de preços ao varejo.

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul fechou mais uma semana de pouca movimentação e com pequena queda de preços em algumas regiões. Nota-se que o nível de oferta aumentou esta semana, pois o produtor já começa a se preocupar com o vencimento da parcela de custeio a partir de 20 de agosto. Se por um lado muitos arrozeiros aproveitaram o EGF de julho para quitar duas parcelas, por outro lado vencimentos de prorrogações anteriores estão vencendo de forma acumulada em agosto. Portanto, a previsão de que a oferta de arroz este mês seria menor, talvez não se confirme de forma tão significativa.

Alegrete, Itaqui, Cachoeira do Sul e Pelotas registraram leve redução de preços para o saco de 50 quilos em casca com 58% de grãos inteiros. Cachoeira do Sul e Alegrete operam na faixa de R$ 19,30 a R$ 19,50 no preço bruto (R$ 18,80/R$ 19,00 líquido ao produtor). Itaqui baixou para R$ 20,30 o arroz deste padrão posto na indústria. Em Pelotas, o mesmo produto com 58% de inteiros e posto na indústria caiu para R$ 20,50, cerca de R$ 0,30 a menos do que era pago há uma semana. O arroz “fraco” para parboilização, mais demandado na região, continua mantendo o patamar de preços na faixa de R$ 20,00 dentro do engenho (frete incluso). Santa Maria, Rosário do Sul, São Gabriel e Dom Pedrito estão com cotações médias de R$ 19,30 (valor bruto). Uruguaiana opera na faixa de R$ 20,00 para o arroz dentro da indústria. Há, no entanto, confirmação de negócios de até 5 mil sacos por R$ 18,50 (livre ao produtor).

Itaqui e São Borja seguem pagando entre R$ 21,00 e R$ 22,00 para variedades nobres, dependendo do rendimento de engenho. Alegrete fixa para estas variedades preço médio de R$ 21,50, acompanhando os preços. Na Depressão Central já existem corretoras oferecendo até R$ 21,00 por produto com 60% de grãos inteiros no preço a vista ou para 10/15 dias, dependendo do caso. Mas, os produtores estão firmando pé no preço de R$ 22,00 por este produto. No Litoral Norte, uma grande indústria do Centro-Oeste entrou comprando forte o produto de melhor qualidade por R$ 25,00. Trata-se das variedades Irga 417 e BR Irga 409 com mais de 65% de grãos inteiros. Indústrias locais, e mesmo algumas tradicionais empresas paulistas que costumam acompanhar estes preços, não seguiram na concorrência. O produto com 63% de grãos inteiros é cotado nominalmente a R$ 23,50, mas negócios só são confirmados acima deste patamar. O Irga 422 CL e outras variedades similares ficam entre R$ 21,00 e R$ 22,00, dependendo do rendimento.

OUTROS INDICADORES

O Irga não divulgou seu levantamento de preços esta semana. O indicador do arroz Cepea/Esalq apontou uma redução de 1,66% nos preços do produto em casca posto na indústria no mês, fechando em R$ 20,09 na sexta-feira ou 9,28 dólares. A Emater/RS indicou a média da semana em R$ 20,05 com desvalorização de 0,15% ante os R$ 20,08 da semana passada. Também se refere a média do preço a vista posto na indústria.

BENEFICIADO

O arroz beneficiado manteve mais uma semana sem grandes mudanças. O mercado segue andando de lado e aponta até mesmo para uma dificuldade de estabelecer uma referência. Enquanto muitas empresas tentam segurar as tabelas e negociam caso a caso para firmar posição no mercado, outras apresentam ofertas com preços abaixo dos níveis de mercado, estabelecendo uma situação de difícil parâmetro.

Um importante agente de mercado de São Paulo, no entanto, já começa a ver luz no fim do túnel. Segundo ele, o momento é realmente um divisor de águas para o arroz e o comentário de um aquecimento a partir do final deste mês vem ganhando corpo. Um sintoma disso é o aumento da busca de informações e cotações de preços de marcas mais tradicionais por redes que vinham investindo significativamente em ofertas de marcas inexpressivas em busca de preços de ocasião. Tratam-se de redes que costumam estar bem informadas sobre a situação de mercado e operam com uma dianteira de uma semana a 15 dias sobre outras empresas.

A presença de uma das marcas “top” do Brasil em oferta de R$ 5,95 (5kg) numa grande rede paulista, não chegou a preocupar. Trata-se de um preço abaixo do mercado que busca atrair a clientela e com validade bastante limitada. As indústrias do Rio Grande do Sul e Santa Catarina ainda trabalham com preços médios – de tabela – de R$ 32,00 para o arroz tipo 1 – final em São Paulo. Muitas delas realizam concessões de até R$ 1,00. Esta foi a estratégia adotada por muitas indústrias do pólo de Santa Cruz do Rio Pardo na semana que passou. Operaram com o produto a R$ 31,00, ante os R$ 32,00 das últimas semanas.

O saco de arroz beneficiado de 60 quilos, tipo 1, é comercializado entre R$ 42,00 e R$ 44,00 dentro do Rio Grande do Sul, preço à vista excluso ICMS. Chega a São Paulo com o preço final entre R$ 60,00 e R$ 62,00. Há negócios, mas não chega a ser um volume expressivo.

DERIVADOS

Os derivados de arroz, apesar do bom volume de exportações obtidos este ano pelo Rio Grande do Sul e de não haver tanta matéria prima quanto no ano passado, seguem com preços bastante estáveis. O canjicão (60kg) é cotado nominalmente a R$ 21,50, mas há negócios a preços inferiores de acordo com a qualidade do produto. A quirera se mantém em torno dos R$ 16,00/R$ 16,50 e o farelo continua muito desvalorizado, cotado na faixa de R$ 7,00 (30kg).

MATO GROSSO

O Mato Grosso se mantém basicamente operando no abastecimento do mercado interno. A falta de produto fez os preços do arroz em casca aumentarem até R$ 2,00 por saco de 60 quilos esta semana. O produto é cotado a R$ 23,00 em Sinop e R$ 24,00 em Sorriso. Em Primavera do Leste a cotação é de R$ 24,00 e R$ 27,00 para Rondonópolis (FOB) e Cuiabá (CIF).

Começam a pipocar propostas de corretoras do Estado em busca de grandes volumes de produto “fraco” em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas com preços ainda muito abaixo do mercado em função do frete. Como o arroz “fraco” está com boa cotação no Sul, pela falta de matéria prima – muito produto foi comercializado no PEP e enviado para o Nordeste – o negócio não compensa e não foi realizado. Com a informação de que a Conab poderá liberar estoques no Norte do Brasil – em volumes ainda bastante limitados – cresce a esperança da indústria do Mato Grosso em ver algum produto do governo ser disponibilizado em setembro.

Um acordo da cadeia produtiva, fechado na última reunião da Câmara Setorial do Arroz, prevê a liberação do produto somente a partir da segunda quinzena de agosto, prazo que vence na próxima semana. Enquanto isso, arroz primavera de boa qualidade – acima de 50% de inteiros – está supervalorizado no Estado, diante do atual cenário, com produtores pedindo até R$ 27,00 por volumes muito pequenos.

SANTA CATARINA

No Sul de Santa Catarina o arroz em casca segue bem valorizado perante o produto gaúcho, já refletindo a escassez do produto nos estados do Centro-Oeste e até a valorização de preços no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Em Araranguá e Criciúma o preço mais comum é de R$ 21,00 (FOB) para o saco de 50 quilos e 58% de inteiros. Em Jaraguá do Sul o preço mais comum é R$ 18,50. O fardo de 30 quilos do tipo 1 é cotado a R$ 29,00 (FOB Sul catarinense) e R$ 31,00 (FOB) em Jaraguá do Sul./Joinville.

MERCOSUL

Apesar do Brasil exportar 49 mil toneladas de arroz (base casca) em julho, foram importadas 73 mil toneladas pelo país neste mês, 98% só do Mercosul. No ano as importações já são 5% maiores do que em 2005. Ainda assim, o volume de entrada de arroz é considerado “dentro da normalidade”. Uma enxurrada maior era esperada se os preços estivessem mais atrativos. O Mercosul está praticando preços acima dos patamares internos, principalmente em vendas para terceiros mercados como Irã, Iraque, Peru e até mesmo para a África. O arroz uruguaio beneficiado (10%) é cotado a 335 dólares/t (FOB Montevidéo) e o argentino (10%) a 320,00 dólares/t (FOB). O produto em casca do Uruguai é cotado a US$ 180,00/t e o esbramado a US$ 275,00/t (FOB Montevidéo). Os preços ainda não chegam a ser tão atrativos para a indústria brasileira, exceto em nichos de mercado e regiões com incentivos especiais criados pela guerra fiscal.

TENDÊNCIAS

Mais uma vez o mercado encontra-se em meio a uma queda de braço. O produtor não quer vender para sair do vermelho e alcançar ao menos o patamar dos preços mínimos (R$ 22,00 para o saco de 50kg/58%), mas muitos serão forçados pelo vencimento de parcelas de custeio, prorrogações antigas e outros compromissos. O varejo está comprando no limite mínimo permitido e não mantém mais estoques, com o mercado apostando numa tendência de aumento da demanda neste segmento. A indústria está entre os dois, pressionada para pagar mais pelo produtor e para cobrar menos no arroz beneficiado pelo varejo.

Apesar de um nítido aumento das consultas de preços pelo varejo e até de muitas indústrias estarem retomando posições do mercado do produto em casca, o movimento de oferta do produtor e demanda do varejo serão os fatores de definição do mercado em agosto. A maior parte dos analistas de mercado, no entanto, apostam em uma leve alta nos preços até o final do mês e uma recuperação mais significativa a partir de setembro. Coisa para ficar no patamar dos preços mínimos, talvez um pouquinho acima. Com o cenário atual, na próxima semana, pelo menos, dificilmente o mercado reagirá.

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