Mercado sem fôlego e sem VEP no Sul
O mercado de arroz no Rio Grande do Sul seguiu em queda esta semana, mesmo com a baixa comercialização registrada por causa do feriadão.
O feriado de Proclamação da República neste 15 de novembro, ampliado para feriadão por muitos segmentos da sociedade, ajudou a manter frio o mercado do arroz no Rio Grande do Sul e nas principais praças de comercialização do Brasil.
O feriadão ajudou a manter frio o mercado de arroz nas principais praças de comercialização do País. Na verdade, a semana não trouxe muito boas notícias para o segmento, a começar pela suspensão dos leilões de VEP, devido a um impasse entre os interesses da indústria e do governo. As empresas, lideradas por um megainvestidor do setor de alimentos, querem o mesmo prazo para a exportação e para o escoamento de arroz gaúcho para o Norte.
Outra má notícia, mas que já era esperada por todos, é o tamanho do estoque particular de arroz no Rio Grande do Sul. Levantamento do Irga apontou 1,18 milhão de toneladas. Computando o produto da Conab, indústrias e importações, este volume facilmente ultrapassa 2,5 milhões de toneladas. Mesmo com o VEP, o impacto nos preços não será tão significativo diante destes volumes.
– São volumes que justificam os preços atuais do arroz. O mercado já opera em faixa de preços que indica há muito tempo um excesso de produto no Rio Grande do Sul – afirma um consultor privado ouvido por Planeta Arroz.
Ele lembra que um dos problemas são as importações, que podem ultrapassar 1 milhão de toneladas em 2007.
– Não fossem as importações, o volume seria muito mais ajustado e o mercado estaria operando num patamar pelo menos R$ 5,00 acima do atual – considera.
Contudo, lembra que a liberdade de mercado e as assimetrias do Mercosul, que permitem à indústria brasileira comprar arroz mais barato na Argentina e no Uruguai do que nas lavouras da própria cidade do engenho, geram este desequilíbrio.
Com a semana de feriadão o varejo foi pouco às compras, expectativa que foi gerada para a próxima semana. Muitos produtores, preocupados com os valores das negociações, voltaram a ofertar arroz. Negócios confirmados de arroz de 58% de inteiros por até R$ 20,50 em Cachoeira do Sul, livre ao produtor. No caso, a relação entre vendedor e comprador faz muita diferença. No mesmo dia, volume de 7 mil sacos foi negociado a R$ 22,00 livre.
Os indicadores médios de R$ 22,00 são praticados também em Alegrete, Dom Pedrito, Rosário do Sul, Restinga Seca, Tapes, Guaíba, Arroio dos Ratos e Bagé. Camaquã, Pelotas, Itaqui e Uruguaiana trabalham com preços na base de R$ 23,00 a R$ 23,50 para o arroz colocado na indústria. Parboilizado até um real abaixo. Variedades nobres, dependendo do percentual de grãos inteiros, variam de R$ 23,00 a R$ 24,50 na maioria das regiões, chegando a R$ 25,00 no Litoral Norte. O indicador Cepea/Esalq/USP indica preços médios de R$ 22,22 para o arroz beneficiado, gaúcho, posto na indústria.
ESTADOS
Em Santa Catarina, com produção e demanda ajustadas, o mercado se mantém entre R$ 22,00 e R$ 23,00.
No Mato Grosso, depois do susto inicial das compras de arroz gaúcho e da ameaça de entrada de mais produto pelos leilões de VEP, o mercado voltou aos patamares anteriores. A Famato indica preços de R$ 30,00 em média para o arroz mato-grossense nas praças de Sinop e Sorriso. Trata-se de arroz primavera e com percentual de inteiros abaixo dos 50%. Um corretor da região informa que o arroz remanescente está valorizado pela absoluta falta de matéria-prima. Ainda assim, seguem as compras de arroz no Sul por algumas empresas.
BENEFICIADO
O mercado de arroz beneficiado esfriou esta semana com o feriadão, mas a época é dos supermercados fazerem os pedidos para a virada do mês. O preço do fardo de arroz gaúcho, tipo 1, e catarinense, se mantém entre R$ 34,00 e R$ 39,00, em média, dependendo da marca e posição no consumo. A média, para o arroz industrializado gaúcho é mantida em R$ 34,00. O catarinense fica em R$ 36,75 colocado em São Paulo.
O saco de arroz branco, 60 quilos, é cotado a R$ 47,00 no Rio Grande do Sul e chega a São Paulo por preços entre R$ 58,00 e R$ 60,00.
Os derivados apresentaram estabilidade nas cotações, nos preços desta semana, segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre. A saca de canjicão (quebrado) segue cotada a R$ 31,00. A quirera vale R$ 23,00 e o farelo R$ 290,00 a tonelada. A Mercado indica R$ 21,50 de preço médio à saca de arroz com 50 quilos (padrão 58% de inteiros), no Rio Grande do Sul.


