Mercado trava no Sul à espera de preços
Produtores e indústria reduziram as negociações e o varejo pressiona por preços mais baixos.
O mercado de arroz encerrou mais uma semana com comercialização travada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Manteve ainda o panorama de baixa comercialização, por falta de produto, no Mato Grosso. Os produtores reduziram a oferta de arroz a partir do vencimento dos compromissos de custeio, ao mesmo tempo em que os primeiros agricultores começaram a receber o financiamento da safra 2007/08. Em muitos casos, os recursos são restritos à área plantada na safra passada, quando o Rio Grande do Sul reduziu em mais de 10% a área em razão da estiagem e a falta de água nas barragens para garantir a irrigação.
Esta nova razão de restrição ao crédito levou dirigentes arrozeiros à Superintendência do Banco do Brasil na última sexta-feira para resolver o impasse. A posição do Banco do Brasil foi pedir o envio de casos que se enquadrem nesta situação para reavaliação e busca de uma posição da direção-geral em Brasília. Enquanto isso, a posição dos dirigentes das entidades dos produtores é de que a safra gaúcha, que tem grande expectativa, pode estar sendo prejudicada por dois fatores. A restrição ao crédito e demora na liberação de recursos de custeio, principalmente em razão do alongamento do parcelamento das dívidas das safras passada, associada à alta dos insumos e aumento de demanda por conta do salto de área de algumas culturas (como cana-de-açúcar e soja) no Brasil Central, estão levando os líderes a acreditar que a expectativa inicial de área e produtividade da lavoura gaúcha poderá não se concretizar.
Na última sexta-feira, a governadora gaúcha, Yeda Crusius, abriu oficialmente o plantio de arroz no Brasil para a safra 2007/08, na Estação de Pesquisas do Irga, em Cachoeirinha (RS). Não apresentou grandes notícias para o setor, exceto a promessa de R$ 450 mil para um laboratório de biotecnologia em 2008. Muitos arrozeiros aproveitaram o momento para lembrar que o Governo do Estado deve mais de 10 milhões ao Irga, por conta da retenção dos recursos da taxa CDO, paga pelos arrozeiros, no Caixa Único do Estado.
Na última quinta-feira, a Conab divulgou a estimativa da safra 2007/08 de arroz. O primeiro levantamento indica produção de 11,703 a 12,010 milhões de toneladas, acréscimo de 3,4% a 6,1% sobre as 11,316 milhões de toneladas de 2006/07. A área a ser plantada na temporada é estimada entre 3,006 e 3,060 milhões de hectares, diante dos 2,967 milhões/ha semeados na safra 2006/20, aumento de 1,3% a 3,1%.
A produtividade das lavouras foi estimada em 3,909 mil quilos por hectare, superior em 2,5% aos 3,814 mil kg/ha colhidos na última safra. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 6,697 a 6,950 milhões/t, um avanço de 4,3% a 8,3%. A área prevista é de 1,011 a 1,049 milhão de hectares, 6% a 10% acima dos 954 mil hectares de 2006/07. O rendimento deve ficar em 6.620 kg/ha, 1,6% inferior aos 6.726kg da anterior.
O Mato Grosso, pela projeção, fará uma safra de 730,6 a 753,4 mil toneladas, contra 734,3 mil toneladas de 2006/07. O rendimento não deve passar de 2.715 kg/ha, maior que produtividade de 2.620 quilos em 2005/06. Já a área indicada é de 269,1 a 277,5 mil hectares, com queda de 4% a 1% sobre os 280,3 mil hectares da safra anterior.
PREÇOS
A semana manteve o indicativo de preços na faixa de R$ 23,00 para negócios em Cachoeira do Sul, Alegrete, Santa Maria, Dom Pedrito e Guaíba, Rosário do Sul, São Gabriel, Bagé e Restinga Seca. Todavia, a indústria segue fora de mercado e sinaliza com R$ 22,50 para a saca de 50 quilos de arroz com 58×10. Os preços seguem estáveis no Litoral Norte, com R$ 25,00 a R$ 26,00 de referência para o arroz das variedades nobres com até 64% de grãos inteiros, e R$ 23,00 a R$ 23,50 para o 422.
Itaqui, Alegrete e São Borja, na Fronteira-Oeste, indicam R$ 23,50 a R$ 25,00 para a saca das variedades nobres, dependendo das características. Arroz para parboilizar recebe indicação de preços entre R$ 21,00 e R$ 22,00, dependendo da região e das condições de compra e venda. Mas, há pequeno volume de negociações concretizadas.
O indicador Cepea chegou a cair cinco centavos por saca esta semana, mas reagiu e fechou a sexta-feira com a mesma cotação da sexta anterior (28/9), em R$ 23,49. Preço médio válido para o arroz entregue na indústria no Rio Grande do Sul e com padrão de 58 de inteiros.
Em Santa Catarina o mercado segue com preços estáveis, entre R$ 22,00 e R$ 23,00, dependendo da região. No Mato Grosso, algumas grandes indústrias têm garantia de abastecimento até janeiro, enquanto as de menor porte seguem buscando matéria prima.
Preocupa o setor a possibilidade de Portaria 269 ser reavaliada e desclassificar o arroz de terras altas produzido na região para Tipo 2 ou abaixo. Mantidos preços entre R$ 28,00 e R$ 30,00 nas regiões de Sinop e Sorriso para arroz com mais de 50% de grãos inteiros.
INDÚSTRIA
A indústria gaúcha e a catarinense seguem fora de mercado, com informações de negociação bem abaixo das cotações para arroz depositado em algumas indústrias da região da Campanha e da Fronteira gaúcha. Os produtores reduziram bastante a oferta, a indústria se mantém fora do mercado e o varejo segue pressionando por preços menores, principalmente depois das notícias que apontam o arroz como um dos vilões do aumento da cesta básica em quase todas as capitais brasileiras em setembro.
As negociações de arroz quebrado seguem bem abaixo do desempenho de 2006, principalmente pela elevação das cotações do real frente ao dólar e crescimento da competitividade de produto asiático e do Mercosul. Assim sendo, a Corretora Mercado indica preços estáveis em R$ 32,00 para o canjicão, R$ 22,50 para a quirera e R$ 290,00 para a tonelada de farelo. A saca de 60 quilos, branco Tipo 1, tem média de R$ 47,00, chegando a São Paulo por R$ 58,00 a R$ 60,00.
O fardo do arroz Tipo 1, manteve média de R$ 33,50 a R$ 34,00 e negociações abaixo e acima deste valor dependendo da marca, do mercado e da relação entre a indústria e o varejo.


