Mesmo com notícias baixistas, mercado firme acumula alta em março
Colheita avança e aproxima-se de 50% no RS
Área maior do que o esperado e produtividade elevada no Rio Grande do Sul e no Uruguai, aliadas à dificuldade de exportar, não contiveram a valorização da matéria-prima.
A queda de braços entre oferta e demanda, e os estoques muito baixos do Mercosul, entre outros fatores, estão garantindo a elevação das cotações do arroz em casca no Rio Grande do Sul em março. O indicador de preços do arroz em casca (50kg/58×10, à vista) Esalq/Senar-RS abre nesta segunda-feira, dia 29, a R$ 87,18, equivalente a US$ 15,17, com 0,3% de valorização acumulada no mês. E a semana trouxe notícias, em tese, baixistas para o ambiente comercial.
O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) agregou mais 1.098 hectares à área total do Rio Grande do Sul, que subiu para 945.940 hectares semeados, graças à nova correção baseada nas vistorias e pesquisas dos seus núcleos municipais e coordenadorias regionais. Com isso, confirma-se o aumento de 1,3% (dos 935.262 hectares de 2019/20) sobre a safra passada. Além disso, a alta produtividade está surpreendendo, com rendimento acima de 8.900 quilos por hectare nestes primeiros 43,4% da lavoura que foram colhidos. A expectativa de a safra gaúcha confirmar mais de 8,4 mil quilos por hectare, pode levar a colheita para 7,86 milhões de toneladas, ou seja, de 386 mil até 586 mil toneladas a mais do que o previsto.Além disso, o Uruguai superou os 25% de área colhida e está superando 9 mil quilos de média por hectare.
O governo uruguaio já ventila uma área de 148 mil hectares a serem colhidas e perto de 1,3 milhão de toneladas de produção, de 80 a 100 mil toneladas a mais do que o inicialmente esperado. O setor produtivo uruguaio considera que a superfície semeada na atual temporada aproxima-se de 145 mil hectares, e confirma a ótima produtividade inicial.
Publicação da última semana, do Gain Report, confirmou que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Uruguai semeará 158 mil hectares na temporada 2021/22. O setor produtivo charrua, no entanto, considera as informações extremamente prematuras, pois a colheita da área atual nem chegou a 50%. Muitos fatores, internos e externos, vão interferir até julho/agosto, na tomada de decisão sobre o novo plantio. Com preços remuneradores, bom volume de exportação e clima favorável, entende a cadeia produtiva uruguaia que pode haver uma recuperação maior de superfície semeada com a agregação de tecnologias, mas dimensionar isso, agora, seria pura adivinhação. (atualizado em 31/3, às 9h30min)
Um aumento de até quase 700 mil toneladas somente levando em conta Rio Grande do Sul e Uruguai são preocupantes e podem mais do compensar a quebra importante do Paraguai (que pode chegar a 30%, ou 320 mil toneladas).
O Indicador Esalq/Senar-RS (58% grãos inteiros, com pagamento à vista) subiu nesta sexta-feira, 0,09% em relação a quinta-feira, encerrando o dia a R$ 87,18/sc de 50 kg. Apesar de os preços do arroz em casca seguirem firmes no Rio Grande do Sul, o posicionamento de compradores diverge. Parte dos agentes que conseguiu fazer bons estoques nos últimos dias se ausentou do mercado na sexta. Já os demandantes ativos reportaram dificuldades em encontrar caminhões disponíveis para o transporte dos lotes a serem efetivados e até mesmo dos já negociados anteriormente. Tradings seguem ativas no mercado, mas sem formar carga porque os preços seguem acima do viável para a exportação.
Com o mercado da Ásia firme – com alguns exportadores registrando alta na semana passada por questões cambiais e o frete – e o mercado físico nos Estados Unidos mantendo a estabilidade e mínimas oscilações no mercado futuro, o Mercosul tem garantido também alguma estabilidade. Exceção é o Uruguai que reajustou seus preços numa clara intenção de não exportar neste momento em que tem baixa oferta, pois sua colheita também atrasou bastante em relação ao comportamento histórico.
PREÇO AO CONSUMIDOR
Nas sete capitais que são alvo de pesquisas de preços de Planeta Arroz, não houve alteração significativa na semana que passou. Ainda assim, notou-se evolução do teto de preços e das mínimas. As ofertas do pacote de 5 quilos, branco, tipo 1, são mais raras e, em geral, ficam entre R$ 18,00 e R$ 20,00. É normal encontrar-se cotações entre R$ 23,00 e R$ 25,00 de marcas não tão tradicionais, e preços entre R$ 26,00 e R$ 28,00 para marcas mais populares, mas de renome. A média de preços para 1kg, branco, segue entre R$ 4,50 e R$ 6,65. As mínimas, para o arroz parboilizado, em 5 quilos, não mudam em relação ao branco. No entanto, na comparação com a média e o valor mais alto, nota-se uma diferença entre R$ 1,00 e R$ 2,00. As semanas de virada do mês têm sido marcadas por cotações firmes para o grão beneficiado.
As indústrias voltaram a apresentar tabelas reajustadas esta semana, em função da elevação do frete. E estas foram melhores assimiladas pelo varejo, que já repassou às gôndolas.
TENDÊNCIAS
A semana final do mês manterá essa tendência de preços entre estáveis e levemente mais altos nos supermercados e a queda de braços entre produtores e indústrias tende a aumentar. Apesar do câmbio, a valorização do arroz internamente segue definindo a baixa capacidade do Brasil concorrer no mercado externo. Muitos dos compradores tradicionais do Brasil e do Uruguai migraram em fevereiro/março para sondar negócios com o Paraguai.
Entre eles, Peru, Chile, Turquia e integrantes da comunidade europeia. Internamente, se acredita que março será um mês de estabilidade à uma mínima alta, o que dependerá de terça-feira, na reabertura dos negócios. A segunda-feira costuma ser de sondagens.


