Movimento Arrozeiro vai barrar o importado

Produtores rurais prometem fechar fronteiras esta semana, pressionando o governo .

A concorrência desleal do arroz importado do Mercosul e a revisão de tributos para o setor são as principais bandeiras do Movimento Arrozeiro, que promete realizar protestos em todo o Rio Grande do Sul nos próximos dias.

Em reunião ocorrida ontem, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e diversos sindicatos rurais gaúchos decidiram apoiar o setor arrozeiro e criar uma pauta única de reivindicações a ser negociada paralelamente com o governo federal, em Brasília.

– Queremos que haja maior sensibilidade do governo para dar à cadeia produtiva do arroz condições de competir com os vizinhos do Mercosul – afirma Francisco Schardong, presidente da Comissão de arroz da Farsul.

A data de início das manifestações não foi divulgada, mas o presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Valter José Pötter, afirmou que os produtores já estão se organizando regionalmente. De acordo com Sergio Renato de Freitas, presidente da Associação dos Arrozeiros de Santa Maria, manifestantes realizarão ainda essa semana protestos nas cidades de Itaqui e Quaraí, na Fronteira Oeste do Estado, para impedir a entrada de arroz da Argentina e do Uruguai, respectivamente, por tempo indeterminado.

– As manifestações começam ainda essa semana e não têm data para terminar – informou Freitas, sem confirmar se os protestos iniciariam amanhã conforme havia sido divulgado semana passada.

Nem mesmo o anúncio do ministério da Agricultura lançando o mecanismo de leilões de prêmio de risco de opções privadas para o produto em casca, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, fez os produtores recuarem. O primeiro leilão está marcado para quarta-feira. A expectativa do governo federal é retirar cerca de 1 milhão de toneladas de arroz do mercado interno.

Segundo o último levantamento semanal da Emater, a colheita da safra de arroz está concluída em 71% da área cultivada no Rio Grande do Sul.

O QUE PREJUDICA A SAFRA GAÚCHA

– Aumento da produção nacional
Em 2004, o Brasil bateu recorde, com 13 milhões de toneladas.
A tendência é de a produção crescer mais nos próximos anos.

– Preço baixo
Em Mato Grosso, a saca de 60 quilos do arroz tipo primavera (de boa qualidade) é adquirida por R$ 17 a R$ 20. Isso força a queda nos preços no mercado nacional.

– Excedente do Mercosul
Argentina e Uruguai têm sobra de 1,5 milhão de toneladas de arroz. Grande parte acaba vindo para o Brasil, que já produz o necessário para o consumo no país.

– Dólar baixo
A queda da moeda norte-americana em relação ao real tem favorecido as importações de arroz de outros países.

O QUE OS ARROZEIROS PRETENDEM

– Maiores taxas a importações
Setor quer sobretaxa de 35% ao arroz importado do Mercosul. A Argentina e Uruguai não pagam nenhuma taxa para exportar ao Brasil. Para os outros países, a taxa é de 12%, mas arrozeiros querem 50%.

– Bloqueio das fronteiras
Para pressionar o governo, arrozeiros impedirão a entrada de arroz do Uruguai e Argentina.

– Sem compras de insumos
Produtores não deverão fazer compras de máquinas e insumos nos próximos meses para conter despesas.

– Demissões no campo
Produtores estimam que 20 mil trabalhadores nas lavouras poderão ser demitidos após a colheita. Setor alega que não poderá pagar os salários.

– Aumento dos custo de produção
Produzir uma saca de 50 quilos está custando R$ 30a seca no Estado e no Mercosulcausou quebra de, em média, 8% na produção

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