MP do FRA deve ser editada nesta terça
O presidente da subcomissão especial do endividamento agrícola, deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), confirma que os recursos para a renegociação dos débitos dos produtores devem mesmo vir do Fundo de Amparo do Trabalhador FAT.
O governo federal deve editar nesta terça-feira (10) uma medida provisória (MP) criando o Fundo de Recebíveis do Agronegócio (FRA), instrumento para garantir o refinanciamento das dívidas entre produtores rurais e o setor privado desde a safra 2004/2005, calculada em R$ 4 bilhões. Os recursos destinados pelo governo para o apoio ao refinanciamento deverão ser de R$ 2,2 bilhões.
O presidente da subcomissão especial do endividamento agrícola, deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), confirma que os recursos para a renegociação dos débitos dos produtores devem mesmo vir do Fundo de Amparo do Trabalhador FAT. Segundo ele, a edição da medida provisória depende apenas de um aval do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT). E só não foi publicada ainda no Diário Oficial da União em virtude da troca de nomes promovida na reforma ministerial.
A MP está na mesa do ministro do Trabalho, já que os recursos do FAT é que garantirão a renegociação, explicou Heinze. O deputado garantiu que os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, da Casa Civil, Dilma Rousseff, e da Fazenda, Guido Mantega, já teriam ratificado a operação por meio da MP.
O PROGRAMA: A dívida dos produtores rurais com as empresas privadas será renegociada em quatro anos, com carência de dois anos, ou seja, a partir de maio de 2009, com vencimentos anuais até 2012. O produtor pagará juros de 5% ao ano, mais custos da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que hoje está em 6,5% ao ano. Os recursos do FAT voltarão ao governo por meio do Fundo de Recebíveis do Agronegócio (FRA) a ser criado. As empresas credoras darão 20% de desconto sobre a dívida com o produtor e depositarão o valor nesse novo fundo.
Os produtores que optarem por recontratar a dívida terão, necessariamente, de pagar, à vista, 10% da dívida, volume também destinado ao FRA. A MP deve prever ainda que o produtor troque as garantias hipotecárias de bens por garantias de produto na renegociação.
O novo fundo, formado então pelos 30% que virão do atual endividamento, garantirá, portanto, a cobertura de uma possível inadimplência na renegociação. O governo, por meio do Banco do Brasil, entrará ainda com uma parcela correspondente a 15% do total do endividamento.
Caso a inadimplência futura supere os 45% da dívida renegociada, o Citibank entrará como a instituição financeira que assumirá o risco da operação e que terá como garantia parte dos 20% depositados pelas empresas privadas. A participação do Citibank como instituição garantidora de dívidas agrícolas também será inédita.


