Não há euforia na safra gaúcha

Presidente do Irga afirma que os produtores gaúchos estão pensando em novos investimentos, na garantia do emprego e renda da metade sul (região mais pobre do Rio Grande do Sul) e no pagamento de securitização e Pesa. Segundo ele, a safra alcança um patamar maior do que no passado porque, com duros sacrifícios, houve agregação de tecnologias nas lavouras e o clima ajudou bastante.

O presidente do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), Pery Francisco Sperotto Coelho, afirmou ontem que não há nenhum tipo de euforia entre os produtores de arroz do Rio Grande do Sul, seja em função do preço ou da boa safra que está sendo colhida este ano. Segundo ele, apesar da produção obtida na safra, favorecida pelo clima e o aporte de alta tecnologia na safra 2004, as entidades e os produtores arrozeiros do sul estão com os pés muito firmes no chão, encarando uma realidade difícil.

O aumento dos patamares de produção de arroz no Rio Grande do Sul e no Brasil, nesta safra, é resultado de uma evolução de todo o agronegócio nacional, do clima e da tecnologia, segundo Sperotto Coelho. “Há um crescimento normal”, afirma, descartando o rótulo de supersafra que têm sido propagado no centro do país. O presidente do Irga ainda lembra que o fato dos arrozeiros estarem obtendo rentabilidade nesta fase da safra é positivo, mas não é comemorado.

Segundo ele, a lavoura gaúcha de arroz irrigado está pressionada pela necessidade de realizar grandes investimentos tecnológicos em busca de alta produtividade e competitividade internacional (para evitar por exemplo a aquisição de produto importado com subsídio na origem) e também por dívidas históricas que estão sendo pagas, como securitização, Pesa e outros mecanismos.

Estas dívidas, em processo de amortização, geram um peso muito grande na safra gaúcha e que, ao observar apenas produção e preços, os analistas não conseguem identificar. “É preciso entender que o produtor de arroz suportou perdas em seis planos econômicos, equívocos em volumes de importação que geraram altos estoques e excedente no mercado interno e toda a sorte de interferências do clima ao longo de mais de 20 anos”, destaca Pery.

Ele lembra, ainda, que o sucesso das últimas duas ou três safras se deve a fatores internos, como a busca incessante pela tecnologia e profissionalização do setor, administração da oferta por parte dos produtores e redução dos estoques brasileiros. Há também fatores externos, como queda da produção mundial frente ao consumo, aumento do preço dos fretes internacionais e do próprio produto no mercado externo.

O presidente do Irga ainda destacou o fato de que a rentabilização da lavoura de arroz, apesar de ser ditada por questões de mercado, sinaliza para a valorização de quem produz o alimento básico da mesa do brasileiro e que não houve reflexo de aumento de preços no varejo. “Sem contar que o dinheiro que entra com a venda da safra tem alto valor social, gerando e mantendo milhares de empregos e renda para a metade sul do Rio Grande do Sul, região mais empobrecida do estado e cuja economia tem o arroz como base de sustentação”, enfatiza.

Além disso, diz ele, a garantia de rentabilidade mínima para produtores que, por muitos anos, em algum momento precisaram vender o produto abaixo do custo de produção para garantir a sobrevivência, é uma questão de justiça e garantia de novos investimentos no agronegócio e fortalecimento de aspectos sociais e econômicos em uma região empobrecida e altamente dependente da cultura.

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