Negociações agrícolas na OMC começam a avançar

O diretor-geral reconheceu que a iniciativa dos EUA de reduzir o subsídio aos agricultores deu “novo impulso” à negociação e é uma “importante contribuição” para futuros avanços.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, reconheceu nesta sexta-feira (14-10) que as negociações para a liberalização agrícola “estão decolando”, mas advertiu que as posições entre os países ainda são muito díspares.

Após três dias de intensas negociações entre os países da OMC e a reunião de um comitê de negociações comerciais do organismo, Lamy afirmou que “agora é o momento de passar das fórmulas gerais para os compromissos específicos”.

O diretor-geral reconheceu que a iniciativa dos EUA de reduzir o subsídio aos agricultores deu “novo impulso” à negociação e é uma “importante contribuição” para futuros avanços. Os EUA ofereceram reduzir em 60% os subsídios agrícolas à produção e exportação, desde que Japão e União Européia cortem suas ajudas em 80%. Os Estados Unidos gastam US$ 19,1 bilhões em seus principais programas de ajuda, enquanto a Europa gasta o triplo deste valor.

Os 148 países da OMC se reunirão de 13 a 18 de dezembro em Hong Cong para analisar as modalidades da liberalização comercial nos setores de agricultura, serviços, acesso a mercados para produtos industrializados e regras de comércio, entre outros. “Hong Cong é só uma parada até que cheguemos a nosso destino final em 2006”, disse Lamy em alusão à conclusão da rodada do Desenvolvimento de Doha (2001), prevista para o fim do próximo ano.

Esta semana, tanto os EUA como a União Européia (UE) e os Grupos dos Dez (G-10, países desenvolvidos e importadores de produtos agrícolas) e dos Vinte (G-20, nações em desenvolvimento que incluem algumas das grandes exportadoras) apresentaram propostas para desbloquear as negociações agrícolas, mas nenhuma satisfez a todos. Todas as propostas se referem ao apoio interno aos agricultores, às subvenções à exportação e ao acesso aos mercados.

Peter Mandelson, comissário de comércio da UE, disse que EUA e Europa deveriam apresentar proposta conjunta de corte de subsídios. O secretário de Tesouro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, disse que a Europa deveria aceitar a proposta americana de corte de subsídios.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter