Negociações do setor agrícola terminam o dia em impasse
Preço do arroz é um dos fatores que dificultam a negociação entre governo e produtores.
As negociações em torno de novas medidas para socorrer o setor agrícola ficaram num impasse ao longo de todo o dia desta sexta-feira 30. À noite, num esforço para chegar a um entendimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com os ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, da Fazenda, Antonio Palocci, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Enquanto isto, os deputados e senadores da bancada ruralista aguardavam o resultado da reunião no gabinete de Rodrigues.
Segundo o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), até o começo da noite as negociações estavam centradas em dois pontos: o aumento do preço mínimo para o arroz e a postergação dos pagamentos da dívida de custeio, cujos vencimentos ocorrem entre julho e novembro. Além disto, os participantes do tratoraço não consideraram suficientes os R$ 3 bilhões em novos recursos anunciados ontem e exigiam mais R$ 3 bilhões.
O governo concordou em elevar o preço mínimo do arroz, de R$ 22 para R$ 23 a saca, segundo o deputado Luiz Carlos Heinze (PT-RS). Os agricultores, porém, batiam o pé e exigiam R$ 24,00. No entanto, o governo não concordou em adiar o vencimento das dívidas dos agricultores, alegando que a falta de pagamento neste ano prejudicaria o financiamento da próxima safra.
Além disto, causou irritação nos manifestantes o fato de o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não comparecer a uma reunião técnica que havia sido combinada ontem. Esta reunião, com Rodrigues e Mercadante, havia sido marcada para as 10 horas da manhã. Palocci pediu para adiar porque iria à posse do novo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. O encontro foi adiado para as 13h30 mas não ocorreu. Pouco antes das 16h00, a assessoria de imprensa de Palocci anunciou que ele não iria à reunião, pois já teria conversado com Rodrigues no Planalto.
Na avaliação do deputado Ronado Caiado (PFL-GO), a indefinição sobre o encontro “mostra que o governo está empurrando com a barriga” as decisões que devem tomar. Ele colocou em dúvida a intenção do Ministério da Fazenda em cumprir o que havia sido informalmente anunciado ontem, a liberação de R$ 3 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Sugeriu, ainda, que o governo desloque verbas inicialmente previstas para o Moderfrota, um programa do BNDES para financiar a compra de máquinas e equipamentos, e coloque o dinheiro à disposição para os agricultores rolarem suas dívidas.
Segundo Heinze, os produtores insistem na renegociação das parcelas do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) e securitização que vencem neste ano, totalizando R$ 300 milhões. “Se o produtor não tem condições de pagar a dívida de investimento e de custeio, também não terá condições de quitar os débitos do Pesa e da Securitização”, afirmou. O governo, porém, não quer ceder neste ponto.


