Nova classificação ameaça cultura do arroz

Nesta safra o arroz Cirad 141 não está conseguindo classificação de longo fino. A Conab orientou os produtores a misturar com o longo fino (primavera) o que é permitido por lei, para assegurar a classe. Mesmo assim, o produto, agora classificado como longo, está sofrendo a interferência de mais um fator baixista nos preços.

A decisão do governo federal de não classificar mais o arroz Cirad 141 como “longo fino” está preocupando a Associação dos Produtores de Arroz Mato Grosso (APA), sementeiros, agricultores e toda a cadeia produtiva do cereal no Estado. Se a medida não for reconsiderada, o preço estipulado pelo governo para aquisição da variedade cairá dos atuais R$ 20,70 para R$ 13,00, tornando inviável a orizicultura mato-grossense.

No final da semana, a APA, cuja sede funciona em Sinop, encaminhou documento à Superintendência Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, em Várzea Grande, manifestando a preocupação do setor arrozeiro com a decisão do governo. No documento, a entidade pede o apoio do superintendente Paulo Antonio Bilego da Costa, lembrando que toda a cadeia produtiva do arroz “corre o risco de perder todas as conquistas de produtividade e qualidade que fazem de Mato Grosso referência em nível mundial para a cultura do arroz de terras altas ou de sequeiro”.

Segundo o presidente da APA, Ângelo Carlos Maronezzi, atualmente o arroz Cirad (abreviatura de Centro de Cooperação Internacional de Pesquisa para Desenvolvimento da Agricultura) 141 ocupa 55% das áreas produtoras de arroz no Estado. No restante da área é plantada a variedade Primavera. A preferência pelo Cirad 141, que está no mercado há nove anos, é porque se trata de uma variedade rústica e com alta produtividade.

De acordo com Maronezzi, a alteração na classificação do Cirad 141 vai gerar um déficit de 35 milhões de quilos de sementes, causando um grande prejuízos aos sementeiros. Estima o presidente da APA que os prejuízos do setor arrozeiro com a mudança de classificação do arroz será de cerca de R$ 500 milhões. E destaca também que não há mais tempo de se produzir sementes para atender à demanda do mercado.

CLASSIFICAÇÃO

Para se classificado como “longo fino”, é necessário que a semente tenha no mínimo 6 mm de comprimento e no máximo 1,90 mm de espessura. Mas em alguns casos foram detectadas lavouras com grãos do cereal com 1,91 e até 1,94 mm de espessura. O presidente da APA acredita que o desenvolvimento dos grãos de arroz é resultado de lavouras preparadas com alta tecnologia para alcançar grande produtividade, aliado a um bom regime de chuvas.

No documento, a APA sugere seja mantida a classificação de “longo fino” para o Cirad 141 para as safras 2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008. Com isso, as empresas de pesquisas teriam condições de desenvolver novas cultivares de arroz de qualidade e alta produtividade. Hoje, o custo de produção da saca de arroz de 60 quilos gira em torno de R$ 16,30, R$ 3,00 a mais do que o valor da nova classificação do Cirad 141.

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