Operação de arrozeiros tenta frear procura no leilão
É consenso entre os produtores que o resultado do leilão poderia ser melhor.
Mesmo acompanhando de perto e dando ordens de viva voz aos corretores nas três bolsas gaúchas que atuaram no leilão de contratos de opção de arroz, os arrozeiros gaúchos não conseguiram segurar o ágio nos níveis pretendidos.
Incluindo a corretagem e outras taxas, o pregão de ontem terminou com um custo de R$ 1,16 por saca de 50 quilos de arroz – o que na prática significa que, dos R$ 24 garantidos pelo governo pela saca para outubro, apenas R$ 22,84 entrarão no bolso do produtor que tiver o contrato na mão.
Considerando que o valor inicial do prêmio – preço pago pelo agricultor ou cooperativa para disputar os contratos – e as taxas somavam R$ 0,25, o ágio foi de R$ 0,91. O resultado desagradou à categoria.
– Houve algum exagero na compra de opções. Estávamos com a expectativa de um ágio de, no máximo, R$ 0,50 – disse Valter Pötter, presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Estado (Federarroz).
Quando o leilão começou, às 9h, havia propostas para a aquisição de mais de 5 mil contratos, e apenas 2.296 ofertados. Para que a procura se reduzisse até os níveis da oferta, o valor do prêmio subiu gradativamente. À medida que o ágio aumentava, crescia também a tensão dos produtores. Pouco antes do final do pregão, o diretor da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Amilton Soares, lamentava-se, sentado em uma das cadeiras da Bolsa Brasileira de Mercadorias, em Porto Alegre:
– Nós estamos jogando dinheiro fora. O governo está nos dando e a gente está jogando fora.
Inquieto, o diretor da Federarroz Marco Aurélio Tavares andava de um lado para o outro, com o celular ao ouvido. Comunicava-se com produtores presentes nas bolsas de mercadorias de Pelotas e Uruguaiana.
A estratégia, entretanto, funcionou com mais eficiência apenas em Porto Alegre e foi atrapalhada por lances dados por produtores gaúchos por meio da bolsa de Maringá, no Paraná.
– Aqui, atendemos à solicitação da cadeia para que não houvesse exagero nas ofertas. Tanto que normalmente 70% dos contratos são comprados pela BBM e, desta vez, ficamos com 50% – afirmou o vice-presidente da BBM Ronaldo Carvalho.
OS NEGÓCIOS
– Os leilões de contratos de opção públicos e privados negociaram 140.346 toneladas de arroz em casca colhido no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O volume representou 94% do total ofertado. Nas opções privadas foram 65.340 toneladas e nas públicas, 75.006 toneladas (100% da oferta).


