Preços mundiais do arroz continuam sob pressão

 Preços mundiais do arroz continuam sob pressão

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Em meados de maio, o índice IPO mantinha-se firme, marcando 190 pontos

(Por Agrolink) Em abril, os preços mundiais do arroz subiram em média 3%, devido principalmente ao aumento das exportações para os países do Sudeste Asiático e da África Subsaariana. No entanto, a volatilidade continua elevada e, por enquanto, não parece delinear-se nenhuma tendência estável. Os preços continuam sendo afetados por conflitos geopolíticos. Aumentos nos preços da energia e nos custos logísticos, que subiram 20%, exercem pressão sobre a oferta e a demanda, levando a um comércio mais moderado. A Tailândia parece particularmente afetada pelo conflito no Oriente Médio, após a suspensão das exportações para o Iraque, compensada em parte por um aumento nos volumes exportados para a Malásia e as Filipinas. Dadas as incertezas sobre o abastecimento mundial, vários países asiáticos começaram a aumentar suas reservas. Estima-se que a Indonésia tenha aumentado suas reservas domésticas para um nível recorde de 4,8 Mt. Já os estoques mundiais aumentaram e podem atingir um novo recorde de cerca de 220 Mt, o que representa um aumento de 4,5% em relação à safra anterior. Em contraste, a produção mundial pode sofrer uma mitigação, ou mesmo uma queda, devido ao aumento dos preços dos fertilizantes e ao risco de redução das áreas plantadas e dos rendimentos. Alguns analistas já antecipam uma queda nos rendimentos entre 10% e 15%. No entanto, a oferta mundial continua abundante, o que deve limitar tendências altistas nos preços mundiais do arroz nos próximos meses.

m abril, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) subiu 5,2 pontos para 182,5 pontos (base 100 = janeiro de 2000), contra 177,3 pontos em março. Em meados de maio, o índice IPO mantinha-se firme, marcando 190 pontos.

Produção mundial

Segundo as últimas estimativas da FAO, a produção mundial de arroz em 2025 teria aumentado 2%, atingindo um nível recorde de 848,5 Mt (563,4 Mt base beneficiado), contra 831,7 Mt em 2024. Esse nível histórico reflete as boas safras registradas na Ásia pelo terceiro ano consecutivo. Na Índia, a produção aumentou 1,7%, apesar das condições climáticas contrastantes, assim como em Bangladesh e na Indonésia, graças à expansão das áreas cultivadas. A produção chinesa também se recuperou, mas apenas em 0,6%. Esses quatro países são os principais motores do crescimento da produção mundial. Em contraste, na África Subsaariana, a produção teria sofrido uma queda em 2025, assim como nos Estados Unidos, onde a produção diminuiu devido às inundações nas regiões produtoras do sul. Já no Mercosul, e em particular no Brasil, a produção registrou um aumento de 20% em relação a 2024. Em 2026, a produção mundial poderia diminuir devido ao aumento dos custos de produção e às previsões de um regime pluviométrico menos favorável nas regiões produtoras do sul e sudeste da Ásia.

Comércio e estoques mundiais

O comércio mundial de arroz em 2025 aumentou 1,5%, para 61 Mt, contra 60,1 Mt em 2024. Esse aumento moderado deve-se à contração da demanda do Sudeste Asiático, especialmente da Indonésia, praticamente ausente do mercado de importação em 2025, ao contrário do que ocorreu em 2024. Nas Filipinas, as importações caíram 15%, após o período de suspensão das importações durante o último trimestre de 2025. Por outro lado, as importações chinesas registraram um salto de 35%, aproveitando a queda dos preços mundiais. No entanto, o comércio mundial em 2025 foi impulsionado sobretudo pela demanda africana, principal polo de importação mundial, onde as compras externas de arroz aumentaram 15% em relação a 2024. Em 2026, as últimas projeções indicam uma redução do comércio mundial de 1,6%, para 60 Mt. Apesar da queda, o comércio mundial continua elevado, refletindo as perspectivas de crescimento da demanda da África Subsaariana, bem como a recuperação das importações da América Central e do Caribe.

Os estoques mundiais de arroz, no final de 2025, registraram um aumento expressivo de 5,4%, atingindo 210,5 Mt, contra 199,7 Mt em 2024. As reservas chinesas aumentaram 1%, para 102 Mt. A China continua acumulando quase metade das reservas mundiais, o que equivale a 70% de seu consumo interno. Isso reflete uma sólida estratégia de segurança alimentar. Na Índia, as reservas voltaram a crescer 12% em relação à safra anterior, graças a uma nova melhoria na produção. Os estoques dos principais países exportadores teriam atingido 70 Mt em 2025, representando um terço dos estoques mundiais. Em 2026, as últimas projeções indicam um novo aumento dos estoques mundiais de 4,5%, atingindo assim um novo recorde de 219,8 Mt, o que equivale a 40% do consumo mundial de arroz, ou seja, 4,8 meses de consumo mundial.

O informativo mensal é elaborado por Patricio Méndez del Villar, pesquisador do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD, www.cirad.fr) da França. O informativo é veiculado em quatro idiomas: Francês (Osiriz), Espanhol (InfoArroz), Inglês (InterRice) e Português (InterArroz). Todos os direitos reservados. Osiriz, InfoArroz, InterRice e InterArroz são marcas registradas. Qualquer reprodução, mesmo parcial, é permitida sob autorização prévia do autor.

Na Índia, os preços do arroz apontaram uma tendência altista, compensando a queda de março, devido à redução dos fluxos comerciais, principalmente com o Oriente Médio. No início de maio, os preços indianos voltaram a cair, mas recuperando-se em meados do mês. Isso ilustra a volatilidade dos preços mundiais, devido às tensões geopolíticas e ao aumento dos custos de transporte. A essa instabilidade somou-se a suspensão de alguns lotes destinados à China após suspeitas de arroz transgênico. No entanto, a Índia prevê exportar 24 Mt em 2026, o que representa 40% do comércio mundial de arroz. Em abril, o arroz branco indiano 5% manteve-se praticamente inalterado, registrando uma média de $ 343/t FOB. Já o arroz parboilizado manteve-se relativamente estável em $ 346, contra $ 347 anteriormente.

Na Tailândia, os preços subiram 4% em um contexto de forte concorrência entre os principais fornecedores. As perturbações no comércio com o Oriente Médio também representaram um obstáculo. Esse mercado representa cerca de 20% das exportações tailandesas de arroz. Em março, as exportações caíram 22% em relação ao mês anterior e apresentam um atraso de 10% em comparação ao ano passado no mesmo período. No total, as exportações poderiam cair 11%, para 7 Mt em 2026. Em abril, o preço do arroz tailandês 100%B marcou $ 391, contra $ 375 em março. O arroz parboilizado também se valorizou para $ 390, contra $ 384 anteriormente. O arroz quebrado A1 Super subiu 2,5%, para $ 361, contra $ 352. Em meados de maio, os preços de exportação tailandeses continuavam firmes, já que os moinhos adiavam suas vendas diante da recuperação do mercado interno.

No Vietnã, os preços de exportação se recuperaram significativamente graças ao aumento da demanda por importações, em parte devido aos temores de interrupções no abastecimento. O Vietnã registrou um aumento notável em suas exportações, especialmente para as Filipinas, seu principal mercado, representando atualmente mais da metade das exportações vietnamitas. A China também aumentou suas compras de arroz vietnamita. Por outro lado, o Vietnã busca ampliar suas exportações para a África, que já representa 15% de suas vendas. Em abril, o arroz Viet 5% foi negociado a um preço médio de $ 378, contra $ 354 anteriormente. O Viet 25% atingiu $ 354, contra $ 329. Em meados de maio, os preços continuavam firmes.

No Paquistão, o aumento dos preços do arroz foi mais moderado devido a uma menor demanda. Estima-se que as exportações paquistanesas apresentem um atraso de 13% em relação ao ano passado no mesmo período. O Paquistão também busca diversificar seus mercados, particularmente na China, no Sudeste Asiático e na África, bem como no hemisfério ocidental. Em abril, o Pak 5% se negociou a $ 353, contra $ 350 em março. Em meados de maio, os preços permaneciam estáveis.

Na China, a demanda por arroz está aumentando, especialmente de origem indiana, apesar das preocupações internas quanto à presença de OGM em alguns lotes de arroz quebrado. As importações de arroz cambojano também se reativaram. Essas compras refletem a diversificação das fontes de abastecimento da China. Em 2026, as importações chinesas poderão ultrapassar os 3 Mt.

Nos Estados Unidos, os preços do arroz caíram ligeiramente em 1%. Apesar da concorrência dos países do Mercosul, as exportações aumentaram notavelmente em abril, atingindo 270 000 t, contra 145 000 t em março, mas continuam apresentando um atraso de 13% em relação ao ano passado na mesma época. O Japão é atualmente o principal mercado, com cerca de 20% das exportações americanas. Em abril, o preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 registrou uma média de $ 545/t, contra $ 551 em março. Em meados de maio, o preço mantinha-se estável em torno de $ 540. Na bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz casca recuaram 1%, $ 241/t, contra $ 243 em março. Em contraste, em meados de maio, os preços futuros valorizavam-se em torno de $ 263.

No Mercosul, os preços de exportação voltaram a subir, entre 8% e 12% segundo a origem. Os arrozes brasileiros registraram aumentos significativos, em função das vendas externas que avançam a bom ritmo. O preço indicativo do arroz casca brasileiro se fortaleceu novamente em 11%, para $ 249/t, contra $ 224 em março. Em meados de maio, o preço do arroz casca continuava firme em $ 251.

Na África Subsaariana, os mercados internos estão bem abastecidos e os preços ao consumidor permanecem relativamente estáveis. Essa estabilidade deve-se em grande parte à presença constante de arroz importado a preços mais competitivos em comparação com o arroz local. No entanto, alguns países, em particular Burkina Faso, tentam restringir as importações de arroz para melhorar a comercialização do arroz doméstico. No entanto, a África continua enfrentando o desafio da autossuficiência em arroz. Apesar das políticas de apoio às cadeias produtivas locais, as importações de arroz continuam aumentando, representando um terço das importações mundiais.

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