Pacífico segue aquecendo e El Niño deve se estabelecer em junho
Mapa global da anomalia da Temperatura da Superfície do Mar, mostrando regiões mais quentes (tons de laranja/vermelho).
Condições meteorológicas ocorridas em abril de 2026 no estado do Rio Grande do Sul (RS)
(Por Por Jossana Ceolin Cera) O mês de abril foi de pouca chuva em boa parte da Metade Sul do Estado. A maioria das regiões teve acumulados abaixo dos 120 mm. A exceção foi o Noroeste e parte da Fronteira Oeste (região de São Borja), onde os acumulados foram superiores aos 160 mm (Figura 1A). As anomalias de precipitação foram negativas em quase toda a Metade Sul (Figura 1B).

Houve certa frequência nas precipitações, porém em baixos volumes acumulados (Figura 2). Já as temperaturas do ar estiveram altas no início do mês, ao redor dos 30°C, e abril terminou com clima de inverno, com mínimas na casa dos 4°C. Mas, a média mensal da temperatura ficou com anomalia positiva, segundo dados do INMET.

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño – Oscilação Sul) e perspectivas
Segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 14 de maio de 2026, o sistema acoplado oceano-atmosfera, no Oceano Pacífico Equatorial, refletiu as condições Neutras do ENOS (El Niño – Oscilação Sul), mas já destacando a tendência em direção ao El Niño.
Analisando o mapa da anomalia da temperatura da superfície do mar, nota-se o avanço das águas mais quentes em direção ao Oceano Pacífico Equatorial, sobretudo sobre a região do Niño 3.4 (Figura 3).
No boletim mensal divulgado pela NOAA, a anomalia mensal na região do Niño 3.4 foi de +0,5°C em abril (e este valor é baseado no ONI, pois pela metodologia antiga já são seis semanas em que a região está em limiar de El Niño; pela metodologia nova – RONI – se está a apenas duas semanas em limiar de El Niño).
Ainda pelo método antigo, a região Niño 1+2 está com anomalia de +1,5°C. A anomalia trimestral (Fev-Mar-Abr/2026), considerando o índice ONI relativo (RONI) foi de -0,5°C, ainda caracterizando a fase fria do ENOS; já pela metodologia antiga (ONI), a anomalia foi de +0,1°C. Apenas para lembrar, a NOAA mudou a metodologia de cálculo, de ONI para RONI, tema já debatido em boletins anteriores.

A NOAA prevê que o El Niño vai se estabelecer no trimestre Mai-Jun-Jul/2026, com 82% de probabilidade. E o fenômeno deverá chegar à sua intensidade máxima entre os meses de Nov/2026 e Jan/2027, sendo que há 30% de chance de ser forte (anomalia entre +1,5 e +1,9°C) e 37% de ser muito forte (anomalia superior a +2,0°C).
O bolsão de águas subsuperficiais, com anomalias positivas de temperatura, segue ativo, e em intensificação, ao longo dos últimos meses na região equatorial (Figura 4). Há áreas com anomalias acima dos 6°C, ou seja, essas águas vão aflorar em superfície nas próximas semanas, dando sustentação e intensidade ao aquecimento e, na sequência, ao El Niño.
Previsão de precipitação – trimestre junho, julho e agosto de 2026 no RS
Para esse trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica precipitação próxima aos valores da Normal Climatológica (NC) na Metade Sul, com leve tendência de aumento. Já para a Metade Norte, há 40 a 45% de chance de a precipitação ficar acima da NC. O modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, prevê precipitações abaixo da NC, em praticamente todo o RS em junho; próximo à NC em julho e tendência de ser acima da NC em agosto.
Por sua vez, o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê aumento no volume das precipitações, tanto que a anomalia prevista é positiva para os próximos três meses (Jun-Jul-Ago) (Figura 5).

O El Niño deve ser declarado pela NOAA na próxima atualização, que ocorrerá na segunda semana de junho. A maioria dos modelos analisados indica chuva acima da média para o próximo trimestre (Jun-Jul-Ago), principalmente agosto. Ou seja, a qualquer momento haverá a virada de chave, com o aumento gradual na frequência das precipitações e volumes acumulados.
O mês de maio tem tido vários dias de tempo seco, que devem ser aproveitados para fazer o preparo antecipado das áreas para a próxima safra agrícola, visto que parte do inverno deverá ser mais chuvoso.
Lembrando que a semeadura feita na época recomendada é o primeiro passo para se obter altas produtividades. Com relação à escolha das áreas para a safra 2026/27, deve-se evitar, na medida do possível, aquelas que são suscetíveis à enchente, devido ao grande risco, principalmente se a ideia seria utilizar soja ou outra cultura de sequeiro.
Recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.


