Painel destacou os usos alternativos do arroz
A substituição por alimentos mais saudáveis faz com que o mercado do arroz precise se diversificar, criando novos produtos, afirmou a debatedora Ursula Lanfer Márquez.
“Nos últimos dez anos, as mudanças nos hábitos alimentares dos consumidores mundiais fez com que o mercado buscasse diversificação nos produtos. A substituição por alimentos mais saudáveis faz com que o mercado do arroz precise se diversificar, criando novos produtos”, afirmou a debatedora Ursula Lanfer Márquez, encerrando um dos painéis do IV Congresso Brasileiro de Economia Orizícola e I Congresso Latino-americano de Economia Orizícola, encerrados nesta sexta-feira em Porto Alegre.
O painel abordou o tema Usos Alternativos e Subprodutos do Arroz e os palestrantes debateram a importância funcional do arroz na alimentação. “O arroz, apesar de ter propriedades funcionais, ainda não é considerado um alimento funcional, pois precisa agregar alguns requisitos para ser considerado como tal. É o alimento do momento e necessita de mais estudos”, considerou Ursula.
A debatedora destacou ainda que é necessário agregar valor ao farelo de arroz, que contém substâncias bioativas com efeitos benéficos para a saúde. Ursula parabenizou a exposição dos colegas e destacou a importância de se somar esforços para que se desenvolvam não só pesquisas, mas produtos economicamente viáveis e nutritivos.
O palestrante Manoel Schirmer, professor da Universidade Federal de Pelotas (RS), fez a correlação entre as variedades e propriedades do arroz. A professora Márcia Goularte, também da UFPEL, mostrou uma pesquisa apontando as preferências mundiais entre as diversas variedades do grão de acordo com a cultura de cada povo. Também destacou diferenças de preferência entre o arroz branco e o parboilizado entre consumidores dos diversos continentes.
Na mesma linha, o professor Moacir Elias comentou que as mudanças nos hábitos alimentares criam demandas para novos nichos de mercado. “Hoje o arroz é a base da cozinha rica em diversas partes do mundo. É necessário escolher a variedade a ser plantada de acordo com o mercado que se quer conquistar”, comentou.
A palestrante Leila Piccoli da Silva, professora da Universidade Federal de Santa Maria (RS), falou sobre as propriedades funcionais do arroz, fazendo um breve apanhado histórico da cultura do grão no país. Nos anos 80 começou-se a produzir grãos com maior qualidade para atender às exigências do mercado. Na década de 90, com o mercado mais concentrado nos centros urbanos, foram desenvolvidas novas cultivares com maior qualidade nutricional.
Atualmente, surge o novo conceito de alimentos funcionais, que tem como característica a prevenção e cura de doenças relacionadas à má alimentação. “Neste mercado mais exigente, o arroz deve ser introduzido, divulgando-se as propriedades nutricionais de seus subprodutos, como farelo, fonte de fibras, orizanol (substância antioxidante e repositora de massa muscular), proteínas e ácido fítico – IP6 (inibidor de células cancerígenas)”, afirmou Leila.
“O mercado de alimentos funcionais está crescendo e o consumidor desconhece as propriedades do arroz”, salientou o coordenador da mesa, Gilberto Amato.
O professor Moacir destacou a importância da qualidade da matéria prima para a indústria de alimentos. “Hoje o arroz é um alimento nobre e passou a ser de interesse de estudo”, afirmou, mostrando o resultado de uma pesquisa do laboratório da UFPEL que relaciona o desempenho de cada variedade com a faixa de umidade do terreno, além de mostrar as diferenças entre as variedades na lavoura, na colheita e na secagem dos grãos.
Por último, o palestrante Sérgio Flora apresentou o case da “Massa de Arroz”, produto criado por ele e que é o carro-chefe de sua empresa – Santo Donato Flora – e afirmou: “O limite do produto está na nossa capacidade de criar”.


