Países do Mercosul brigam contra subsídios do arroz
Os pesados subsídios dados pelos Estados Unidos à produção de arroz, que somaram US$ 5,8 bilhões entre 1999 e 2002 – o equivalente a 145% do valor da safra do produto, de US$ 4 bilhões -, é o foco da discussão dos países produtores do grão que estão reunidos na Argentina.
Os pesados subsídios dados pelos Estados Unidos à produção de arroz, que somaram US$ 5,8 bilhões entre 1999 e 2002 – o equivalente a 145% do valor da safra do produto, de US$ 4 bilhões -, é o foco da discussão dos países produtores do grão que estão reunidos na Argentina. “Após a reunião, provavelmente vamos solicitar ao Ministério da Agricultura a abertura de um processo contra os subsídios na Organização Mundial do Comércio (OMC)”, afirma o presidente do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), Pery Sperotto Coelho.
O presidente do Irga diz que o setor, no Mercosul, está no momento que ele considera “no limite” para dar salto no mercado internacional, uma vez que existe competitividade na produção. “Em termos de bloco (Mercosul), somos competitivos”, diz ele.
O Uruguai é um grande exportador, com 700 mil toneladas anuais, seguido pela Argentina (400 mil toneladas).
Pela primeira vez este ano, o Brasil vai exportar arroz. “A alta de preços do produto no mercado internacional tornou viável a exportação e a política de subsídios vai derrubar os preços”, observa o coordenador da Área Internacional da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Pedro de Camargo Neto.
Segundo Camargo Neto, com as vitórias nos casos do açúcar e do algodão, abriu-se um espaço para contestação na OMC dos subsídios dados ao arroz. Ele destaca que, como o organismo funciona à base de jurisprudências, as chances de vitória, se for aberto um painel no órgão contra a política de apoio dos Estados Unidos a seus produtores, são grandes.
Camargo Neto fala com conhecimento de causa, uma vez que foi o idealizador do painel do algodão, quando participou do Ministério da Agricultura no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Além da jurisprudência, ele argumenta que os subsídios ao arroz, de 145% do valor da safra, superam de longe, em termos porcentuais, a proporção que é gasta com o algodão, que é de 89%.
Coelho diz que há condições para a cultura deslanchar no país. Há capacidade de armazenagem para 9 milhões de toneladas e de 140 milhões de sacas para beneficiamento.


