Perdas diretas chegam a 300 milhões no Mato Grosso

A exclusão do Estado no Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) para o arroz, implica em perdas diretas de cerca de R$ 300 milhões.

Mais uma cultura poderá ser sepultada em Mato Grosso, exclama o setor produtivo estadual. A exclusão do Estado no Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) para o arroz, implica em perdas diretas de cerca de R$ 300 milhões, levando em conta apenas a falta da subvenção que será concedida aos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os únicos contemplados. O edital do PEP foi publicado na última segunda-feira e o leilão será realizado amanhã, dia 14, às 10h.

As contas foram feitas pelo Sindicato das Indústrias de Alimentação no Estado de Mato Grosso.

– Esses R$ 300 milhões são valores diretos que a União deverá aplicar para realização do PEP nesses estados. Mas existem outros prejuízos indiretos: o primeiro é a perda do mercado consumidor do Norte e Nordeste. E o segundo é que somente com a publicação do edital a orizicultura mato-grossense não conseguiu vender nesta semana um grão sequer -, afirma o presidente sindical, Marco Lorga.

Os valores da subvenção serão conhecidos apenas no momento da abertura do leilão, mas Lorga leva em consideração cifras em cerca de R$ 2 a R$ 3 por saca.

Em razão da previsão de perdas no preço da saca e de mercado consumidor interno, Lorga conta que hoje uma comissão de empresários do segmento estará em Brasília para tentar convencer o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) da importância da inclusão de Mato Grosso no PEP.

– Sem mercado e com preços do grão ainda mais defasados, a paralisação da atividade no Estado é inevitável. Somente nas indústrias existem mais de 4,5 mil trabalhadores, e na outra ponta o produtor será ainda mais prejudicado em razão da queda nos preços, que poderão cair mais R$ 4, dos cerca de R$ 18 a R$ 19 pagos à saca de 60 quilos para o arroz tipo 1 longo fino.

O senador Jonas Pinheiro (PFL/MT), participou durante a semana passada, em Brasília, da reunião de negociações entre produtores, Ministério e Conab. Segunda sua assessoria, ficou acertado que o PEP para o arroz de Mato Grosso será liberado nos próximos dias.

O Diário procurou, inclusive por celular, o gerente de Alimentos Básicos e analista de mercado do arroz, da Conab, Paulo Moceli, mas ele esteve durante toda a sexta-feira no Rio de Janeiro e o contato não foi possível.

Lorga explica que o Estado necessita com urgência de um PEP de pelo menos 10 mil toneladas (t). No leilão de amanhã serão ofertadas 50 mil/t Rio Grande do Sul e 10 mil/t de Santa Catarina.

SEM MERCADO – Ele frisa que neste semana não houve mercado comprador para Mato Grosso porque as indústrias do Norte e Nordeste aguardam o leilão.

– A falta do PEP — que tem dez leilões previstos apenas para os dois estados — é um retrocesso para a orizicultura de Mato Grosso. Levamos dez anos para conquistar estes mercados e, atualmente, 64% da nossa produção vai para os estados do Nordeste e 16% para o Norte brasileiro. Essa exclusão é um golpe de misericórdia ao nosso Estado. A União, que tem de estabelecer o equilíbrio, promove o desequilíbrio. Não é possível que, por questões de política agrícola, ou melhor, a falta dela, venha a sepultar mais uma cultura em Mato Grosso. Além da soja, do algodão e do boi, o arroz também contabilizará mais números negativos – avisa Lorga.

Ele dispara ainda que a modalidade PEP é utilizada para retirada de excedentes de produção.

– Por isso, não se justifica PEP para dois estados que mantêm sua produção em números estáveis.

CONCORRÊNCIA – O arroz dos dois estados sulistas concorrem com o mato-grossense no abastecimento do Norte e do Nordeste. Existe, segundo Lorga, uma tabela que baliza o preço do fardo do arroz tipo longo fino, posto no Nordeste em R$ 30. Isso vale para Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

– Mas, após a publicação do edital, o Sul abriu preços a R$ 28. E desde então nós não vendemos mais nada. Vamos perder este mercado. Internamente consumimos apenas 20% da produção -estimada nesta safra em 860 mil/t – vai haver excesso, os preços vão despencar ainda mais. A indústria não vai trabalhar e o produtor não vai aceitar os preços. Será o fim da atividade e na próxima safra ninguém vai plantar. Ao contrário do se imagina, o preço não cairá mais ao consumidor porque a atividade vai parar e vai faltar arroz no varejo – sentencia Lorga.

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