Planeta Arroz impressa destaca ações para estancar queda do consumo e pressão histórica sobre as cotações

 Planeta Arroz impressa destaca ações para estancar queda do consumo e pressão histórica sobre as cotações

Foto: Geovani Wrasse

(Por Planeta Arroz) A edição nº 96 da Revista Planeta Arroz, publicada em dezembro de 2025, chega às bancas com uma análise abrangente sobre a crise de preços que afeta a cadeia orizícola no Brasil e traz, como manchete principal, o fenômeno que preocupa toda a base alimentar do país: “1, 2, feijão com arroz. 3, 4, feijão no prato!”. A chamada reflete o recuo simultâneo no consumo de arroz e feijão — dupla tradicional da dieta nacional — e apresenta como o setor busca influenciadores e campanhas para estancar a redução de demanda desses alimentos essenciais.

O relatório central da edição mostra que o arroz em casca no Rio Grande do Sul atingiu seu menor valor real desde 2011, com o Indicador CEPEA/IRGA-RS operando abaixo de R$ 53 por saca. A queda acumulada ultrapassa 48% em comparação ao ano anterior, pressionada por grande oferta interna, menor ritmo de exportações e demanda doméstica desaquecida.

A capa antecipa também uma entrevista exclusiva com Eduardo Rojas, presidente da Aninsa, da Costa Rica — país que se tornou o maior cliente internacional do arroz em casca brasileiro em 2025. O dirigente comenta as condições de comércio, a competitividade do produto brasileiro e a conjuntura internacional marcada por preços em baixa e oferta elevada.

Além disso, a edição dá destaque aos quatro blocos temáticos destacados na parte inferior da capa:
• Mercado: retração nas cotações, desorganização nos diferenciais por rendimento e riscos de continuidade produtiva.
• Safra: queda simultânea na produtividade catarinense e alerta climático com chegada da La Niña fraca.
• Mercado Externo: exportações recuam mais de 45% em novembro, importações caem 54%, e o Mercosul enfrenta concorrência agressiva da Ásia.
• Socorro: entidades reforçam necessidade de apoio institucional, crédito emergencial, estocagem e estímulo ao consumo.

Planeta Arroz nº 96 também analisa o comportamento do feijão, cujo consumo vem apresentando redução semelhante ao do arroz, criando um cenário de preocupação para a segurança alimentar. A revista traz ainda estratégias de comunicação e marketing mobilizadas pelo setor — incluindo ações com influenciadores digitais — para recuperar a demanda e combater a desinformação nutricional.

Em um momento de forte desvalorização, margens negativas e risco climático, a publicação apresenta um panorama completo da virada da safra 2025/26 e discute caminhos para a reconstrução do equilíbrio entre oferta, demanda e renda agrícola.

Planeta humor traz a charge de Jader.

A sessão de artigos traz alguns dos maiores especialistas em mercados de soja e arroz, como Argemiro Brum, Sérgio Gomes Santos, e Lucílio Alves.

Por fim, a revista anuncia que a edição nº 97 circulará durante a Abertura Oficial da Colheita do Arroz, trazendo novas projeções, entrevistas estratégicas e o monitoramento atualizado do mercado no início da safra

2 Comentários

  • O momento em que o mercado de arroz no Brasil atravessa é sem dúvida desafiador, podemos até dizer que é um momento desolador! Sob a ótica de que o custo de produção está muito abaixo do preço, seja do arroz em casca, seja do arroz beneficiado. Trata-se de um daqueles momentos de Tempestade Perfeita! Com uma oferta muito maior que a demanda, preço do arroz no mercado externo em recuo, consumo estagnado ou até mesmo em recuo, quando analisamos o consumo per capita, câmbio desfavorável à paridade internacional e competitividade do arroz brasileiro no mercado externo. Muitos fatores nos trouxe até este momento.

    É ilusão acharmos que o problema para por aí. O problema é estrutural. Seja no custo da cadeia produtiva, seja pelos hábitos de consumo de nossa sociedade. No estudo científico ” Consumo Domiciliar de Arroz e Feijão no Brasil” dos autores Gerciana Rezende, Alexandre Coelho e Guilherme Travassos, de 2022, aponta alguns indícios que nos levam a entender a queda no consumo de arroz, no domicílio. O consumo do domicílio, a briga é ainda mais desleal, os fast food veem se consolidando como opção mais consumida fora do domicílio. Mas no estudo os autores utilizaram dados da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar) do IBGE, dos anos de 2002/03, 2008/09 e 2017/18.

    O estudo aponta que o arroz é mais consumido em famílias maiores, onde o responsável pelo sustento é homem e mais velho. Com o avanço das famílias menores, a independência da mulher no mercado de trabalho e maior tempo gasto na relação trabalho/trânsito, o arroz e o feijão estão sendo substituído por outros alimentos mais rápidos de preparo. O feijão é uma dobradinha do arroz, um produto complementar, que impõe um tempo maior de cozimento à dupla, embora o próprio arroz tem também um gasto de tempo relativamente elevado.

    Outro fator apontado como possível “ponto ‘negativo” na hora da escolha, é a informação errônea de que o arroz é muito calórico, e aos consumidores preocupados com esta questão subistituem o arroz por outro alimento menos calórico.

    Em suma, o estudo aponta as possíveis razões para a queda no consumo do arroz no Brasil.

    Particularmente, eu acredito que o setor tem muitas lutas a travar para buscar a sustentabilidade da atividade. Custo de produção, abertura de novos mercados, melhor divulgação do produto nacionalmente, promoção do produto, mas principalmente, entender os hábitos novos de consumo. Devemos entender os motivos das mudanças nos hábitos de consumo e criarmos produtos que venham a atender as novas exigências dos consumidores.

    Arroz de microondas, fácil, rápido de fazer e que seja uma delícia. Arroz com baixo teor calórico. Ideias, apenas ideias… Mas o fato é que devemos entender o consumidor para podermos aumentar a demanda, sob o prisma do consumo, no hábito de consumo.

    Boa sorte a todos nós que vivemos do querido, bom, coringa, arroz de cada dia!

  • Recentemente a Scantech fez um levantamento sobre o recuo no consumo do arroz e do feijão:

    https://www.scanntech.com.br/consumo-de-arroz-feijao-perde-espaco-no-prato/

    Nesse estudo é mencionado que fatores como tamanho das famílias e urbanização, tem afastado o brasileiro do consumo de arroz. Onde em 1985 o consumo per capita era de 40kg por pessoa ano, em 2023 o consumo de arroz ficou em 28,3 Kg/pessoa/ano.

    Grandes desafios: sustentabilidade produtiva, compreensão dos hábitos de consumo, abertura de novos mercados etc

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